Não é nenhuma novidade ler ou ouvir sobre a repercurssão da Turma da Mônica na nossa sociedade. Nem hoje, nem ontem. É fato consumadíssimo que Mônica e sua turma acompanham gerações. Mauricio de Sousa é um gênio. Olha os parques de diversão, as banquinhas, a criançada rindo e se divertindo. Olha a expansão dos personagens, o alcance, a transformação. E da cultura de massas, ninguém quer falar?
Como boa leitora dos gibis, tenho algumas propostas para apresentar. Descobertas que antes não pareciam realmente tentadoras, ou que, por comodismo, tradicionalismo ou qualquer outro "ismo" tenham sido abandonadas.
Já reparou como, através dos quadrinhos de Mônica, podemos perceber modelos identitários que contribuem para a socialização de uma criança? Ou seja, as normas estão implícitas nas histórias e são absorvidas durante a leitura.
Chama a atenção algo aparentemente simples: a separação de cores. Uma marca divisória. As personagens femininas gostam de brincar de casinha, de rosa, de flor, de varrer a casa. Os meninos que fiquem com as brincadeiras ao ar livre, com as pancadas, os bermudões, os palavreados e, claro, a cor azul.
Não se sabe até que ponto as histórias da Turma podem influenciar de fato, ou se será preciso, quando adulta, uma estudante ler sobre feminismo para perceber o sexismo nos quadrinhos. O que importa é que ele se faz presente, às vezes até muito discretamente.
É preciso olho clínico e uma dose de descontração. Afinal, se fosse pra passar lição de moral ninguém leria gibi, não é mesmo? Chego a uma quase conclusão, sem ofensas: talvez Mauricio de Sousa não queria mesmo problemas. Desmistificar é tarefa complicada. Tão mais fácil manter os mitos! Pois lidar com as diferenças pode ser sinônimo de tudo, menos de diversão.