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Marcelo Caetano

[ Marcelo Caetano ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Escritor, pianista clássico, jornalista. 12 livros publicados. Professor, filólogo e tradutor.

 

Um tal de Feliciano e a Boate Kiss: frutos proibidos, símbolos, metáforas e metonímias sociais

Muito tempo hesitei em escrever sobre o caso de Marco Feliciano, mas, depois de instado por inúmeras pessoas, e sobretudo depois de ver uma saraivada de opiniões pretensamente intelectuais, esquivas, escorregadias e furtivas sobre o acontecimento sombrio, resolvi manifestar-me, como cidadão brasileiro.


Antes de qualquer coisa, não pretendo, de modo algum, que estas breves palavras abranjam a complexidade do tema, que envolve ideologias, contraditórios, dialéticas e dialogismos múltiplos. Por outro lado, não gostaria que minhas palavras ecoassem como as de algumas pessoas que, sabedoras da complexidade do assunto, e tendo decidido opinar, em vez disso o que fizeram foi ficar completamente em cima do muro, numa falaciosa atitude de pretensa capacidade de arguir e observar, com “isenção”, os dois lados da moeda, “sem tomar partido”.


Como assim “sem tomar partido”?! Num caso como este? Pode-se, até, ver-se que há duas ideologias em confronto, e tentar-se observar e analisar o que cada uma expressa. Mas daí a não escolher um lado, neste caso, não concluir nada? Desculpem-me, ou é hipocrisia ou é imaturidade ou é medo ou é falta de personalidade.

 

Ou, o que me parece mais fidedigno, as quatro alternativas acima. Afora muitas outras. Daí eu não ter separado as conjunções “ou” com vírgulas...

 

Então, não quero “esgotar” o assunto, nem reduzi-lo a lados que se expressam opositivamente. Mas escolher um lado é sumariamente inevitável em situações como esta.

 

O que pretendo modestamente demonstrar, aqui, resume-se a dois pontos: o primeiro diz respeito à questão de que não se está discutindo, apenas, o caso de uma pessoa específica em um cargo específico (embora também se esteja), mas antes a questão de que tipo de Estado se pretende ter (ou de fato se tem) no Brasil. Feliciano é uma metonímia (a parte pelo todo) de um conjunto de ojerizas que vinham se condensando no Brasil, assim como também o foi a tragédia na boate de Santa Maria. O segundo ponto, um pouco mais sutil, rebate as críticas negativas que enfatizam que há outros problemas no Brasil que teriam sido “esquecidos” pelo escândalo Feliciano, como outros escândalos tais quais a corrupção, o mensalão, a saúde, a educação etc. Feliciano é um símbolo, uma metáfora, que, como tal, arca com a dianteira sobre outros problemas supostamente maiores a serem resolvidos. Assim como, paralelamente, foi-o, também, o caso da casa de show incendiada no Sul.


Em relação ao primeiro ponto, o caso Feliciano é de causar, sim, extrema ojeriza às pessoas que gostariam de ver o Brasil evoluindo rumo às garantias democráticas. Erra quem crê que democracia é o governo EXCLUSIVAMENTE das maiorias. O próprio Tocqueville previa que Estados (pseudo)democráticos que não levassem em conta suas minorias seriam, na verdade, “DITADURAS da maioria”, e não democracias. Não se tem de fazer plebiscito para se garantirem os direitos equitativos (nem maiores, nem menores) de uma minoria: cabe ao Estado (se isso não couber ao Estado, não vejo razão verdadeira para que exista um Estado) garantir os direitos de TODA a sua população, maiorias e minorias.


Isso porque maiorias só votarão no que interessa às maiorias. Se dependesse da escolha das maiorias, talvez até hoje o Brasil fosse escravocrata. Lembremo-nos de que fomos o último, ou, na “melhor” das hipóteses, o penúltimo país do globo terrestre inteiro a abolir a escravidão de negros. E, ainda assim, por causa de forte pressão da Inglaterra. A expressão “para inglês ver” surgiu exatamente de um “jeitinho brasileiro”, da época, para que os ingleses acreditassem que havíamos abolido os escravos quando, na verdade, não o fizéramos.


