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Elisabeth Camilo

[ Elisabeth Camilo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Tradutora, jornalista e mestra em Letras - Linguagem e Memória Cultural.

 

Ouro Preto, Trânsito e a Casa da Mãe Joana

                Consta que Mãe Joana era dona de um bordel no Brasil colonial e recebeu em determinada época o decreto do imperador Dom Pedro proibindo novas aberturas das casas de prazer bem como também a imposição de hora para abertura e fechamento, em nome da moral e dos bons costumes.  Com sua pouca leitura e escrita, Mãe Joana escreveu uma espécie de bilhete e colou na porta de seu estabelecimento - aqui é a casa da Mãe Joana e entra e sai quem quiser, na hora que quiser.  A expressão se transformou então em clichê para especificar ambientes que não seguem determinados protocolos e onde todos fazem o que quiser.  Existem muitas casas de mãe joana por aí, mas se uma merece destaque é o trânsito da cidade monumento mundial - Ouro Preto – em Minas Gerais.

                Como aluna de autoescola e candidata a uma possível carteira de motorista, fico estarrecida com a realidade do trânsito na linda joia de Minas Gerais.  Motoristas locais e visitantes não têm ideia da importância das leis de trânsito, os primeiros perdendo a competição para os segundos.

                A placa do “proibido estacionar” está ali, clara e objetiva.  Todavia, basta uma simples observação e o carro do turista se encontra estacionado bem próximo a ela, em frente a uma garagem há mais de dois dias. 

                Todos que frequentamos autoescolas sabemos as regras de estacionamento – entretanto, na cidade do ouro negro, preciosa pérola da América Latina, caminhões e camionetes estacionam em frente a supermercados, em áreas consideradas  para pedestres ou  até com mais de sessenta centímetros do meio fio, sem qualquer preocupação com o próximo, seja esse próximo um pedestre ou outro motorista.  O mesmo comportamento possuem motoristas de carros de passeios ou outros.

                Cidade sede de muitos eventos culturais, não há uma assessoria de comunicação apropriada para questões de trânsito, o que promove a maior balbúrdia na casa da mãe joana mineira.  A famosa Praça Tiradentes, espaço mais democrático da cidade e também o mais fotografado, desaparece de repente entre estruturas metálicas nas datas cívicas, o motorista tendo que usar a contramão quase sempre e sem qualquer aviso prévio.  Simplesmente se chega e se percebe que a referida praça está fechada para o trânsito de carros (exceto para os caminhões gigantes que carregam as estruturas e que são proibidos de entrarem na cidade a qualquer custo em outras ocasiões) e se começa uma verdadeira caça ao tesouro em busca de qualquer forma de saída para outros espaços.  O transporte coletivo é uma das maiores vítimas, os micro-ônibus mudando seus itinerários sem avisar os passageiros nos pontos, que acabam por perder o dia de trabalho, o médico marcado há meses, o horário da prova escolar.  Não adianta reclamar, ouvir-se-á sempre a mesma desculpa – não sabíamos da interferência.

                O turista chega e, não encontrando estacionamentos, planta o seu automóvel em frente a garagens, a igrejas, a capelas e em qualquer beco, tirando o direito de ir e vir do ouro-pretano quase sempre vitimado.

                O táxi desce vagarosamente a rua em direção a bairros como Padre Faria, Antônio Dias e Pilar.  O carro vai com velocidade menor do que a menor permitida, mas o problema são os milhares de turistas que se acham donos das vias e que caminham vagarosamente em meio às ruas sem se preocuparem com as regras de trânsito que eles já aprenderam um dia.   Aproveitando a chance, os moradores fazem o mesmo, atravessando fora das faixas de pedestres, sem olharem para os lados, muitas vezes aparecendo como relâmpagos ou fantasmas – ou seja – do nada, surpreendendo motoristas novatos ou experientes.

                Caminhões gigantescos adentram a cidade, sendo parados em bairros periféricos e sem oportunidade de regresso pelo tamanho e pelo peso.  Trânsito se complica e o caos se estabelece.   É comum se encontrarem ônibus e caminhões quebrados nas ladeiras e o povo indo ao pé para qualquer lugar.

                Pedestres conversam no meio das ruas, crianças sem informação correm no espaço reservado para carros.  Nos espaços destinados para pessoas com alguma necessidade especial, mesmo em ambientes considerados acadêmicos, vemos carros e motos de pessoas que jamais observam os sinais de azul.

                Cabe bem à cidade barroca de Ouro Preto a referência da Mãe Joana e sua decisão de não cumprir determinadas leis.  Devia-se compreender que, embora seja cidade turística, também é berço de cidadania e exemplo de como essa cidadania deve ser vivida.  Aqui se sabe da lei, entretanto se admite que cada um faz o que quer em qualquer lugar, sem medo de qualquer decreto, mesmo aqueles que conseguiram a duras penas uma carteira de motorista.





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