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Ana Paula Lisboa

[ Ana Paula Lisboa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estuda Comunicação Social, adora escrever e acredita na comunicação como formuladora de conceitos.

 

Cursos de gastronomia ganham popularidade entre os jovens


Camila Muradas

Com apenas 17 anos, Marina Morais (segunda à direita) é requisitada pelos amigos e conhecidos para fazer doces e bolos para eventos

Aos 20 anos, o estudante de engenharia de redes Raphael Augusto Melo não sabe cozinhar: “Não sei e nem tento”, diz. A única vez que tentou também não deu certo: o arroz ficou ensopado. Fã de comida congelada, Raphael admite que a culpada é a mordomia: “Meus pais sempre cozinham e nunca precisei fazer isso”. Enquanto mora com os pais, Raphael pode se dar ao luxo de não fazer comida. Só que a necessidade têm feito muita gente procurar cursos pela cidade. “É gente que vai casar, morar sozinho ou fora do país e que está cansada de ter que comprar comida congelada, de pagar empregada ou de ter de comer fora”, destaca a professora de culinária da Kasa Chique e do curso da Unieuro Ana Tereza Bandeira. Formada em gastronomia e em nutrição, Ana Tereza afirma que as pessoas não fazem esses cursos por modismo. "Elas cansaram de depender dos outros ou de gastar muito para comer”, diz.


Renda extra
Marina Morais, 17 anos, estuda nutrição na Uiversidade de Brasília (UnB) e começou a cozinhar aos oito anos. “Quem quer cozinhar não pode ter medo de errar, a gente aprende com os erros. É preciso ter paciência e carinho, deve ser prazeroso. Ir pra cozinha mal humorada e com pressa já me fez estragar muito prato”, relata a estudante que já quase incendiou a casa e se cortou diversas vezes experimentando receitas de livros e blogs. Depois de muitos erros e de fazer cursos de bolo artístico, cupcakes e outros doces, Marina é admirada por seus dotes culinários e em eventos de amigos acaba indo para a cozinha.

Ela relata suas experiências culinárias e recebe pedidos de encomendas de doces, bolos e cupcakes no blog As Marinadas desde o ano passado. O sonho da jovem é estudar gastronomia na Cordon Bleu, famosa escola de culinária francesa, e, durante os quatro anos do curso de nutrição, pretende juntar dinheiro com as encomendas do blog para chegar lá.

Arquivo pessoal
sonobrrasil
Esther Lima trabalhou muitas
horas para terminar a primeira
encomeda para uma
festa de 15 anos


Além de renda extra, a culinária pode ajudar quem tem uma alimentação diferenciada. A moradora da Ceilândia, Esther Lima, 21 anos, estuda farmácia e descobriu a aptidão para a cozinha há pouco tempo. Ela é vegetariana e tem dificuldade em encontrar pratos que possa comer, daí veio a iniciativa de fazer um curso de culinária vegana. Empolgada com as novas descobertas, Esther resolveu se livrar de uma frustração antiga: “Os bolos que eu fazia eram uma tragédia. Depois que eu fiz os cursos de bolos artísticos e cupcakes no ateliê Vera Ramalho (no Guará), melhorei muito”. A nova habilidade começou a render frutos: Esther conseguiu a primeira encomenda no último fim de semana, para fazer 70 cupcakes, além de pirulitos caseiros e um bolo para uma festa de 15 anos.

Curso superior

Arquivo pessoal
sonobrrasil
Anderson Yotsumoto preparamoqueca de
peixe com purê de mandioca para curso de culinária


A gastronomia também é caminho promissor como formação. Com apenas 20 anos, Anderson Yotsumoto é graduado há dois anos em gastronomia pela Unieuro e dá aulas de culinária na Kasa Chique. A vontade de ser ator foi reprimida pela mãe e, depois de ver um adesivo do curso num carro, se decidiu: “Eu nem sabia que existia faculdade de gastronomia, mas não me arrependo. Quero ser chefe de cozinha”.

Anderson comenta o problema de as pessoas enxergarem os gastrônomos como cozinheiros - sempre à disposição - ou como alguém que julga tudo o que come. “Rola muito convite para almoço ou jantar na casa das pessoas e, quando chego lá, descubro que eu tenho que cozinhar. Ou até deixam de me convidar por medo de eu criticar a comida”, desabafa.

Arquivo pessoal
sonobrrasil
Matheus Lira, 19 anos, abandonou o
curso de direito para fazer
gastronomia e acabou sendo
julgado pelos conhecidos


Matheus Lira, 19 anos, cursa o 2º semestre de gastronomia no Iesb, tem um gosto especial pela confeitaria e ajuda a mãe no Joia Buffet para eventos em domicílio, além de trabalhar no restaurante Versão Tupiniquim. Antes de escolher o caminho dos pratos, Matheus cursou três semestres de direito e teve muita gente que desaprovou a mudança de carreira. “Diziam que eu era louco de largar direito para fazer gastronomia, mas prefiro trabalhar em algo que eu goste do que trabalhar só por dinheiro”,, conta.

