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Wallace Moura

[ Wallace Moura ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Empreendedor. Fundador do Portal Parnanet e Idealizador do Gosto de Ler.

 

XII Jogos Indígenas

Terminou ontem a XII edição dos Jogos Indígenas no Brasil, e vergonhosamente poucos até sabem de sua existência. A mídia Brasileira não distribui espaço de acordo com o interesse cultural do país, mas de acordo com o interesse econômico. E o Brasileiro em si não está acostumado com bom conteúdo, dando prioridade a futilidades como reality shows.

Mas o fato é que os jogos existem, e são um atrativo não apenas para o Brasileiro. Para o próximo ano está programada uma caravana dos Estados Unidos, especialmente para estes jogos, trazida  pela Brasil-EUA. Saiba mais sobre os Jogos Indígenas:

Sempre que pensamos em um tipo de competição desportiva, pensamos em Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e até em algum que o nosso país participa muito pouco, como as Olimpíadas de Inverno. Porém, nunca imaginamos os Jogos dos Povos Indígenas.

Organizado pelo Comitê Intertribal Indígena, com apoio do Ministério dos Esportes, os Jogos dos Povos Indígenas têm o seguinte mote: “O importante não é competir, e sim, celebrar”. A proposta é recente, já que a primeira edição dos jogos ocorreu em 1996, e tem como objetivo a integração das diferentes tribos, assim como o resgate e a celebração dessas culturas tradicionais. A edição dos Jogos de 2003, por exemplo, teve a participação de sessenta etnias, dentre elas os Kaiowá, Guarani, Bororo, Pataxó e Yanomami. A última edição ocorreu em 2009 e foi a décima vez em que o torneio foi realizado. A periodicidade dos Jogos é anual, com exceção do intervalo ocorrido em 1997, 1998, 2006 e 2008 quando não houve edições.

É interessante notar que as sedes dos Jogos são sempre em locais afastados das grandes cidades, contrariando a lógica dos torneios desportivos, mas extremamente coerente com a proposta indígena: em 1996 foi em Goiânia (GO); em 1999 em Guaía (PR); em 2000 em Marabá (PA); em 2001 no Pantanal (MS); em 2002 em Marapanim (PA); em 2003 em Palmas (TO); em 2004 em Porto Seguro (BA); em 2005 em Fortaleza (CE); em 2007 em Olinda (PE); em 2009 em Paragominas (PA).

As modalidades disputadas variam um pouco entre os torneios, mas basicamente são as que seguem:

Arco e Flecha: Arma muito utilizada para caça, rituais e para a guerra. Na maioria das tribos o arco é feito de caule de Palmeira (tucum), mas existem algumas exceções: podem ser usados o aratazeiro, o pau-ferro, o ipê-amarelo e a aruerinha. O tamanho do arco varia de acordo com o uso que se fará do arco e com o costume da tribo. A flecha é feita de bambu, com variações nas pontas. Na primeira edição dos jogos, a organização forneceu o equipamento para todos os participantes, fato que impediu bons rendimentos nessa prova. Porém, nas outras edições dos Jogos, permitiu-se que os índios utilizassem o seu próprio equipamento. Cada delegação pode inscrever dois participantes diferentes, cada um com direito a três tiros. O alvo se localiza a uma distância de 30 metros e é marcado pelo desenho de um peixe;

Cabo de Guerra: É disputada em equipe, cujo objetivo é o de medir a força física dos participantes. Vencer o cabo de guerra significa ter os índios mais bem preparados para o confronto físico, e por isso é uma das provas mais esperadas dos Jogos. Cada tribo pode inscrever duas equipes (uma masculina e uma feminina), com dez participantes cada uma;

Canoagem: A canoa é o meio de transporte mais tradicionalmente utilizado pelas tribos indígenas, porém o tipo de canoa e o material utilizado para sua fabricação é bastante variável. Por isso, foi escolhida a canoa fabricada pelos Rikbatsa (navegável por todas as tribos), como o modelo oficial da disputa. Cada delegação deve enviar dois atletas;

Corrida com Tora: As toras, feitas de buriti, e com massa em torno de 100 Kg, devem ser carregadas pela equipe ao percorrerem uma distância pré-determinada. Para a competição, cada equipe deve inscrever dez participantes;

Xikunahity: Esse esporte também é conhecido como futebol de cabeça. Em lugar do chute, a bola é empurrada com a cabeça dos participantes. O jogo é disputado por equipes de dez atletas em um campo de dimensões próximas ao do futebol.

