Lá encontramos a esplanada da Graça com bom café e sempre boa música além da bela vista da baixa de Lisboa. Passando por alí não se pode deixar de chegar lá, faz falta ao espírito.
O bairro da Graça situado no topo da colina onde assentam também os bairros da Mouraria e Alfama, dois dos mais emblemáticos e antigos de Lisboa, constitui talvez um dos bairros residenciais mais prazenteiros da cidade. De origem operária como atestam as muitas vilas e o edifício da Voz do Operário, encontramos na Graça dois dos mais vistosos mirantes/miradouros da cidade: o Miradouro da Senhora do Monte e o Miradouro da Graça. Este último situado frente à Igreja e Convento da Graça e com uma esplêndida esplanada sombreada por pinheiros mansos, com bom café e sempre boa música além da bela vista do Castelo de São Jorge e da baixa de Lisboa. Bom sítio para ler Sophia der Mello Breyner Andersen e Natália Correia, duas das mais brilhantes figuras da cultura portuguesa do século passado, ligadas indelevelmente à Graça. Sophia por aí residir, mais concretamente na Travessa das Mônicas, frente à prisão feminina do Convento das Mônicas e Natália Correia por a dois passos da Prisão e do Convento da Graça ter fundado o bar Botequim que nos anos 70 e 80 animou a noite lisboeta.
Estando ao alto da Mouraria, a Graça é servida pelos bondinhos/elétricos com acesso direto ao Chiado e metrô, dando oportunidade a todos de poderem apreciar o local. É bem servida de lojas, padarias, açougues/talhos e muito mais ainda pela Feira da Ladra nas terças-feiras e sábados, com grande variedade de produtos novos e usados, a pechincha é sempre válida e nunca se sabe se o produto usado é fruto ou não de algum furto, alí o que interessa é encontrar o que você precisa a um custo módico.
A vizinhança se assemelha com as pequenas cidades do interior de Minas Gerais, estão sempre em contato um com os outros compartilhando o dia a dia, mantendo o espírito tácito da boa vivência em comunidade já perdida há muito nos grandes centros urbanos, principalmente no limiar deste Século XXI.