Imaginemos se fosse feito um plebiscito, naquele tempo, deixando a maioria escolher seu modo de produção! A escravatura se perpetuaria sabe Deus até quando... Deixar maiorias escolherem os direitos de minorias é como conclamar exclusivamente banqueiros para decidirem se se deve adotar o regime comunista.


Atribui-se a Rui Barbosa, ao menos em terras brasileiras, a lapidar frase que instaura o princípio da proporcionalidade: “É preciso tratar os iguais de maneira igual, e os desiguais de maneira desigual, na medida em que se desigualam”. Em função desse princípio, que Karl Popper (excelente é seu livro “A sociedade aberta e seus inimigos”), o mentor da ciência moderna e sua metodologia justa, bem como Edgard Morin, Boaventura de Sousa Santos, Muniz Sodré, Michel Foucault e tantos outros encareceram na contemporaneidade é que existem leis específicas para crimes que são cometidos especificamente em função de alguma “condição humana” (como diria Hanna Arendt) específica. Assim é que há a “Lei Maria da Penha”, o “Estatuto da Criança e do Adolescente”, o “Estatuto do Idoso”, a lei específica contra o racismo, leis amparando pessoas com necessidades especiais e até o “Código de Defesa do Consumidor”, que prevê a fragilidade de quem compra em face de quem fornece, dando-lhe garantias que perfazem a proporcionalidade aludida.


Portanto, já que o Brasil é o campeão mundial em crimes contra homossexuais, estaria mais do que na hora a origem de uma lei específica contra esse grupo de cidadãos, que, até por pagarem impostos iguais, não poderiam ser considerados “cidadãos de segunda ordem”, e, além de terem direito à equiparação civil em todos os âmbitos, devem, ao menos enquanto forem vítimas de crimes cometidos pelo simples fato de serem homossexuais, possuir uma lei específica que lhes garanta a vida e a integridade moral e física. Isso não significa “ter MAIS direitos”, mas apenas significa que o Estado está protegendo um grupo que é vulnerável socialmente, até o momento em que este grupo – mulheres, negros, crianças, idosos, pessoas com necessidades especiais , homossexuais – deixar de sê-lo. A isso se chama proporcionalidade: “Tratar os iguais de maneira igual, e os desiguais de maneira desigual...”

 

“...Na medida em que se desigualam”.

 

Porém há algo ainda mais grave no sórdido caso do “pastor”: Feliciano, como se sabe, não detesta (pelo menos aparenta detestar em seus inúmeros vídeos e publicações à disposição de quem quiser ver e ouvir), enfim, o “pastor” não se resume a, aparentemente..., detestar apenas os homossexuais. Já foram vítimas de seu ódio (literalmente ódio, o que pode ser comprovado nos vídeos aos berros que há do supracitado ao referir-se aos grupos dos quais discorda) negros, mulheres, pessoas específicas (Caetano, Raul Gil, John Lennon, Mamonas Assassinas...), comissões (a CDHM antes da “presidência” dele, Feliciano seria comandada por Satanás), religiões inteiras, nações, etnias, gêneros etc. Enfim, ele abomina, e se diz arauto de um deus que ele promulga que deva ser universal, todos quantos não pensem exatamente como ele. Ditadores têm comportamento igual. Dê-lhes poder, e eles tratarão imediatamente de massacrar quem não fizer parte do seu grupo de “eleitos”: campos de concentração de Hitler (extrema direita) e Stalin (extrema esquerda) o comprovam.


Os mal-intencionados que defendem Feliciano só se “lembram” da faceta em que ele demonstra repúdio aos homossexuais. Esquecem as etnias, as pessoas, as religiões, os hábitos de diversidade – o continente! – atacados com truculência, no fundo (cá entre nós), beirando o ridículo, o grotesco, o burlesco, a pândega, o histriônico, a caricatura, o risível, o patético. Seria um caso de burrice ou de amnésia dirigida “esquecer” que Feliciano não odeia apenas gays, mas também tantos outros grupos discordantes da sua “verdade absoluta”?