Outras competições mais próximas de nosso conhecimento também são disputadas nos Jogos dos Povos Indígenas, como o atletismo (100 metros rasos) e o futebol.

 

“O importante não é competir, e sim, celebrar”

Em sua sabedoria milenar, a cultura indígena valoriza muito o celebrar. Suas festas são manifestações alegres de amor à vida e a natureza. Têm como referência em suas tradições a espiritualidade, que é a dimensão da vida criada por um ser superior, tendo nos elementos da natureza – árvores, pássaros, animais, rios, lagos, matas – a grandeza da vida.

Essa tradição não tem sentido de coisa passada e sim na busca da memória, que é transmitida e atualizada de geração a geração, respeitando-se assim esses valores, adquirindo o dom da partilha em comemorar uns com os outros, vivendo a gratuidade do festejar.

Com a chegada da “nova civilização”, as comunidades indígenas criaram outros mecanismos políticos, sociais e econômicos. Foi desse contexto que nasceu a idéia da criação dos Jogos dos Povos Indígenas, um segmento que nunca fora antes pensado, cuja função e objetivos ganham cada vez mais o caráter de composição da grande família. Todos participam, promovendo a integração entre as diferentes tribos com sua cultura e esportes tradicionais.

Nasce um novo conceito de se fazer, conhecer e se estabelecer uma relação de igualdade com a sociedade envolvente. Somente o esporte possibilitará esse momento de respeito às diferenças e de promover a diversidade cultural étnica que caracteriza os indígenas brasileiros.

Histórico dos Jogos dos Povos Indígenas

A realização dos Jogos dos Povos Indígenas era um sonho de um índio, que por muito tempo perseguiu esse ideal. Em decorrência da observação nas reuniões políticas entre os povos indígenas que reivindicavam ações efetivas do Governo para a formulação de uma política nacional voltada para as questões sociais. Esses encontros eram freqüentemente realizados sob grande tensão. Havia, na época, a impressão predominante da sociedade não-indígena de que os índios viviam em constante depressão. Por outro lado, em muitas comunidades indígenas havia um momento de expressão de alegrias através de suas manifestações culturais, quando da preparação de seus enfeites plumários, contornos dos desenhos de suas pinturas corporais, danças, cantos, instrumentos musicais e esportes tradicionais. Foi assim que surgiu a idéia de juntar essas atitudes positivas, para mostrá-las aos não-índios, e aproximar as mais de 180 etnias e mais de 200 línguas indígenas ainda existentes ainda no Brasil, especialmente para que essas pudessem se conhecer e fortalecer sua cultura.

Foi no começo dos anos 80 que ele procurou os órgãos federais, estaduais e municipais, para buscar recursos para a realização deste evento. Dezesseis anos depois, em 1996, com a criação do então Ministério Extraordinário dos Esportes, e a nomeação de Edson Arantes do Nascimento, Pelé como Ministro que o sonho começou a se concretizar. Pelé determinou que a área técnica do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto; INDESP, fizesse estudos e uma programação orçamentária, para atender a demanda da comunidade indígena. Os técnicos não mediram esforços para consecução dos objetivos, mesmo não estando familiarizados com a realidade indígena, se engajaram de tal forma no projeto que juntamente com líderes indígenas, visitaram várias aldeias, em todo Brasil, com intuito de convidá-los e buscar subsídios preciosos para a formatação do evento. Assim a confraternização lúdico-esportiva tradicional indígena, imaginada nos anos 80 transformou-se em realidade de 16 a 20 de outubro de 1996, em Goiânia; GO, região central do Brasil, com a realização dos I Jogos dos Povos Indígenas. 25 etnias enviaram mais de 400 atletas para participarem do evento. Toda a linha de ação, desde a concepção do espaço físico (Aldeia Olímpica) sua estrutura, até a definição das modalidades, ficaram sob a coordenação indígena.

