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Roberto Bastos

[ Roberto Bastos ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Historiador, professor de História, monarquista, budista, ex-músico e eterno estudante de artes marciais.

 

O Karma e nossos filhos.

 

Toda vez que uma criança nasce com alguma problema ou com enfermidades nos apiedamos da situação, com pouca solidariedade. Esta também é a primeira atitude dos pais.

Desta maneira, honrado (a) leitor (a), nos acorrentamos numa cadeia cíclica de sentimentos e ações. Pois, o correto seria nos solidarizarmos sem o peso da cultura do “coitado”. DE acordo com a razão e a Justiça o fato de uma criança nascer com os entraves existenciais ou com perfeição, mas munido de angústia são sintomas de um efeito sendo colhido, em virtude de ações semeadoras de um passado ou existência anterior.


Sendo assim, este processo se dá por causa de nossos apegos, gerados em doze elos (Nidanas) realizados pelas ações do pensamento, da fala e do corpo, principalmente através do apego as sensações e das ações cometidas, que semeiam outras causas e condições para gerarem efeitos.

Quando todas as condições para se manifestam e se aglutinam fica propício a manifestação do efeito semeado, porém, este efeito lança uma nova causa, gerando assim um círculo, uma cadeia de fenômenos que recusamos a manifestação, que como consequência causa mais angústia e dor.


Os pais que aceitaram a chegada dos filhos com entraves psicossomáticos kármicos, precisam ter em mente que o aceitaram com a missão de amenizar as dores existenciais a fim de proporcionar o resgate kármico através da compaixão. Embora, existam casos de pais com filhos dementes que causam mais dores e sofrimentos aos genitores e como consequência desgastes, tal fato expressa o Karma de todos os envolvidos nesta trama. Pois, como foi explicado no artigo “Sobre o Karma” este pode ser tanto uma missão como uma forma de colheita das ações.

Depois de explicarmos sobre o Karma de criança com deficiências físicas e mentais, concentremos o nosso olhar aos filhos sem aqueles entraves, mas que despejam suas angústias e frustrações ligadas aos desejos materiais e sentimentos desnecessários, que “sofrem” por não terem seus desejos atendidos e se “revoltam” por suas condições existenciais exibindo arrogâncias, pirraças e “rebeldias”.


Tal juventude não possui as entraves kármicas do corpo e da mente, muitas vezes não possuem os entraves financeiros, mais graves. Embora sejam afortunados ainda assim sofrem por não terem suas fomes materiais saciadas e nem tão pouco suas angustias existências aplacadas, pois se recusam a compreender a importância do desapego, causando muitas vezes desconforto emocional aos seus genitores, através de suas rebeldias e pirraças despejadas as pessoas ao seu redor, culpando-as de sua “dramática” existência.

É a partir deste ponto que podemos responder a retórica transcrita na apresentação deste artigo, em que a maioria dos jovens alegam que “não pediram para vir ao mundo”, pois não pediram, mas imploraram e criaram elos (Nidanas) que os acorrentaram ao mundo material, transitório e ilusório. E continuam gerando estes grilhões que os acorrentam, através de suas rebeldias e leviandades tirânicas.


Desta forma o Karma se manifesta tanto em pequenas coisas como nos entraves do corpo (Soma) como da mente (psique), passando pelos entraves financeiros e sociais e compete aos pais transmitir sabedoria, força e moralidade aos filhos a fim de lapidar o caráter destes jovens aprendizes.

Portanto, ao jovem que alegou não pedir para nascer e aos pais e familiares de crianças enfermas, não chorem e nem se lamentem, pois estes fenômenos fazem parte da vida.

Palavras de Confúcio

Este artigo é dedicado a professora Eneida Carnaval e sua filha Claudia, a minha esposa, minha sogra e ao meu filho, por estas famílias que transcenderam os entraves das doenças e que continuam lutando.





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