Ainda sobre esse primeiro ponto, volto a afirmar que o caso do pastor sentado na cadeira do parlamento (o que vem sendo sistematicamente criticado na imprensa internacional sobre o Brasil) não se restringe à crítica exclusivamente de uma pessoa específica (Feliciano) em um cargo específico (presidência da Comissão dos Direitos Humanos).

 

O que se acendeu e ascendeu, com esse ocorrido, foi uma discussão muito maior, que põe face a face dois lados da sociedade brasileira que, de certa forma, ainda não tinham tido a oportunidade de arrostar-se tão contundentemente, e que, por força desse confronto abrupto e inadiável, lamentavelmente tiveram de surgir como dois estereótipos: de um lado os fundamentalistas cristãos de diversas denominações, que se uniram momentaneamente com um propósito comum: ordenar como deve ser vivida a vida alheia, baseada nas crenças que não são as alheias. De outro, os ativistas da democracia laica, que se uniram com um propósito comum: continuar a viver suas vidas de acordo com suas próprias crenças e garantias, e não de acordo com o livro de um único tipo de religião – a bíblia.

 

Os fundamentalistas cristãos perderam o pudor e arrancaram as máscaras de si mesmos, xingando deliberadamente a quaisquer cidadãos (tão cidadãos quanto eles próprios) que discordem da bíblia. Os ativistas ou teoréticos não-biblicistas perderam o pudor e xingaram deliberadamente, com uma raiva que se vinha acumulando há tempos, os cristãos. Nesse tipo de disputa, a princípio, perdem ambos os lados, uma vez que, como eu disse, arrostaram-se não como de fato são, mas como caricaturas propositadas de si mesmos.

 

No fundo, entretanto, retirados os excessos que essas inevitáveis caricaturas propiciaram, trata-se de uma “guerra contra o terror”. Sim, concluo por um lado que levanta uma bandeira justa e por outro que está, com ou sem intenção, bradando um lábaro apodrecido, e fico de um dos lados, não em cima do muro, apesar de ver que ambos os lados estão, pelo acirramento, deveras exagerados, caricaturados.  Sim, porque, na metonímia da pessoa de Feliciano, cujas atrocidades verbais vão se multiplicando como coelhos reproduzindo-se, AQUILO que está sentado na cadeira do parlamento nacional, na presidência da CDHM, é o estereótipo-protótipo, lamentável, repito, de um verdadeiro terrorista. Não se luta contra uma pessoa, mas contra uma entidade que vocifera terríveis enunciados, ininterruptamente, que, dia a dia, vão chocando a quem quer que seja que se dê ao trabalho de pensar minimamente, independentemente de religiões ou credos ou orientações sexuais.


De que me lembre, foram proferidas frases, por parte do referido pastor, todas devidamente documentadas em vídeos ou escritos, como (aqui parafraseadas) “As três balas que assassinaram John Lennon foram em nome do pai, do filho e do espírito santo”, “os negros e a África descendem da geração amaldiçoada de Noé, por isso o país (sic) passa por tantas calamidades e desgraças”, “os homossexuais são aberrações pois o reto não foi feito para ser penetrado e suas práticas geram ódio e crimes”, “as mulheres não devem pleitear os mesmo direitos dos homens no trabalho porque isso gera famílias homossexuais”, “foi Deus que matou os Mamonas Assassinas”, “os cultos afro-brasileiros são rituais macabros”, “Fulanos e Beltranos (e até a antiga CDHM) SÃO de Satanás”, “os católicos adoram o demônio”, “os outros pastores evangélicos não lhe dão apoio explícito porque temem perder contratos de eventos religiosos e, com isso, dinheiro, tal qual teria acontecido com ele próprio a partir de suas declarações” (denunciando intenções que apenas supúnhamos existir em certos “pastores”: money, money, money) etc., etc., etc., etc., etc.


