-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Religião Cristã
 
Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

O Vício da Dor

Desde muito cedo somos ensinados que a dor é um expediente de conquista, um meio de se obter o que se quer. É difícil ficar insensível diante de alguém que chora. O bebê chora e é levado ao colo e alimentado; o filho desobediente chora e escapa da punição; o marido espancador chora e é perdoado. Até o político safado chora e seus delitos são esquecidos e os votos mantidos. 

Exceto quando choramos de alegria ou compaixão por outro, a mensagem da lágrima, em geral, é: preciso de ajuda.

Além da pena de si mesmo (a Síndrome do Coitadinho) há ainda outro mal relacionado à dor: o orgulho espiritual que decorre do sofrimento/sacrifício visto como algo dignificante ou meritório. A vivência eclesiástica está impregnada de estímulos à autoflagelação como recurso para obter o favor divino é algo que remonta aos primórdios do cristianismo

Vai chorando, geme, chora – Não conheço nenhuma música cuja letra diga que precisamos sorrir para vencer as lutas, que necessitamos ser mais alegres para termos a resposta de oração. Ao contrário: somos ensinados a chorar e a prantear, pois “Deus não resiste” ao crente que chora. Todavia a Bíblia diz que “a alegria do Senhor é a nossa força”, que Deus ama aquele que dá “com alegria”. Não se trata de negar a legitimidade da dor, mas apenas que deve haver equilíbrio. Não podemos enfatizar o sofrimento como meio de obter o favor divino. O cantor Mattos Nascimento, em sua mais conhecida canção, diz: Quer vitória? Vai chorando. Geme. Chora. Por que não  “vai sorrindo, vibre, sorria”? 

“Tristemunhos” – Muito do que é contado como “testemunho de vitória” nas igrejas realmente tem componentes emocionantes e edificantes. Todavia, a ênfase à dor e ao sofrimento podem induzir os ouvintes a pensar que o valor de um testemunho está na ‘quantidade’ de sofrimento que ele tem e não na ‘qualidade’ da transformação que ele produziu.  Quando se pensa: “Depois de tudo o que eu sofri, eu mereço isso” se faz com que a Graça deixe de ser “favor imerecido” para tornar-se “recompensa”.

Caminho estreito (e espinhoso) – Não são poucos os pastores que fazem um ‘adendo’ ao comentário de Jesus sobre “os dois caminhos”. Segundo Cristo, o que leva à perdição é “largo e muitos vão por ele” e o que leva ao Céu é “estreito e são poucos os que andam nele”. Íngreme, espinhoso e cheio de pedras são acréscimos indevidos que pregadores utilizam para emprestar ao texto um sentido que ele não tem: de que o caminho para o Céu é um caminho de sofrimento. O que Jesus efetivamente diz é sobre a quantidade de pessoas no caminho e não sobre a qualidade do mesmo.

Joelho calejado – Na espiritualidade sadia, prostrar-se não tem nada a ver com colocar-se numa posição de desconforto físico. O ajoelhar-se é um reflexo exterior de uma disposição que já existe no íntimo: demonstrar submissão e reverência. Entretanto, em muitos ambientes religiosos, ostentar calo no joelho virou marca de uma espiritualidade sofrida e sacrificial.  

Oração de madrugada - Já ouvi de um líder a seguinte afirmação: Esse negócio de acordar de madrugada e orar deitado na cama quentinha, debaixo do cobertor é muito fácil. Crente tem que botar o joelho no chão frio e a boca no pó.

Jejum Sadomasô – Há pessoas que ensinam que deve-se suportar as horas mais excruciantes de um jejum, quando o estômago dói de fome, com a certeza reconfortante de que é nessa exata hora que Deus o esta recebendo. 

Há dores saudáveis e necessárias que podem tornar-se altamente pedagógicas. A dor pode nos aproximar da fé, nos ensinar os limites do nosso corpo, nos alertar para o perigo. No entanto, há também males que sofremos prazerosamente a fim de atrairmos a atenção de Deus e dos outros e essa forma doentia de lidar com a dor sempre corromperá nosso conceito Dele. Ou veremos a Deus como injusto (“Não mereço o sofrimento que estou passando”) ou como devedor (“Deus vai recompensar minha dor”).  

Há falsas dores que não passam de sombras de dores antigas que insistimos em reavivar em nome de um mórbido deleite. A essas cabe a nós dar um basta. Nesses casos vale o alerta da Bíblia contra o risco do ‘excesso de choro’ pois a autocomiseração pode ter um efeito paralisante sobre nós: ‘Se te mostrares frouxo no dia da angústia, tua força será pequena’ (Provérbios 24:10). 

Há dores que decorrem da escassez de recursos. Nesses casos a Bíblia ensina lutar com o que se tem à mão. ‘Transformem seus arados em espadas e as foices em lanças! Diga o fraco: Sou um guerreiro’ (Joel 4:10)

Há dores que nos acompanharão enquanto vivermos. Para essas a recomendação bíblica é da dependência e da suficiência do poder de Cristo: ‘Eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte’ (2 Cor 12:9-10)

A receita comum da sabedoria popular para a dor é conhecer alguém que esteja ‘sofrendo mais que você’. Embora isso possa deixar o sofredor um pouco mais conformado, não o deixará mais aliviado. Visitar um hospital para contemplar pessoas que estão numa situação pior que a nossa não é ser “solidário”, é uma tentativa de sentir-se ‘superior’. 

A receita bíblica é mais completa: ‘Alegrem-se com os que se alegram, chorem com os que choram’ (Rm 12:15). A solidariedade não consiste apenas em sentir pena de quem chora. Ser solidário, segundo o dicionário, é “compartilhar sentimentos”. 

A dor pode ter o poder de nos isolar dos outros, seccionando nossas relações fraternas e familiares e levando-nos a estágio quase ‘autista’ no qual nos concentramos na repetição dos nossos lamentos e em nosso enclausuramento. Alegrar-se com a conquista do outro é um excelente remédio contra esse mal além de afugentar a inveja e de agradar a Deus (não por meio da dor, mas pelo amor e serviço ao próximo) e aí, com certeza, vai doer menos.





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: O Sucesso é... Ser Um Escolhido! ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Milagres ( Religião Cristã - Carlo Dionei )

:: Um deus a serviço de Deus ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: O Fator Efraim ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Carta aos Cristãos do Mundo Inteiro ( Religião Cristã - Mizael Souza )

:: Eita povo ruim de morrer ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: Lições aprendidas com Zaqueu ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: Sinais ou Circunstâncias - O que guia sua fé? ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Cristofobia é homofobia ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: Ataques gratuitos aos evangélicos ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: A Igreja verdadeira ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: A Imago Dei ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: O Natal de Simeão ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Eu queria ser uma nota de cem reais ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Ajude o seu próximo ( Religião Cristã - Luciano Deschamps )

:: Por Onde Começar? ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Cristianismo as avessas ( Religião Cristã - Gizelle Saraiva )

:: Vivendo entre o ordinário e o extraordinário ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Avivamento e Convicção de Pecado Joel 2:12-28 ( Religião Cristã - Silaell Dantas )

:: Sonhando os sonhos de Deus ( Religião Cristã - Anderson Vieira )
 
 

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo