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O reencontro com a prosa de Osman Lins
O trato simétrico com as palavras no romance, no conto, nos ensaios e nas peças, fez de Osman Lins um grande nome da literatura na língua portuguesa. Como um artífice das frases, Osman procurou ser, acima de tudo, escritor. Não se conformava com o acaso, mas executava seu trabalho árduo na briga com as palavras, até obter delas o sulco meticuloso das letras. É o autor de um dos mais belos romances de amor já editado na Língua Portuguesa. Avalovara traz um tema ecumênico e universal, em que os personagens se deixam reconhecer, sendo comparáveis a pessoas de qualquer parte do mundo. Seus livros foram editados em idiomas como espanhol, inglês, francês, polanês, alemão e húngaro. Mas o autor ainda precisa ser redescoberto, principalmente em seu Estado de origem, Pernambuco. A prosa de Osman Lins está no mesmo patamar de Guimarães Rosa, Machado de Assis e do argentino Júlio Cortázar. O consagrado escritor argentino chegou a escrever sobre o romance Avalovara do pernambucano: “Se eu tivesse escrito esse livro, poderia passar mais 20 anos sem fazer mais nada”, rendendo-lhe os maiores elogios. Aliás, essa parece ter sido a tônica das críticas feitas à obra de Osman Lins. Osman se entregou completamente à tarefa da escrita. Atribuía isso a sua própria existência. “Eu já tive a oportunidade de dizer que a morte de minha mãe formou a minha vida como escritor, porque, metaforicamente, ser escritor é construir um rosto que não existe, um rosto imaginário”..., chegou a anotar. O escritor nasceu em 05 de julho de 1924 em Vitória de Santo Antão. Aos dezesseis dias de vida, perdeu a mãe, Maria da Paz de Mello Lins, em decorrência de complicações do parto. Frequentemente, Osman Lins mencionava desconhecer o rosto de sua mão, porque ela não deixou fotografia.
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