Depois, num passe de mágica, essa “entidade” (digo “entidade” não como forma meramente pejorativa, embora também o seja, mas como o fato de que percebo que esse senhor fala por si e por um séquito que lhe dá “razão”), enfim, num passe de mágica, essa entidade volta a escolher um trecho bíblico qualquer que lhe convenha – um versículo de uma epístola de um capítulo de um livro ilhado por um amontoado de despropósitos antidemocráticos – e, singelamente, “pede perdão”. Ele “pediu perdão” pelo seu twitter (que eu saiba não teve a hombridade de olhar nos olhos nem de uma câmera de vídeo), no dia 19 de abril. Teria ficado tocado com a pureza, verdadeira, dos índios (que são celebrados nacionalmente no dia 19 de abril), cuja cultura há de considerar coisa do demo...?


Tudo bem, o senhor está perdoado. Mas o perdão que generosamente lhe concedemos não apaga a óbvia ideologia que o senhor já demonstrou envergar, e que é incompatível à democracia, que é LAICA, e não cristã, ou budista, ou umbandista, ou judaica, e incompatível, especialmente, ao cargo que deveria, justamente, pelo princípio da proporcionalidade de uma democracia, acima citado, tomar o lado das minorias, protegendo-as, salvaguardando-as (minorias estas que já seriam, por tendência, sufocadas pela maioria democrática), ao invés de acabar de estrangulá-las de uma vez.


É assustador demais ver que o Brasil está convivendo com um factoide que “pede perdão” somente no momento exato em que percebe que vai perder suas alianças: somente quando foi revelado o vídeo em que ele diz que os católicos são adoradores (ou algo do tipo) de Satanás, ele vem a público pedir perdão? Por quê? É tudo tão calculado, tão doloso. Seria porque ele enxerga nos católicos uns aliados ad hoc para defendê-lo neste momento e, depois, poderem voltar a ser chamados de adoradores do demônio por ele, Feliciano? Por que ele chama Daniela Mercury, uma artista consagradíssima, de oportunista, e “esquece” que quem está se aproveitando de uma oportunidade que surgiu em meio a uma convergência de acasos (isso sim é oportunismo, pela própria significação dicionarizada do vocábulo) é ele, que jamais, não fosse a repulsa de que vem sendo alvo, jamais daria entrevistas a programas de TV (de segunda ordem, é bem verdade) ou de jornais?


Sobre a tão brandida “liberdade de expressão”, o próprio Feliciano sabe muito bem que liberdade de expressão não é passaporte para se chamar uma pessoa do que bem se entender. Experimente “xingar” alguém de negro! Liberdade de expressão não é passaporte para se chamar uma pessoa do que bem se entender. Ao menos não sem pagar as consequências de seu ato libertino. Ele próprio provou que sabe disso ao mandar prenderem um manifestante que o chamou de “racista”. Disse ele: “Prendam aquele manifestante. Ele me chamou de racista. Isso é crime”. Ora, se ele é, de fato, tão adepto da liberdade de expressão, achando que ela dá o direito de cada um expressar-se sem ter de responder à sua expressão profunda, muitas vezes até “bíblica”, como sabia que aquele manifestante poderia ser (como de fato foi) preso por expressar-se livremente?


O segundo ponto é bem mais fácil de ser percebido. Quando muito indagam sobre o motivo pelo qual tanto se enfatiza o asco a Feliciano e deixam-se de lado casos “antigos”, como mensalão etc., existe algo, em sociedades, que é o poder simbólico. Certos acontecimentos, mesmo que aparentemente devessem ser menos enfatizados, por razões, algumas vezes inexplicáveis – mas quase sempre muitíssimo explicáveis – gozam da prerrogativa de virem mais fortemente ao centro do debate. Chocam mais profundamente. Talvez porque acontecimentos mais “antigos” teriam anestesiado a população? Talvez.


O caso da boate Kiss, em Santa Maria, por exemplo, foi um desses acontecimentos simbólicos. Ora, sabemos que não apenas centenas, mas milhares de jovens morrem nas periferias brasileiras. Estima-se que mais jovens morram por dia em São Paulo do que os que faleceram na tragédia da cidade do RS. Estudos em Paraisópolis talvez revelem uma tragédia da boate Kiss quase diariamente ocorrendo.

