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Elisabeth Camilo

[ Elisabeth Camilo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Tradutora, jornalista e mestra em Letras - Linguagem e Memória Cultural.

 

A Sociedade do Espetáculo 1 - O Álbum de Casamento

            Guy Debord  escreveu  um livro  fantástico   que devia ser lido por todas as pessoas  que  assistem  estupefatas tudo se transformar em carnaval  no  mundo.  Trata-se  de “ A Sociedade do Espetáculo”  e , à medida em que o lemos, percebemos que somos muitas vezes  o motivo do espetáculo  ou o disseminador e  a manutenção  dele.

            A partir desta crônica, apresentarei situações de espetacularização em nossa sociedade  e o primeiro tema escolhido  será  a mudança ideológica sofrida pelos rituais de casamento  em nosso país.

            Há algumas décadas, o casamento começava quando o namoro se firmava  e já se vislumbrava o noivado, feito oficialmente na casa dos pais da noiva, diante de todos os parentes mais próximos e dos amigos.  A entrega do anel  era o símbolo de que uma nova fase no  processo se iniciava.  A  noiva começava a montar a guarnição de enxovais para cama, mesa e banho e o noivo  a comprar a mobília da casa e até mesmo a construir a casa.  O apogeu  do ritual  ocorria no dia da cerimônia civil-religiosa , quando o casal recebia os amigos para uma festa  geralmente na casa da noiva  e depois saíam para começar um novo lar. 

            Hoje, o que vemos é um processo diferente do primeiro, quando  a importância do evento do casamento  se perde diante da pompa da festa.  Assim que se tornam noivos, os nubentes  começam a maratona pela espetacularização.  Meses antes do casamento, meticulosamente preparado por buffets e organizadores de eventos,  a noiva cumpre o ritual do booking, fantasia que  ela manteve desde criança – ser cinderela um dia.  Desfila-se em carros abertos nas cidades, viaja-se para outras localidades para que o álbum, caríssimo,  seja o melhor e mais completo possível.  Depois  vem a maratona dos vestidos  da noiva e das convidadas.  Na festa, a moda prevalece  e há uma competição  perceptível  quanto a quem melhor se vestiu para o evento.  A recepção  é  um espetáculo à parte, com lembrancinhas caras,  doces personalizados  e  música diversificada.  Os convidados, em suas mesas, assistem o grande show.  A igreja, toda enfeitada, perde a simbologia do simples e  do agradável.  Tudo é luxo e glamour.

            Ah, os presentes...  Antes, as pessoas iam à loja, na véspera do casamento, e dentro do seu orçamento, compravam um brinde para o casal, que já tinha tudo em casa, até as flores para se enfeitar a mesa do jantar.  O casal se casava sem dívidas  financeiras e de gratidão.  E viviam felizes por muitos anos, talvez para sempre, lutando lado a lado para que a união se mantivesse sólida.  Hoje,  a gente faz o download da lista deixada pelos noivos nas lojas e magazines, verificamos quem ofertou o que, compramos o melhor que pudermos ( afinal não podemos parecer pobres ou sem bom gosto)  e mandamos entregar, com direito a feedback do recebimento.

            Na verdade, o espírito cultural do casamento do passado se perdeu por completo. Esquecemos que o evento é apenas um ritual de passagem, como a primeira menstruação, o primeiro beijo, o primeiro emprego, o crisma, a primeira comunhão.  A festa é para registrar a passagem.  Assim, o casal contemporâneo cai na real depois que volta da lua-de-mel.  A fatura do cartão de crédito, os cheques devolvidos,  as primeiras experiências em uma casa desconhecida por ambos porque montada por terceiros... É o pesadelo!

            Normalmente, o casal já entra nesta nova fase em total desconstrução do conteúdo do casamento.  A música de aniversário já anuncia: com quem será que o fulano vai casar... vai depender se outro fulano vai querer... ele se casou, teve dois filhinhos e depois se separou...   As crianças cantam isso, os jovens crescem pensando nisto  e os jovens casais adentram a vida matrimonial  já pensando que se não der certo   o casamento pode ser desfeito.

O álbum de casamento caríssimo se perde na prateleira... A dívida se perpetua.  A dúvida se coloca no debate: porque hoje se casa menos?  Algumas vezes, o álbum  se torna sólido e o casamento não ocorre...

Talvez Debord não tenha pensado no casamento como um processo em espetacularização, mesmo porque escreveu sua obra na década de 1960.  Seu conteúdo, entretanto, cabe perfeitamente dentro desta nova modalidade de  relacionamento sexual e afetivo...  Basta  a gente se lembrar dos  casamentos maravilhosos, sublimes e espetaculares  das estrelas de Hollywood e outras celebridades, em castelos medievais  e donos das capas das melhores revistas dos famosos.  O divórcio também vira capa  e os novos casamentos também...  Não é à toa que quando a celebridade cai no esquecimento midiático,  dá-se um jeito de se casar ou de se divorciar de novo, para virar  novo capítulo na grande arena da mídia.

Em  nenhuma hipótese  sou contra as grandes festas de casamento.  Só argumento que por trás de uma grande festa  houvesse uma grande responsabilidade.





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