Objetivos: Observando o que preceitua o Art. 217, inciso IV, da Constituição Federal do Brasil; promover o encontro e o intercâmbio esportivo-cultural entre os diferentes povos indígenas brasileiros, revelando ao público o universo que traduz a harmonia e equilíbrio das sociedades tribais, manifestado através de suas danças, cantos, pinturas corporais e gestos esportivos próprios, o autêntico ritual do esporte de criação nacional.

Finalidade: Os Jogos dos Povos Indígenas tem por finalidade o congraçamento entre todos os participantes, privilegiando o aspecto lúdico da prática esportiva, revelando e resgatando as manifestações esportivas tradicionais indígenas. Cabe ressaltar que os jogos não buscam promover o esporte de alto rendimento, que procura identificar e formar grandes campeões, mas fortalecer a identidade cultural, celebrando o espírito de confraternização digna e respeitosa com a sociedade não-indígena e, acima de tudo recuperar a auto-estima do Homem Índio.

Curiosidades

Nos I Jogos, em Goiânia, GO, em outubro de 1996, não havia ainda um formato para desenvolver o evento. Estabeleceram o critério de “premiação” com entrega de medalhas para cada prova, no pódio, construído no estilo olímpico. No primeiro dia de competição, na modalidade de atletismo, realizada pela manhã, os “ganhadores” foram chamados pelo alto-falante para receberem as medalhas, mas ninguém compareceu. Depois de chamarem muito os vencedores compareceram. Os coordenadores de prova foram procurá-los, e levaram ao pódio, mas o ônibus que levaria as delegações até o local do almoço também chegou, e os atletas ganhadores de medalha foram correndo para o ônibus, sem dar nenhuma importância para a premiação.

Nos primeiros jogos, ainda como experimento, a natação foi realizada na piscina olímpica, e muitos atletas indígenas nadaram apenas de cueca, por não terem roupa adequada, e sentiram-se bastante à vontade. Também nos Jogos em Goiânia, o juiz explicava às corredoras da prova de 100 m rasos como seria disputada a modalidade. Entre as competidoras havia uma representante dos Kanela que não prestava a devida atenção às explanações. Ao observar esse comportamento um dos coordenadores chamou-a num canto e perguntou se estava entendendo. Não obteve resposta e o representante da coordenação concluiu que ela não entendia bem o Português. Por gestos e falando pausadamente, ele explicou como seria a disputa. Por fim ela disse que havia compreendido. Foi dada a largada, mas a atleta Kanela não acompanhou as outras e ficou olhando para o coordenador, que indicou gestualmente que ela deveria partir. Momentos após a largada ela partiu, alcançando e ultrapassando em pouco tempo as demais competidoras. Quando alcançou a linha de chegada, havia uma corda, que deveria ser tocada pela atleta vencedora. Mas a indígena não tocou na corda, passou por baixo da corda e continuou correndo.

Numa partida de futebol masculino nos I Jogos, as equipes dos Kanela e Xingu, disputaram uma jogada praticamente em cima da linha que delimita a entrada do gol. Um dos atletas através de gesto ao juiz reclamou que a bola havia entrado, porém o goleiro chamou esse atleta, mostrando e colocando a bola quase em cima da linha demarcatória, embaixo das traves. O atleta atacante olhou e balançou a cabeça confirmando que realmente a bola não havia entrado. O atacante poderia ter chutado a bola para dentro do gol, o que seria válido pois a bola estava em jogo, mas não o fez. Nas partidas de futebol disputada nos Jogos a comunicação entre os atletas da mesma equipe é praticamente inexistente, não há gritaria nem xingamento com os companheiros, muito menos com os adversários pelo fato de não falarem a mesma língua. Sempre existem entradas duras, como em qualquer partida de futebol, mas as reclamações são raras.

As canoas usadas nos Jogos são emprestadas pelo povo Erikbatsa, indígenas conhecidos como canoeiros, pois o modelo de “fabricação” das canoas é de fácil adaptação a todos os atletas indígenas participantes dessa modalidade. Não é viável para todas as etnias levarem as suas próprias canoas, pois elas não possuem um padrão definido para essa competição. Os tipos de madeira diferem por etnia, bem como o modelo e sua finalidade na fabricação. A distribuição das canoas é feita por sorteio. Na prova de canoagem, realizada no Rio Paraguai, durante os II Jogos no Centro Náutico Marinas, em Guaíra, PR, foram disputadas quatro baterias, por haver apenas quatro canoas que foram sorteadas entre os atletas. O povo Matis do Amazonas, contatado há apenas 15 anos, saía pela primeira vez de sua aldeia e para participar da prova de canoagem, escolhendo uma das canoas. Porém como havia o sorteio o coordenador indígena chamou os demais atletas de outras equipes e fez a solicitação de que somente os Matis não participassem do sorteio e escolhessem uma canoa. Não houve restrição e os Matis participaram da prova com a canoa escolhida.

Durante os III Jogos dos Povos Indígenas, em Marabá, PA, os atletas Xicrin e Xavante estavam em uma disputa acirrada de cabo-de-guerra, que era assistida com grande entusiasmo pelas mulheres Xicrin, que com gestos e gritos em seu dialeto, torciam freneticamente por seus atletas. Os Xicrin, não suportando a força dos Xavante, foram ficando em desvantagem e cada vez mais próximos da derrota. E as mulheres bradavam energicamente, ordenando força. Apesar disso, os Xicrin acabaram cedendo e caíram ao chão. Nesse momento, as mulheres, que estavam torcendo com muito entusiasmo, passaram a reprimir seus atletas, jogando areia nos rostos dos índios perdedores. Eles aceitaram a “punição” sem revidar. Na cultura Xicrin, quando os homens não levam quantidades satisfatórias de caça para a aldeia, recebem o mesmo “castigo”, o que demonstra um certo desprezo.

Todos os povos indígenas que possuem em suas tradições a corrida de tora têm um detalhe em comum, que é deixar as toras submersas no rio, após o corte e a preparação do buriti, para que absorvam mais liquido e se tornem mais pesadas. Nos III Jogos, em Marabá, PA, outubro de 2000, toda a estrutura fora montada na Ilha da Praia do Tucunaré. Para se chegar ao local, teria que fazer uma travessia de mais de 2000 m em barco à motor, em aproximadamente 6 min, pois há uma forte corredeira. Na chegada da delegação dos Erikbatsa, pela manhã, na beira da praia, foram desembarcando imediatamente suas canoas do ônibus, pois esse material ele trazem para serem usados na competição de canoagem, colocando grande parte de suas bagagens nas canoas e iniciando a travessia. Enquanto isso, lá da ilha, o capitão da marinha naval e um dos coordenadores dos jogos, preocupado gritava pelo rádio para que um barco maior fosse ao encontro e socorro das cinco canoinhas, que desapareciam nas fortes ondas do rio Tocantins. Mas o coordenador indígena replicou para que os mesmos ficassem tranqüilos, pois não é à toa que os Erikbatsa são também conhecidos como grandes canoeiros. Assim eles chegaram remando em rumo reto e não em diagonal como os barcos à motor daquele região fazem costumeiramente, e desembarcaram nas Praias do Tucunaré são e salvos.

Na edição dos IV Jogos, em Campo Grande, MS, em outubro de 2001, os Pareci de Tangará da Serra, MT, realizariam mais uma apresentação do Xikunahity, e quando da preparação para esse esporte, os Povos Enawê Nawê, praticamente isolados que e nunca haviam saído de suas aldeias, assistiram ao treino e disseram à coordenação que também praticavam esse esporte. Foi então realizada o primeiro encontro histórico, e uma partida dessa modalidade entre esses povos que não se conheciam.

Fonte:  Funai

Mais informações: wikipedia.org 





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