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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

A Verdade Está Com Os Símplices

Durante uma avalização oral de Teologia Sistemática perguntei a uma aluna: Deus existe? Como saber? Ela respondeu que “Sim, ele existe” e, estendendo o braço ao redor – como se mostrasse toda a criação – finalizou: “Basta ver tudo o que Ele criou”.

Parece uma resposta simples – e, de fato, é – mas está longe de ser “simplória”. Alguém poderá objetar que um estudante de teologia deveria ter algo mais substancial a dizer – e, novamente, de fato, deveria – mas não se pode negar que a questão sobre a origem de todas as coisas é a mais elementar do pensamento filosófico e científico. 

“Existir ou não existir? Eis a questão” 

Poderia não ter havido nada? A existência de todas as coisas é necessária ou contingente? Algo pode ser a causa de si mesmo ou tudo o que há possui uma existência derivada? Tais perguntas não são do universo teológico apenas e a resposta da aluna não é dela apenas também. Pergunte a qualquer brasileiro – dentre os noventa e nove por cento que dizem crer na existência de Deus – sobre sua razão para crer num Ser Superior. A maioria delas apelará à existência “de todas as coisas” como um fundamento de sua fé. E, dentre as pessoas mais simples, essa deverá ser a resposta mais comum. É a resposta do leigo, da gente comum, do crédulo de pouca instrução. Mas não apenas. Também é a explicação de teólogos, filósofos teístas e  até mesmo de muitos cientistas pós-darwinistas para essa pergunta primordial. “Deus” dirão eles é “a causa não causada” de todas as coisas e a Criação tão como existe é evidência disso desde que se faça uma busca retrocessual de causas. 

Um desses filósofos - G. W. F. Leibniz - respondeu esta questão argumentando que “algo existe em vez de nada” porque existe um “ser necessário que carrega consigo sua razão para a existência e é a razão suficiente para a existência de todo ser contingente”. Mas não apenas Leibniz mais inúmeros filósofos e teólogos examinaram a questão que antecede e substância todas as demais: “Por que tudo o que há existe em vez de não existir?”

A posição bíblica

O apóstolo Paulo, em sua epístola “Aos Romanos” apresentou no capítulo inicial de sua carta o fundamento bíblico para a resposta dos cristãos a essa questão.

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, tem sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Rm 1:20)

Curioso é que pessoas que não conheçam a Epístola Aos Romanos ou os escritos de Leibniz apelem à mesma fonte para sua crença - “Se Deus existe? Claro. Veja tudo o que há”

A Bíblia também diz – também de modo muito simples – que “no princípio, criou Deus os céus e a terra”. Essa é a primeira sentença. O primeiro verso do primeiro livro – o Gênesis – da Bíblia. E é um modo sensacional de iniciar uma história. No âmbito da literatura, as primeiras linhas são as mais cruciais de um romance. Elas capturam ou dispersam a atenção do potencial leitor. Uma das linhas inicias mais famosas – e na minha opinião a mais sensacional de todas – da literatura universal é de Moby Dick.

“Podem me chamar Ishmael”

Ora! Como pode um romance iniciar-se dessa forma? Quem é Ishamel? 
No decorrer do texto, sabe-se que Ishmael é o narrador da épica batalha entre o capitão Ahaab e a baleia Moby Dick, mas por que ele se apresentaria com um nome “opcional” (Se quiser, chame-me...)? Eis a questão que motivará o leitor, desde a primeiríssima linha, a seguir a narrativa. 

Todavia a intrigante abertura de Moby Dick perde para as linhas iniciais do Gênesis. “No princípio, Deus criou... Tudo”. Nada sobre a origem de Deus – como ocorre em diversas teogonias da mesma época. Uma síntese introdutória perfeita. 

A sentença “no princípio criou Deus todas as coisas” parece ser, não apenas a frase perfeita para abertura de um livro sagrado, mas também uma espécie de “semente” plantada no coração de todos os homens fazendo com que qualquer homem, em qualquer tempo, circunstância ou cultura tenha em si, de forma embrionária, a “pergunta por Deus” e na natureza ao seu redor a resposta primal a esta pergunta de tal modo que essa sentença não apenas é o início da narrativa bíblica, mas o início da fé. 

“Deus é tudo”

“Deus é tudo” é outra resposta simples a uma questão complexa. Definir “Deus” é um expediente complexo (para não dizer impossível). Toda definição é limitadora e, portanto, não aplicável ao ser divino. Ainda assim há a pergunta por Deus e as tentativas teológicas de aproximação de um “conceito de Deus”. Mas diante de tal pergunta, diversas vezes pude observar estudantes de teologia dando a mesma resposta que ouço de pessoas com pouca instrução acadêmica. “Deus é tudo” dizem. Essa tanto é a resposta do leigo que desconhece os conceitos teológicos quanto do acadêmico para quem tais conceitos são insuficientes. Dizer que “Deus é tudo” é como dizer que Ele é a soma de todas as virtudes possíveis, a origem de todas as coisas, a realidade última, o ser absolutamente necessário. Dizer que “Deus é Tudo” é dizer que aquilo não é Deus, simplesmente “não é”. É dizer que tudo o mais que “sobra” é derivação, é decorrência, consequência, contingencia. “Deus é tudo” é uma resposta simples. Está na boca dos símplices, mas  é plenamente significativa do ponto de vista teológico. 

Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Mateus 11:25-26

Como pode isso? Como podem duas questões tão complexas como a existência e natureza de Deus e a origem de todas as coisas serem entendidas, grosso modo, com conceitos tão próximos por pessoas de compreensões e formação tão distintas? 

Talvez assim seja porque a narrativa bíblica da criação pode ser vista como uma metáfora da vida humana. No princípio a escuridão do ventre materno, o caos e o Espírito-útero envolvendo tudo até que um dia Deus disse “Haja luz” e o ventre se abriu e houve luz. Da concepção à maturidade, o ser humano passará pelo desenvolvimento que se vê no Gênesis. Nos primeiros meses, o discernimento de “luz” e “trevas”, dos astros, da passagem do tempo, dos seres e plantas ao seu redor. Na infância dará nome às coisas e conversará com os animais – como Adão fez. E acreditará em Deus (ou mais que isso: viverá Deus) de um modo natural, simples e belo – como Adão fez. Até que chegue a idade em que o homem ouça dentro de si (como seu antecessor primordial ouviu) a pergunta “É assim mesmo que Deus disse?” e então faça sua escolha. Não existem ateus e agnósticos “de nascença”. Todos são crentes até saborearem "o Fruto".





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