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José Flôr

[ José Flôr ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Professor. Graduado em História pela (UEPB), Especialista em História do Nordeste (UEPB), e em Sociologia (UFPB).

 

Ariano e sua eterna luta contra moinhos que não são de ventos.

                 Ariano Suassuna, através de seus escritos, nos ensinou, como poucos, a importância das palavras para existir a possibilidade de passear nas páginas junto com os personagens criados pelo mesmo. Alfredo Bosi nos aconselha que “começar pelas palavras talvez não seja coisa vã.”(BOSI, 1992)

                  Talvez, digo talvez, por ter certeza de que o autor mortal a escrever um “texto” intitulado de Suassuna, velho burro, não ter conhecimento da palavra cultura em sua amplitude. Título que por si só ataca o imortal. No caso, Ariano. Este “texto” somente pode ter sido escrito com fundamento na impossibilidade de conviver com a diferença cultural e que faz emergir a violência posta nas palavras.

                    Ariano Suassuna foi conhecedor profundo da etimologia das palavras. E isto permitiu o mesmo escrever textos densos como A Pedra do Reino e o Auto da Compadecida. Ler Suassuna não é fácil. Para entender o que Chicó, João Grilo e uma série de personagens estão o tempo inteiro a nos dizer é necessário conhecer cultura como produção e não como folclore.

                    No texto fundado na crítica a Ariano Suassuna, chegando ao extremo de chamá-lo de burro, chegamos ao preconceito. E aqui fazemos emergir que “preconceito constitui uma violência que se exerce no nível do pensamento: violência, antes de mais nada, contra a própria capacidade de pensar.”(LANDA, 1998)

                   Acredito que o mortal não pensou antes de atingir o imortal Ariano.

                  O “texto” que tece críticas a Ariano Suassuna é perfeito na ortografia. Acontece que a ortografia não leva a descoberta. Leva a um exercício de repetição. Por outro lado a leitura nos leva, a cada página, a um mundo diferente. A cada mundo diferente surge uma palavra nova onde necessário se faz apreender o seu significado, o seu símbolo, o seu signo.

                 Era isso que Ariano fazia. Perfeito na ortografia com construto cultural. Foi isso que incomodou o autor do “texto” com críticas a Ariano.

                  Com certeza, e no afã da crítica pela crítica, o mortal a criticar o imortal não mergulhou em nossa cultura.  Fala do Movimento Armorial. Deveria o autor do “texto” saber que Movimento no âmbito da cultura é a própria necessidade de cultivar, futuro de culturus, origem da palavra cultura. Nada que um pouco de leitura sobre a cultura greco-romana não resolva. Deve, também, desconhecer a Semana de Arte Moderna de 1922 e o Manifesto Regionalista de 1926, criado por Gilberto Freyre juntamente com os regionalistas que viriam a marcar a década de 1930.

                  Não deve ser sabedor de que os textos literários são postos como possíveis leituras após o aprendizado da arte de escrever. A arte de escrever não pode encontrar-se deslocada do retrato de uma sociedade. Ariano conhecia a sociedade em que vivia ao contrário de seu algoz.  A arte contida em um texto é o melhor caminho para conhecermos as palavras, a conjugação verbal, a formação de frases, a produção de textos.

                  Não poderia encerrar sem dizer do quanto fiquei chocado ao ler o “texto” a chamar Ariano de burro. Diz o autor que Ariano elaborou uma “teoria cultural elitista e (anti) popular.” Tal parte do referido “escrito” não merece parágrafo, por favor. Deixo que Chicó, em seu tremendo conhecimento “elitista”, expresse sua fala.

                  Fala Chicó, “não sei como foi só sei que foi assim.” 

                  O autor do “texto” não sabe o que escreveu só sabe que digitou.





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