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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

A História da língua portuguesa se confunde com a história de seus falantes

Tudo tem a sua história. A língua portuguesa não é diferente. Toda língua tem uma história que se confunde com a de seus falantes, ou seja, o seu povo. As palavras, também, têm história, posto que elas nascem, evoluem, transformam-se e muitas vezes desaparecem. Assim, a história das palavras está diretamente ligada à do homem, à de sua evolução e transformação. Estudar as palavras e a sua evolução é também estudar a história da humanidade, da vida dos seres humanos e de todas as coisas que nos cercam.

As palavras da língua portuguesa vêm de várias fontes, são elas:

1ª Fonte: o latim falado, que os filólogos denominam de latim vulgar. Este latim era levado pelos soldados romanos a cada região conquistada pelo império. Em cada terra, os soldados romanos se misturavam com a população do lugar, fato esse que ocasionou uma mistura lingüística do latim vulgar com a língua nativa, dando origem a vários idiomas, como: português, castelhano, catalão, provençal, francês, rético, italiano, sardo, dalmático (morto) e romeno. A Península Ibérica foi conquistada no século III A.C.. Nela habitavam celtas, iberos, fenícios, gregos e outros grupos. Celso Cunha diz que poucas palavras destes povos permaneceram no português, como: balsa, barro, carrasco, louça, manteiga e alguns sufixos.

2ª Fonte: o latim escrito, usado pela Igreja Católica e pelos intelectuais, de onde nasceram as palavras eruditas no português, como: celeste, fascículo, homúnculo, lácteo, miraculoso (de milagre).

3ª Fonte: outras línguas, quase sempre neolatinas, das quais recebemos palavras que tiveram origem também no latim, como amistoso, ligado à palavra castelhana amistad (no português amizade), do latim amicitate.

4ª Fonte: invasões estrangeiras. Os visigodos, no século V, como os árabes, do século VII ao XV, estiveram na Península Ibérica, por isso ganhamos várias palavras de origem gótica: albergue, bando, guerra, trégua; de origem árabe: alface, álcool, cifra, faquir, tripa, xadrez. De 1580 a 1640 Portugal permaneceu sob o domínio espanhol, são desta época o espanholismo: alambrado, granizo, hombridade, neblina redondilha, tablado, vislumbrar. 

5ª Fonte: imigrações. No Brasil a língua portuguesa sofreu influência africana, ganhando muitas palavras, tais como: acarajé, candomblé, dengue, vatapá. Inúmeras palavras advindas dos povos nativos, os índios, principalmente os nomes dos acidentes geográficos e das cidades. Depois, contam-se muitas palavras de origem européia e asiática que chegaram ao Brasil no final do século XIX e início do século XX, como: italianos, espanhóis, japoneses. Com isso o português do Brasil foi se distanciando do português de Portugal. 

6ª Fonte: influência cultural. A intelectualidade brasileira sofreu forte influência cultural da França e a língua ganhou palavras importadas do francês, como: chique, croqui, tricô, menu, omelete, purê, sutiã. Atualmente o país recebe influência do inglês norte-americano, daí palavras como: basquete, vôlei, boxe, ringue, uísque, nocaute, cartum, filme. Algumas palavras conservam a ortografia inglesa, como: marketing, software, overnight, holding, lobby.

História de algumas palavras:

Fogo - (que em latim se dizia "ignis" = ignição do carro) tem origem noutra palavra latina, "focu", cujo primeiro sentido é lar doméstico, lareira, e só posteriormente passou a significar fogo. Por via culta, "focu" nos deu foco, já com sentidos novos.

Lápis e lápide - essa palavra, em latim, possuía várias formas, de acordo com sua função na frase: lapidis, lapidem. Ela significa pedra: pedra tumular, marco miliário, pedra preciosa. O portuguê, no século XVI, tomou provavelmente do italiano a palavra lápis, já com sentido especial de grafite, ou seja, variedade de carbono cristalizado para escrever. E hoje designa qualquer bastãozinho, geralmente de madeira e cilíndrico, que envolve a grafite. Da forma lapidem provém, por via erudita, a nossa lápide, que se usa apenas nos sentidos de laje com inscrição comemorativa e laje tumular.

Lindo e legítimo - À primeira vista, ninguém associará "lindo" e "legítimo". Mas é preciso saber que o latim "legitimu", a princípio termo jurídico (legal, conforme às leis), também passou a significar perfeito, excelente, e nos deu, além da forma erudita "legítimo", a evolutiva "lídimo", a qual, por uma permuta de sons usual, deve ter tido a forma "límido", que, com a queda, bastante comum, do /i/ seguinte à sílaba tônica, transformou-se em "lim&39;do", e finalmente "lindo". A evolução de sentido terá sido a seguinte: legítimo=puro= nobre de estipre=perfeito=formoso.

Vemos, então, que a história das palavras acompanha a evolução humana. Não se separa o ser humano da história nem a história da pessoa humana. As palavras ganham vida ou perdem vida segundo o momento da história, o interesse da sociedade que as utilizam. Pouca coisa na nossa vida de fé tem tanta importância quanto as nossas palavras. As palavras que falamos são realmente a tradução mais fiel daquilo que cremos - elas são como um retrato perfeito do nosso espírito. Por isso, é muito importante aprender o valor que elas possuem e exercem em nosso viver.





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