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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

Herança africana no português do Brasil

A Língua Portuguesa recebeu, ao longo dos séculos, influências de outros idiomas, em decorrência dos contatos culturais. Desses contatos o português sai enriquecido pela absorção de novas palavras que se incorporam ao idioma.

Durante trezentos anos o Brasil recebeu milhares e milhares de africanos, aqui trazidos como escravos para o trabalho rural ou da mineração. Vieram negros de praticamente toda a África, mas deles destacam-se dois grandes grupos: o guineano-sudanês e o banto. Esses povos falavam muitas línguas, das quais quatro exerceram razoável influência no Português do Brasil. Do primeiro grupo, pode-se mencionar o iorubá ou nagô (Nigéria) e o eue ou jeje (Benim). Do segundo, o quimbundo (Angola) e o quicongo.(Congo).

Uma série extensa de palavras, oriundas dessas línguas, foi incorporada ao vocabulário da língua portuguesa do Brasil, especialmente as relativas a:

Divindades, conceitos e práticas religiosas - Oxalá, Ogum, Iemanjá, Xangô, pombajira, macumba, axé, mandinga, canjerê, gongá (ou congá);

Comidas e bebidas - Quitute, vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, quibebe, farofa, quindim, canjica e possivelmente cachaça;

Topônimos, isto é, nomes de lugares e locais - Caxambu, Carangola, Bangu, Guandu, Muzambinho, S. Luís do Quitunde; cacimba, quilombo, mocambo, murundu, senzala;

Roupas, danças e instrumentos musicais - Tanga, miçanga, caxambu, jongo, lundu, maxixe, samba, marimba, macumba (antigo instrumento de percussão), berimbau;

Animais, plantas e frutos - Camundongo, caxinguelê, mangangá, marimbondo, mutamba, dendê, jiló, quiabo;

Deformidades, doenças, partes do corpo - Cacunda, capenga, calombo, caxumba, banguela, calundu, bunda.

Muitas palavras produziram compostos e derivados como:pé-de-moleque, molecagem, minitanga, quiabinho, angu-de-caroço, dendezeiro etc.

Curiosa é a formação de capanga, de provável origem banto: a forma normal é panga (companheiro), que entrou para o português acrescida do prefixo diminutivo ca. Isto quer dizer que na origem <> significa <>. De procedência africana são também provérbios como <>, <>, <>, <> (aqui, farofa = ostentação e molambo = trapo, farrapo).

A influência africana fez-se sentir, também, na fonética da língua, combinada com a influência indígena. Essa influência operou-se principalmente no linguajar chamado "caipira", utilizado pelos falantes da zona rural, com pouca ou nenhuma instrução formal. Assim, são atribuídas à influência afro-indígena formas como tá (está), mió (melhor), fulô (flor), muié (mulher), paiaço (palhaço), cosca (cócega), memo (mesmo), aquerditá (acreditar), num (não), andano (andando), entre outras.

É claro que a lista de palavras de origem africana não se esgota nos poucos exemplos enumerados no texto. Haverá o leitor curioso que consultar obras importantes neste campo do saber e, dentre muitas, recomenda-se: A língua do Brasil, de Gladstone Chaves de Melo; A língua nacional e outros estudos lingüísticos, de João Ribeiro.

 

DICAS DE GRAMÁTICA

Bacharel/Bacharela

- O feminino de bacharel é bacharela.

Da mesma forma:

. oficial - oficiala | sargento - sargenta | coronel – coronela;

. marechal - marechala | prefeito - prefeita | juiz – juíza;

. general -generala | paraninfo - paraninfa | mestre – mestra.

 

Adiar para depois?

- Não! É redundância. Só se pode adiar para depois; se é adiar já é para depois...

Os alunos pediram ao professor que transferisse a prova para depois do feriado.

 

Bebedor / Bebedouro

- Bebedor é aquele que bebe.

Exemplo: Não sirva mais nada àquele bebedor inveterado.

- Bebedouro é onde se bebe.

Exemplo: Foi colocado mais um bebedouro no saguão do colégio.

 

Presidente/Presidenta?

- Chefe de Estado do sexo masculino é presidente. E do sexo feminino, é presidenta.

 

Nos mais consagrados dicionários brasileiros da Língua Portuguesa, de que se tem notícia, dentre eles Aurélio Século XXI, Caldas Aulete e Michaelis do Milênio, e no Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em todos eles está o verbete presidente classificado por substantivo de 2 gêneros e adjetivo também de 2 gêneros. À exceção do PVOLP, todos registram também presidenta no sentido de mulher que preside; esposa de um presidente; e feminino de presidente.

O tratamento presidenta se fixou na Imprensa brasileira, em 1974, quando a terceira esposa de Juan Domingo Perón, Maria Estela Martínez de Perón, popularmente Isabelita Perón, foi presidente da República Argentina (1974-1976).

História Argentina à parte, quando se trata de chefe de estado do sexo feminino, preferimos o termo a presidente, deixando presidenta para ser usado como feminino de presidente, ou seja, a esposa do presidente, que nada mais é do que convencionamos chamar de primeira-dama.





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