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Yago Sales

[ Yago Sales ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estuda Jornalismo e pretende grudar objetividade e subjetividade, a resultar um texto gostoso e inesquecível.

 

Verdade da mentira

No istante-agora, narro uma felicidade tão indescritível. Felicidade palpável. Consigo, já, entender o quanto é grandioso estar com uma alegria desmedida. Meu peito está cheiroso; está difícil de respirar. Mas é algo bom e contagiante. Minha caneca está cheia de Coca-cola, enjoei, não quero mais. E vai evaporar.  

Pus a música Menina Veneno e danço estremecidamente numa felicidade que me entorpece de uma coisa que não sei o nome, apenas é o que me faz tremer. Nosso amor é coisa do infinito. Aí me flagro encharcado na dúvida do que seria o amor que sinto pelo infinito-agora.
Contaria uma história que me reduziria a nada; mas me faria ser grande e forte. Um gorila violento e amoroso. Conto o conto no exato momento em que estava eu quase morto:
Duzentos quilos me faziam refletir sobre o que é viver. Do quão é lindo sorrir para as pedras jogadas foras por serem elas mesmas. 

Eu, confrontado pela morte, entendi que Deus é o meu mundo. Deus existe e ele é extremoso, sem vingança. Deus é o amor dos oprimidos. Deus é o que eu quero que ele seja: e é; Ele é. Eu que quase o conheci. Quase conheci o infinito. O ilimitado que acumula inúmeras teorias de existências. Eu acredito na minha teoria. E Deus existe; Ele é o que eu acredito, existe: e existe. Existência igual a Ele existe, mas dentro de quem acredita.

A narrativa que preciso contar é pequena, mas é uma confissão. Vou segredar o que eu guardo dentro de mim há uns quinhentos mil anos. Queria contar anteontem, mas minha língua foi comida por um gato morto-de-fome que necessitava se alimentar, senão teria que comer os filhos. Então, dei-me a ele. Sou o nada, e me doei. Deus, Deus, Deus. Deus que é o Pai me devolveu a língua, mas só hoje a tenho para contar. Só que agora me pego a indagar, o porquê de não ter logo contado, se eu nem preciso de língua, pois não iria falar nada, apenas escreveria o que se passava dentro das entrelinhas do meu segredo escondido dentre tantas vidas, dentre tantos baús velhos e apodrecidos. Meu segredo que tinha vida. E tinha filhos, netos, bisnetos, amantes e inimigos. Meu segredo que bebe Coca-cola. 

E não contei, até então minhas vergonhas. Ah, conto:
Mas antes conto: a vergonha que me faz ter vergonha de espalhar minhas vergonhas. E conto: O conto da verdade incontida dentro do que eu sou e dentro do que é Deus.

Vivia na chamada solidão imposta por mim mesmo dentro do meu escuro e morto quarto. (Foi nesse quarto que meu avô deu seu último suspiro de alivio; E foi lá que um tio, também, desistiu da doença assassina, e morrera).

Conto o maior dos segredos: Sou a mentira dentro de mim. Nada há em mim, mas insisto em afirmar que dentro desse osso oco existe o amor pelo mundo. Existe o amor por tudo o que existe. Amor pela existência. Só não amo o som. Eu apenas o tolero. O som me estarrece com seus batuques mentirosos. E meu segredo, qualé?

Contarei meu conto de mentira, quiçá quando meus dias de felicidades se expirarem. E vão? Eu que sei?

Sento-me no sofá e bato papo com a testemunha da história:

– E é?
– É sim!
– A senhora escutou o cheiro dos corpos?
– Não, não. Eu comi pedaço por pedaço.
– Espere, não quero mais, não posso saber. Isso me dá inveja!
– Queria comer mortos?
– Não, não. Tenho inveja da sua verdade revelada.

Sou a mentira mais intima do mundo. Esse é o meu segredo. A velha contou que comera mortos e, sem dificuldades, revelou-me tudo. Ser a mentira íntima é contar a mentira verdadeira para os que realmente não sabem da mentira. E se Jesus morrera realmente na cruz? Aí eu morrerei de minha vergonha íntima. E assim conto: a mentira é a inverdade mais comum dentre os que têm em suas veias correndo a água vermelha grossa. E descubro: meu sangue foi-se e fiquei eu: a mentira puramente mentirosa.







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