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Linaldo Lima

[ Linaldo Lima ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Busco crescer na vida como cristão, cidadão e como profissional na área de TI

 

Qual é a verdadeira natureza da Igreja?

Dando continuidade a série de estudos sobre a Igreja, vamos refletir neste estudo sobre a sua natureza. Somente para não deixar dúvidas, falar da natureza da Igreja é simplesmente relacionar os principais elementos que compõem a formação, caráter e marca da Igreja de Cristo.


A Igreja é única no propósito de Deus (Ryrie, 2004), e o relacionamento deste com aquela continua sendo algo diferenciado em relação aos demais grupos, o que a torna uma instituição singular. Esse relacionamento distinto é, em muito, explicado pelos elementos que formam a natureza da Igreja.


A Igreja de Cristo, também tida como a Igreja Universal, é entendida no sentido de que consiste do corpo completo dos eleitos, os quais são chamados para a vida eterna no transcorrer dos tempos. Mas também foi considerada como a comunidade dos santos (ekklesia), composta dos que professam a fé em Jesus Cristo.



1. O Caráter Multiforme da Igreja.


a. IGREJA MILITANTE x IGREJA TRIUFANTE.

A Igreja considerada como militante na presente dispensação, convocada para uma guerra santa, o que não significa que ela deve empenhar suas forças em lutas sangrentas de autodestruição, mas, sim, que deve levar adiante uma incessante guerra contra o mundo em todas as suas formas em que este se revela, seja na Igreja ou fora dela. A Igreja não pode passar o tempo todo em oração e meditação, embora estas práticas sejam tão necessárias e importantes, mas estar engajada nas pelejas de seu Senhor, combatendo numa guerra que é tanto ofensiva (Mt 16: 18) quanto defensiva (Gl 5: 16-22; Ef 6: 10-18).


Somente no céu é que a Igreja será considerada triunfante. Como diz Berkhof (2009), lá a espada é permutada pelos louros da vitória, os brados de guerra se transformam em cânticos triunfais, e a cruz é substituída pela coroa. A luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre.


b. IGREJA INVISÍVEL x IGREJA VISÍVEL 

Aqui não estamos tratando de duas Igrejas, mas de dois aspectos da única Igreja de Cristo. A igreja denominada invisível é dita assim porque é essencialmente espiritual e, nesta essência, o olho humano não pode discerni-la. Na Igreja invisível, é impossível determinar quem não lhe pertence. Outro detalhe interessante que precisamos destacar sobre a Igreja invisível é que a união dos crentes com Cristo é uma união mística, e o Espírito que os une constitui um laço invisível. As bênçãos da salvação, a regeneração, a conversão genuína, a fé verdadeira e a comunhão espiritual com Cristo são todas invisíveis aos olhos naturais.


A Igreja visível nada mais é do que a exteriorização natural da invisível. A Igreja é visível na profissão de fé e conduta cristã, no ministério da Palavra e dos sacramentos, e na organização externa e seu governo (Berkhof, 2009).


Devemos considerar, também, a possibilidade de alguns que pertencem à Igreja invisível nunca se tornarem membros da organização visível. Um grande exemplo disso são as pessoas que são salvas por ações missionárias e/ou convertidas no leito de morte.



2. Os Atributos da Igreja


a. A UNIDADE DA IGREJA (1 Coríntios 12: 12-31).

Em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, Paulo comparou o corpo de Cristo ao corpo humano. Cada parte tem uma função específica, necessária para o organismo como um todo (v. 12).


Os órgãos têm diferentes funções, mas em suas diferenças devem trabalhar juntos. Sendo assim, os cristãos precisam evitar dois erros comuns, os quais são (1) orgulharem-se de suas habilidades e (2) pensar que não têm nada a oferecer à Igreja. Usando a analogia do corpo, o apóstolo Paulo enfatizou a importância de cada membro da Igreja (vs. 14-24).


A Igreja é composta de vários tipos de pessoas, de variadas formações e níveis culturais, com uma pluralidade de dons e habilidades. Essas diferenças podem facilmente dividir as pessoas, como foi o caso em Corinto. Mas, apesar das diferenças, todos os crentes têm algo em comum – a fé em Cristo. É nessa verdade que a Igreja encontra unidade. Como membros da família de Deus podemos ter dons e interesses diferentes, mas estamos todos unidos pelo Espírito em um corpo espiritual, porque o Espírito Santo passa a habitar em nós quando nos tornamos cristãos (v. 13).


Para resumir de forma explicativa, a unidade da Igreja é a unidade do corpo místico de Jesus Cristo, do qual todos os crentes são membros. Este corpo é dirigido por uma Cabeça, Jesus Cristo, e é vivificado por um só Espírito, que é o Espírito de Cristo. Esta unidade implica que todos os que pertencem à Igreja participam da mesma fé, são interligados solidamente pelo laço comum do amor, e têm a mesma perspectiva de futuro glorioso.


b. A SANTIDADE DA IGREJA (Lv 19: 1-2; 1 Pe 1: 14-16; Hb 10: 14).

A Igreja é absolutamente santa num sentido objetivo, isto é, como ela é considerada em Jesus Cristo. Em virtude da justificação de Cristo, a Igreja é tida por santa perante Deus. Esta santidade é, acima de tudo, uma santidade do homem interior, mas que também encontra expressão em sua vida externa.


