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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

A riqueza dos hipônimos e dos hiperônimos

A língua é um instrumento fantástico que conduz o leitor a refletir sobre as inúmeras possibilidades significativas das palavras. Uma delas é essa que se aborda hoje: hipônimos e hiperônimos. Haverá, alguém, de perguntar o que é isso? Na realidade, hipônimo e hiperônimo nada mais são que denominações sofisticadas para gênero e espécie, através dos prefixos HIPER e HIPO, com a ideia de excesso e de escassez. Falar, contudo, em HIPERÔNIMO e HIPÔNIMO impressiona. GÊNERO e ESPÉCIE não impressionam, mesmo que o nome se preste mais para encobrir a ideia do que para explicitá-la. Como diria Olavo Bilac: “A palavra pesada abafa a ideia leve/Que perfume e clarão refulgia e voava!” Geir Campos (1986) , no seu Dicionário de Termos Poéticos não trata do assunto, mesmo porque “hipônimo” e “hiperônimo” nada têm de poético. Servem mais para falar mal e para nomes de doença: “Hiperônimo prostático”, “hipônimo maligno”. Mattoso Câmara, também, no seu consagrado Dicionário, não silencia sobre os termos. Zélio dos Santos, no Dicionário de Linguística remete o “hiperônimo” para o “hipônimo”, no qual passa apenas de raspão: “Palavra cujo sentido está incluído noutro mais amplo”. Nada além. Dubois (1989),Dicionário de Linguística, no verbete HIPONÍMIA, trata do “hipônimo” e do “hiperônimo”. Ensina ele que o termo HIPONÍMIA designa uma relação de inclusão, aplicada não à referência, mas ao significado das unidades lexicais em questão. Ele afirma que a HIPONÍNIA está ligada à lógica das classes: assim “cão” mantém com “animal” certa relação de sentido; há inclusão do sentido de “cão” com o sentido de “animal”; diz-se que “cão” é um HIPÔNIMO de “animal”. Do mesmo modo, “animal” é mais inclusivo do que “cão” no que toca à classe dos referidos (animal aplica-se a gato, coelho, etc.), mas cão é mais inclusivo do que “animal” no que toca aos traços de compreensão. É natural, uma vez que o universal é menos compreensivo do que o particular. É um princípio de lógica: o que se ganha em extensão perde-se em compreensão. O HIPERÔNIMO é mais extenso do que o HIPÔNIMO. Menos compreensivo, portanto. Dubois fala, também, do CO-HIPÔNIMO. E diz, em francês, consideram-se “oeilet de Nice” - cravo de Nice - e “tulipe noir” como HIPÔNIMOS de “oeilet e tulipe”. Da mesma forma, CO-HIPÔNIMOS como “bicyclette”, “moto(cyclette), vélomoteur” (bicicleta com motor), não tiveram arquilexema (genérico superordenado). Acabou-se por criar “deux-roues” (duas rodas). Segundo entende-se, “duas rodas” passou a ser o HIPERÔNIMO daqueles CO-HIPÔNIMOS. Caso contrário, ter-se-ia a orfandade dos CO-HIPÔNIMOS. Há muitos outros exemplos que aqui se ilustram alguns: HIPERÔNIMOS HIPÔNIMOS Peixe Sardinha, carapau, pescada, bacalhau, pargo, tamboril, robalo, dourada, etc. Profissão Professor, pescador, carpinteiro, mecânico, médico, enfermeiro, piloto, operário, militar, ator, etc. Mamífero Homem, gato, baleia, rato, golfinho, leão, porco, vaca, girafa, gato, etc. Fruto Maçã, laranja, ananás, manga, banana, ameixa, pêssego, morango, cereja, etc. Meio de transporte Bicicleta, motocicleta, automóvel, autocarro, barco, avião, etc. Árvore de fruto Laranjeira, tangerineira, pessegueiro, ameixeira, pereira, macieira, etc. Desporto Ciclismo, atletismo, futebol, andebol, tênis, basquetebol, etc. Flor Rosa, cravo, malmequer, crisântemo, hortênsia, etc. Inseto Mosca, borboleta, libelinha, mosquito, moscardo, abelha, grilo, etc. Ave Pardal, pombo, melro, águia, gaivota, cegonha, andorinha, etc. Nota-se, então, que Hiperônimo é toda palavra que possui sentido amplo, geral. Enquanto hipônimo é justamente o contrário, é a palavra na sua especificidade. Os hiperônimos e hipônimos são importantes no campo semântico, na retomada de elementos em um texto, a fim de evitar repetições desnecessárias e fazê-lo mais belo. 


DICAS DE GRAMÁTICA

Temos “stress à brasileira”? - Sim! Antigamente falava-se em estafa. Hoje temos a palavra inglesa stress que, porém, já está abrasileirada (ou aportuguesada, se preferirem). Quem quiser ficar estressado agora, sinta-se à vontade. É necessário paciência? - Sim, pois em expressões formadas pelo verbo "ser" + adjetivo (empregado substantivamente), este último não varia, como nos exemplos: É necessário calma; Ginástica é bom para a saúde; É feio falta de respeito; É proibido cigarros nesta empresa.





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