A carreira na culinária pode ser, muitas vezes, alvo de preconceitos, mas isso está mudando. “Antes, ser cozinheiro era algo ruim. Hoje, não. Há muitas escolas e chefes renomados. É fácil achar emprego. Inclusive a Copa (do Mundo de 2014) está abrindo muitas portas. O difícil é abrir seu próprio negócio porque os equipamentos são caros”.

Felipe Pimentel
sonobrrasil
Fernando Abdalla venceu a dificuldade
de abrir um negócio próprio e cozinha para
eventos reservados em sua própria empresa


Essa dificuldade Fernando Abdalla, 24 anos, já enfrentou ao fundar uma empresa de eventos pequenos. Ele fez o curso de cozinheiro chefe internacional no Senac de São Paulo e estuda publicidade. “Detesto rotina. Tanto publicidade, quanto gastronomia são profissões sem monotonia. Vou me formar como publicitário, mas vou seguir a carreira de chefe de cozinha”. Tudo que ele aprende no curso de propaganda aplica na empresa que formou, há oito meses, no Lago Norte, a Fernando Abdalla Gastronomia, com a qual já está lucrando.

São cerca de quatro eventos por semana, cada um com cardápio personalizado, além de um evento temático por mês e o clube da cerveja, também uma vez por mês. “Eventos empresariais são os que mais acontecem aqui, temos auditório e oferecemos jantar. Atendemos todo tipo de grupo, inclusive casais que querem um jantar exclusivo”. Fernando considera que já existe excesso de empresas para eventos grandes, como formaturas, em Brasília. Por isso optou por um empreendimento menor, para atender grupos reservados.

Dificuldades
Gustavo Lisboa, 20 anos, é formado em gastronomia há três anos e cursa o último ano de direito. Depois de formado, fez um curso intensivo em Paris, na escola gastronômica Ritz. Junto com dois amigos formou o Buffet 180°, que cozinha para eventos com até 50 pessoas na casa dos clientes. Apesar de achar a carreira de direito muito competitiva, pretende seguir essa área, deixando a culinária como hobby. “A gastronomia é um ramo muito desgastante e pouco remunerado para quem tem que passar às vezes oito, até 12h seguidas dentro da cozinha.”

Outro problema é a falta de valorização da formação. “Um cozinheiro formado em gastronomia não vai ganhar mais do que um que não é formado. O diploma não vale muito, até porque muitos dos maiores chefes do mundo nunca pisaram numa faculdade”, explica ele.

A gastrônoma e nutricionista Ana Tereza Bandeira pondera ao dizer que “cada vez mais o diploma está sendo exigido, o que contribui para a valorização do curso. Apesar disso, muitos restaurantes acabam contratando cozinheiros sem diploma de gastronomia porque sai mais barato”. De acordo com a professora, a alimentação saudável está em alta e a gastronomia tomou ares de requinte, então, a profissão se estabilizou. Ela acrescenta que a tendência é que sejam abertos mais cursos de gastronomia, inclusive em universidades públicas.

O desgaste e a falta de valorização relatados por Gustavo Lisboa são algumas das causas da alta evasão no curso de gastronomia. Segundo pesquisa do Ministério da Educação divulgada em 2011, um terço dos alunos abandona o curso. Passar horas em pé cozinhando, lavando, cortando parece muito distante da imagem de chefes famosos na mídia. Isso também leva ao desânimo.

Porém, para quem realmente gosta da área e tem pique para aguentar o peso das panelas, o futuro é promissor. O mercado de gastronomia cresceu 10% nos últimos cinco anos, de acordo com a Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel) e as vagas disponíveis vão além do chefe de cozinha. Ainda de acordo com pesquisa da Abrasel de 2011, o salário inicial de um profissional de gastronomia fica em torno de $ 1,5 mil, o de um chefe de cozinha é aproximadamente R$ 7 mil. Esses valores podem aumentar mais de dois dígitos para os profissionais mais experientes e de sucesso.

Confira as opções de curso de gastronomia e culinária
- Graduação tecnológica em dois anos em Brasília: Unieuro, Universidade Católica de Brasília e Iesb.

- Pós-graduação: O Centro de Excelência em Turismo (UnB) oferece especialização em áreas como qualidade de alimentos, gastronomia sob a ótica do turismo, tecnologia de alimentos e segurança alimentar.

- Cursos de culinária no DF: Senac, Kasa Chique, Vera Ramalho, Escola de Gastronomia de Brasília, Chef Catarina Melo e Sônia Menezes.

- Universidades públicas que oferecem bacharelado em gastronomia:Universidade Estadual de Goiás (UEG), Universidade Federal do Rio De Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal do Ceará (IFCE).





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