 

Mas por que o caso de pouco mais de duas centenas de jovens comoveu e demoveu o Brasil? Porque aquela tragédia traz em si uma força simbólica incontestável. Ela metonimizou todo um conjunto de barbaridades compiladas miseravelmente num único lugar, num único momento: corrupção (fiscais que faziam vista grossa à superlotação); negligência com as vidas alheias (ausência de condições de evacuação e controle de incêndios no local); ganância (seguranças que impediam a saída de quem não tinha a cartela paga); irresponsabilidade (músicos que soltam fogos de artifício num ambiente fechado); darwinismo social (os jovens que morreram eram da classe média alta, universitários da cidade-princesa da educação superior no Brasil). Etc.


Assim, por mais que certos acontecimentos, se comparados à realidade brasileira, devessem, teoricamente, ficar em planos secundários, eles, por sintetizarem, de modo muito explícito (eu diria mesmo: didático), um conjunto insuportável de características negativas e pejorativas, horrorizam e tomam a dianteira, por serem, como eu disse, acontecimentos com força simbólica, e não apenas “mais um” dentre tantos outros problemas (às vezes quantitativamente até mais graves) na sociedade brasileira.


Pois Feliciano traz em si esses dois pontos: ele é a representação, quase a presentificação, do pensamento fundamentalista teocêntrico e arrogante (“minha religião é a única válida”), pensamento gerador, se alimentado, de futuros terrorismos de toda ordem – haja vista o que o mundo tem observado desde sempre. Em segundo lugar, apesar de haver muitos outros problemas na nossa sociedade, os quais, em tese, deveriam ser o centro da atenção, como vêm alardeando jornalistas e opinadores inadvertidos, o que essas pessoas não veem é que certos fatos e certas pessoas tornam tão perplexa a sociedade, que passam a dianteira de problemas aparentemente maiores. Além disso, não se pode, como jornalista ou opinador, “escolher” o que choca mais ou menos a sociedade como um todo. O que choca choca porque choca. E ponto.


A morte de um Chico Xavier – eleito o maior brasileiro de todos os tempos em  enorme pesquisa de opinião promovida por TV no Brasil – comoveu a muitos milhões de brasileiros, porque a força simbólica daquele homem era (é) enorme. Para o lado do exemplo de vida modesta, discreta, com forte senso comunitário, humildade e caridade.


Existem fatos e pessoas, ao contrário do que emana de pessoas como Chico Xavier, que congregam muitas atrocidades explícitas num único lugar, num único instante. São fatos e pessoas que, didaticamente, mostram, como numa aula bem dada, laboratorial, o quanto devemos ficar pasmados em face do horror, seja ele causado preponderantemente (mas não exclusivamente) pela negligência – como no caso da boite Kiss –, seja ele causado por uma entidade que deveria ser o contrapeso necessário à defesa das minorias, característica básica da democracia, e que, exatamente ao contrário, detesta as minorias e as trata com algo muito pior do que desprezo: trata-as com uma suposta ideologia religiosa de “superioridade racial” (já vimos isso na História?), num ambiente (o parlamento de uma democracia laica) em que a religião deveria ficar fora, pois que devendo restringir-se aos templos religiosos, e em que a liberdade de expressão tem como limite, sim, o instante em que passa a configurar crimes como incitação ao ódio, apologia ao crime e ao preconceito, injúria, calúnia e difamação.


Assim como Feliciano, no papel de autoridade, mandou prenderem quem o insultou, uma autoridade maior do que ele não deveria mandar prenderem-no? Ah, sim, mas ele nunca “xingou” frontalmente nenhuma autoridade maior do que ele... Ele só xinga quem é “menor”. Só “minoria”. E ainda assim é réu de vários processos criminais por crime de preconceito movidos pelo Ministério Público Federal no STF... Falou o que quis, ouviu o que não quis.






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