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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

Infância descartada

O conhecimento na área da saúde, mesmo com tantas doenças ainda a figurar como flagelos da humanidade, tem feito aumentar a expectativa de vida, o que leva governos – de países sérios, bem entendido – a se preocupar com o grande contingente de pessoas a depender dos sistemas de previdência social no futuro. Dentro de algum tempo, alcançar os cem anos de idade com boa qualidade de vida não será exceção a merecer atenção da mídia, desde que uma bala perdida ou um desastre na rua, ou na estrada, não interrompa a ordem natural das coisas. É tudo uma questão de prevenção contra os fatores de risco, em paralelo com avanços na área curativa, onde a técnica cirúrgica nos surpreende a cada dia com novas revelações. E a engenharia genética surge prometendo mais surpresas. Quem hoje entra na fase adulta pode contar com  probabilidade de viver bem mais que seus ancestrais. Mesmo considerando os benefícios anunciados fora do alcance para o grande contingente de miseráveis no mundo, o número dos que se beneficiarão deverá alterar substancialmente a diferença entre a população mais velha e a mais nova, passando a predominância para a primeira. A redução do número de nascimentos também contribui para isso.

 Com  tantas perspectivas de expansão  para a longevidade humana, seria de se esperar mais tempo para as crianças serem crianças e os adolescentes serem adolescentes. Cada uma dessas faixas etárias, vivida dentro do que determina a própria natureza, contribui para maior equilíbrio emocional na vida adulta. Entretanto, a  interferência na ordem natural, tendência da qual a humanidade não consegue se livrar, vem alimentando uma precocidade inútil e prejudicial para a criança, mas que satisfaz o ego dos pais. Como se não bastassem os brinquedos eletrônicos, que vieram bloquear a imaginação infantil, na criação do que melhor atendia seu sonho lúdico, a criança é levada a assumir, cada vez mais, compromissos na forma de cursos extras e outras atividades, que não deixam espaço para brinquedos e brincadeiras. Os jogos e brincadeiras coletivas, que preparavam a criança para a vida em grupo, ensinando-lhes o respeito às normas democráticas, desapareceram completamente. A vida da criança ao lado dos pais, ou em companhia de outras iguais, cuidando tão somente do mundo infantil quando não ocupada com tarefas escolares, desaparece gradativamente em nome da imitação de vida adulta. É lamentável ver, na televisão, crianças transformadas em miniaturas de adultos, vestidas como tais e cantando músicas cujas letras que lhes ficariam melhor dentro de, no mínimo, dez anos. Pior ainda quando apresentam danças com trejeitos nada condizentes com sua condição. Imaginem o tempo gasto em preparativos e ensaios para alcançar a performance apresentada; tempo que, para o aproveitamento puramente infantil, ficou perdido. No álbum de fotografias, ao invés do rosto inocente de menina, a mulher adulta antecipada pela maquiagem fora do tempo. Será isso que ela, a retratada, gostará de ver quando alcançar a idade projetada? 

Voltando à questão da longevidade, grata esperança para as novas gerações, fico a imaginar como será a velhice sem as lembranças de uma infância verdadeira, sem os registros de brincadeiras próprias de crianças. Vida mais longa será uma bênção para os idosos daqui a noventa, cem anos ou mais, mas será que estarão satisfeitos com as lembranças dos primeiros anos de suas vidas? A resposta a esta pergunta depende da atitude dos pais atuais, zelando pela infância em todos os seus aspectos, com destaque para o direito ao lazer próprio da idade, ou fazendo do filho uma caricatura na qual projetam frustrações passadas e mal resolvidas.





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