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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Mãe tem filho, filho tem mãe?

A mulher galgou degraus há alguns anos impossíveis de imaginar. Um destes degraus chama-se independência. Todos os tipos de independência. Financeira, pessoal, cultural, moral, sentimental. A mulher tornou-se independente das perpendiculares clássicas que a taxavam simplesmente como a dama do lar.

A mulher cresceu, desenvolveu dogmas e criou atitudes próprias dos homens. Saiu e foi à luta por seus conceitos, alcançando patamares determinados pela concepção machista, como sendo seus. Hoje a mulher empresária disputa espaço dignamente com os homens. Já não há uma linha demarcatória determinando onde começa e onde termina os espaços de cada um. Em todos os setores da sociedade a mulher está presente de forma marcante. Hoje encontra-se entre os melhores cirurgiões, mulheres; entre os melhores arquitetos, mulheres; entre os melhores engenheiros, mulheres; entre os melhores articuladores, mulheres. A mulher entrou na construção civil, na polícia, nas forças armadas. A mulher deixou de ser costureira, confeitadora de bolos, professora.

A mulher se distanciou da cozinha e do tanque. Já não lava camisa e cuecas dos seus homens, mantenedores e alimentadores de suas fomes. A mulher grita, reclama, protesta, se elege para cargos, há alguns anos, imaginados como exclusividade masculina. A mulher cresceu, tornou-se independente e chefe de casa. Em quantas casas a mulher sustenta a casa com dignidade e competência? Quantos machos de carteira assinada, hoje, submetem-se à chefia de mulheres competentes e enérgicas?

E estando na rua, disputando com elegância o seu espaço, a mulher tem tempo para ser mulher. Encontra tempo para amar e ser amada. Namora, noiva e sonha com o casamento. Casamento com vestido comprido, véu, grinalda, festa com familiares, amigos. Sonha com filhos. A mulher moderna sonha com os seus filhos. E começa a ingerência da politica dentro da cabeça da mulher.

Tem que haver opções e prioridades. A mulher cresceu e ganhou responsabilidades e compromissos e de repente surge em sua vida uma criança. O filho tão esperado, o filho gerado com amor ou com projeto. O filho hoje deixou de ser consequência ou finalidade na cabeça da mulher independente. O filho passou a ser projeto com tempo certo para vir, com planilha de custo, lucros e perdas. Dificuldades e prioridades. O filho, na cabeça da mulher moderna, passou a estar contido em suas obrigações pessoais e profissionais. O que fazer?

Contratar uma babá, colocar a criança cada dia mais cedo na escola, delegar direitos e deveres para terceiros e o filho da mulher moderna deixa de ser consequência e passa a ser preocupação. O curriculum da babá, a ficha técnica da escola, as condições do transporte escolar. A tiazinha tem experiência em cuidar de criança? A mãe moderna tem reunião pela manhã com o gerente do banco. O cliente quer escolher tecidos para o sofá. Na piscina da escola tem guarda-vidas? A nutricionista sabe que seu filho não pode comer chocolate? A cirurgia está marcada para as primeiras horas da manhã. Aquele cliente que deixou de declarar um imóvel e a Receita reclama o seu quinhão. Será que a babá sabe que o remédio do seu filho tem que ser administrado de três em três horas?

A mulher moderna se fez mãe e já tem o seu filho para passear nos finais de semana. A babá paramentada no banco de trás com a criança no colo, fazendo suas vontades para a criança não chorar. A mãe está dirigindo e pensando na reunião de segunda feira e o choro da criança lhe estressa. Ela deixa a babá no parquinho enquanto vai ao salão. O salão está cheio de mães sem filhos e no parquinho filhos sem mãe abraçam maternamente babás fantasiadas de empregadas e mães de favor.

A mulher cresceu, galgou degraus antes somente imaginados para homens, mas, continua sendo mulher. Vaidosa, materna. Muitas não amamentam para não deformar seios retocados por cirurgiões caríssimos. Filhos nascem de mães que geraram filhos projetados para a época certa, para o dia certo, nem sempre com o homem certo. Muitas vezes nem precisam da presença física do homem para a concepção. A mulher moderna, independente como é, compra o semem com as características desejadas e se faz mãe. Mães de filhos que serão criados sem a presença da mãe.





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