Mas, o que significa ser santo? E o que é Santidade? Quando as pessoas confiam suas vidas a Cristo, às vezes elas ainda sentem uma queda por seus antigos hábitos. Entretanto, o apóstolo Pedro diz em sua carta que devemos ser como nosso Pai celestial – santos em tudo o que fizermos. É Deus quem estabelece o padrão da moralidade. Diferentemente dos deuses romanos, Ele não é belicoso, adúltero ou malicioso. Ele também não é como os deuses das seitas pagãs populares do primeiro século, os quais eram sanguinários ou promíscuos. Deus é repleto de misericórdia e justiça, que se importa pessoalmente com cada um de seus seguidores.


Santidade significa ser totalmente dedicado a Deus, separado para seu uso especial e afastado do pecado e de sua influência (1 Pe 1: 14-16). Uma coisa é fato: ninguém pode se tornar santo por seus próprios esforços. É o Senhor quem santifica os cristãos, concedendo o Espírito Santo para ajuda-los a obedecer a Deus e revestindo-os de poder para vencer o pecado.


Precisamos destacar outro fato importante em relação à santidade: ser santo não significa ser perfeito. Nós, os cristãos, fomos aperfeiçoados, contudo estamos sendo santificados. Através de sua morte e ressurreição, Cristo tornou os crentes perfeitos aos olhos de Deus, de uma vez por todas; ao mesmo temp o, Ele os está santificando progressivamente em sua peregrinação diária neste mundo. Com isso, não devemos ficar surpresos, envergonhados ou chocados pelo fato de ainda precisarmos crescer, pois Deus ainda não terminou sua obra em nossa vida (Hb 10: 14).


Para finalizar esse tópico, A Igreja é santa no sentido de que é separada do mundo na sua consagração a Deus, e também no sentido ético de focar e realizar um santo relacionamento com Cristo.


c. A CATOLICIDADE DA IGREJA

Antes de discorrer sobre esse ponto do nosso estudo, nos sentimos no dever de esclarecer o termo “catolicidade” para não tenhamos definições deturpadas da verdade. Pois bem, utilizamos duas fontes eletrônicas (internet) para explicar o termo acima, sendo uma de origem católica e outra, protestante.


Segundo o portal permanência.org.br, o termo Católico vem do latim katá hólos, significando algo como “em ordem à totalidade”, daí significando geral, universal. O termo às vezes é confundido com ecumênico, que também significa “universal”, mas num sentido mais restrito (territorial). Já o Pastor Marcelo em seu website institucional (www.pastormarcelo.com.br) aproveitou para dar uma resposta mais sucinta sobre o termo, cuja transcrição segue logo abaixo, a saber: 

Que a Igreja é católica significa afirmar sua importância e alcance para os confins da terra. Já não se trata de uma religião meso-oriental com desdobramentos exclusivamente regionais, mas de uma fé que convoca e comissiona homens e mulheres de todos os povos, raças, línguas e nações para o serviço no Reino de Deus (http://www.pastormarcelo.com.br/pastoral/82-a-catolicidade-da-igreja).


Uma vez esclarecido o termo, seguimos para a afirmação de que nós, os cristãos protestantes, afirmamos que a Igreja Invisível é a real igreja católica, porque inclui todos os crentes da terra, de toda e qualquer época particular, sem nenhuma exceção; porque, consequentemente, ela (a Igreja) tem os seus membros entre todas as nações evangelizadas do mundo, bem como exerce influência controladora sobre a vida inteira do homem, em todas as suas fases.



3. As Marcas da Igreja

Pode-se dizer que a marca por excelência da Igreja é a fiel pregação da Palavra e seu reconhecimento como padrão de doutrina e vida (regra de fé e prática). Sem ela não há Igreja, e ela determina a reta administração dos sacramentos e o fiel exercício da disciplina da Igreja, que são marcas consequentes da primeira.


a. A fiel pregação da Palavra. É o grande meio para a manutenção da Igreja e para habilitá-la a ser a mãe dos fiéis (Ver Refs. João 8: 31, 32, 47; 14: 23; 1 João 4: 1-3).


b. A correta ministração dos sacramentos. Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, sacramento significa um sinal ou um gesto divino instituído por Jesus Cristo. Na perspectiva protestante, só há dois sacramentos, os quais são o Batismo e a Eucaristia (Santa Ceia), diferentemente da Igreja Católica que possui seis ao todo (batismo, confirmação do batismo (crisma), confissão (penitência), eucaristia, ordem (sacerdotal), matrimônio e unção dos enfermos).


Jamais se deve separar os sacramentos da Palavra, pois eles não têm conteúdo próprio, mas extraem esse conteúdo da Palavra de Deus; de fato, são uma pregação visível da Palavra. Os sacramentos devem ser ministrados por legítimos ministros da Palavra, de acordo com a instituição divina e somente a participantes devidamente qualificados – os crentes e sua semente (Mt 28: 19; Mc 16: 15, 16; At 2: 42; 1Co 11: 23-30).


c. O fiel exercício de disciplina. É deveras essencial para a manutenção da pureza da doutrina e para salvaguardar a santidade dos sacramentos. A Igreja que quiser permanecer fiel ao seu ideal, deverá ser diligente e conscienciosa no exercício da disciplina cristã (Mt 18: 18; 1Co 5: 1-5, 13; 14: 33, 40; Ap 2: 14, 15, 20).


Devemos sempre desconfiar dos movimentos que comumente se levantam utilizando o nome de “igreja”, pois diante de tudo o que vimos neste estudo, há muita profundidade no significado desta palavra. Não podemos mais permitir que esses movimentos paraquedistas que surgem nada, que possuem interesses “obscuros” e ousadia excessiva façam a opinião pública colocar o joio e o trigo no mesmo cesto na hora de criticar. Tá na hora de fazermos valar o nosso nome de Protestante e fazermos o “mundo ver a diferença de quem serve a Deus, e quem não serve; do justo e do ímpio” (Malaquias 3: 18). 





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