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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

A Multiplicação Dos Pães E Peixes

Há algo pouco observado no conhecido milagre da “multiplicação dos pães”: 

Quando, exatamente, ocorre a multiplicação? 

Jesus, de fato, alimentou milhares de pessoas (5.000 homens, na primeira e 4.000 na segunda, fora mulheres e crianças) e ainda recolheram-se - totalizados os dois eventos – dezenove cestos cheios de sobras. Mas, apesar da multiplicação dos pães ser mencionada nos quatro evangelhos, em nenhum deles, é descrito como e quando a multiplicação ocorreu. O termo “multiplicação” ou seus derivados sequer são mencionados! 

A imagem comum que nos ocorre quando tentamos visualizar a cena da multiplicação é a de um evento instantâneo. Jesus orou e, pimba! Do interior do cesto, um processo de mitose, de duplicação começa a acontecer com os pães. Com os peixes, idem: eles vão sendo “clonados” e começam a transbordar do cesto. Entretanto, há um versículo chave para entendermos que não deve ter sido assim. 

Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles (Mc 6:41-42).

Aprecio esta versão que Marcos traz da primeira multiplicação, pois ela é explícita ao dizer que Jesus dividiu os pães e os dois peixes pelos discípulos e estes os repartiram entre os presentes. Ou seja, o milagre da multiplicação não ocorreu nas mãos de Jesus. Depois de orar, os cinco pães não se transformaram em milhares. O texto bíblico oferece outra imagem. Menos espetacular e ainda mais cheia de significado: uma multiplicação que ocorre no momento da partilha

Pedaços de pão e nacos de peixe, distribuídos mão a mão, passados dos discípulos às pessoas - de modo que o milagre não consistia no sujeito ter um pão e um peixe que - kazan! - transformava-se em dois para que, só então, ele os compartilhasse. Os discípulos haviam recebido aquela porção, aquele combo de pão e peixe - sabendo que teria que dividi-lo com os grupos de pessoas sentadas ao chão. Então, eles repartiam e o processo seguia, mas, assim como a sarça ardente no deserto - que queimava sem se consumir - aqueles pães também eram compartilhados sem se extinguir! De uma forma miraculosa, eles eram repartidos seguidas vezes, sem que isso tornassem insuficientes as porções seguintes. Divisão sem diminuição! 

O milagre não era eu compartilhar a partir da abundância, da multiplicação sobrenatural e instantânea. O milagre era eu ter que repartir aquela porção que servia tão somente a mim e - uma vez feita a divisão - o produto final dessa matemática subvertida da fé, ser um pedaço igual em minhas mãos e nas mãos do meu irmão, de modo que podemos dizer que não é o milagre que produz a partilha, é a partilha que produz o milagre! Em matéria de pães e peixes abençoados por Jesus, 1 dividido por 2 é igual a 1 pra cada um!

Outro aspecto interessante é que a fé é alimentada pelo exemplo. Quando Jesus reparte as porções entre os discípulos, eles só sabiam do que tinham em mãos e mais nada. Jesus não lhes disse: "Vão repartindo e a coisa vai acontecer". Mas gosto de imaginar a cena se desenrolando enquanto as pessoas iam recebendo aqueles pedaços. A partir de determinado momento, havia duas cenas paralelas; duas visões concorrentes: O sujeito que recebia seu "sanduíche de peixe" olhava imediatamente ao lado e via um companheiro que nada tinha - Nada além de um par de olhos famintos e uma boca salivando. Mas, se o mesmo sujeito esticasse o pescoço e mirasse outros grupos, teria outra visão: a de todos comendo juntos. Então, uma de duas coisas podia ocorrer: ele podia sentir-se fortalecido em sua fé e dar sequencia à partilha ou podia olhar para sua "porção individual" e para o esfomeado ao lado e interromper aquele fluxo.

Na Igreja deveria acontecer o mesmo. Ao invés de olharmos para aquele irmão rico e nos enchermos de uma inveja disfarçada de "socialismo cristão" ("Ah, aquele afortunado bem podia repartir seus bens com os mais humildes") deveríamos olhar para nossa porção como um "Mínimo Multiplicador Comum" – uma espécie de "versão cristã" do MMC que aprendemos nas aulas de Matemática. A Igreja seria, então, esse lugar onde a multiplicação se dá "de mão em mão", numa sequencia onde o exemplo alimenta a fé e a fé alimenta o fluxo.

O milagre de Jesus foi mais que uma obra assistencial - o que, por si só, já seria maravilhoso. Mas, foi mais que isso: foi uma obra didática, pedagógica em seus efeitos e propósitos. Dizem que, melhor que dar o peixe é ensinar pescar. Jesus fez diferente: deu o peixe e ensinou dividir. 

Em Jesus, o que é inteiro se dilui. A maior, digamos, "renda per capita" de pães e peixes esteve nas mãos de Jesus. Só ele teve tantos pães e peixes de uma só vez. O pouco que havia foi canalizado, foi direcionado pra ele e, por uns instantes, a provisão ficou "concentrada" em Cristo. Jesus é o único que pode concentrar. À nós compete dividir. Muitos de nós aprenderam a entregar os recursos a Jesus ou, a seus "representantes" na Terra - pastores, padres e sacerdotes em geral e, em seguida, olhar pra Jesus como um caderneta de poupança ou como o carnê do Baú da Felicidade, do qual esperamos receber o reembolso de nosso sacrifício. Realmente, Jesus devolve. Dá graças e devolve. Mas não devolve na mesma quantidade. Tampouco devolve em quantidade maior, multiplicada. Devolve "menos". Devolve partido, fracionado. Jesus devolve, mas também "dissolve". E, assim fazendo, nos ensina a crer que cada pedaço, cada fração daquilo que nós entregamos (e que já era pouco) será suficiente para aquilo a que se propõe. Melhor dizendo, será mais que suficiente (posto que sobejam vários cestos cheios). E, assim, através da multiplicação dos pães, Jesus ensina ao povo a lição que a mulher cananéia (a quem ele cura uma filha, conforme Mateus 15) sabia de cór: que as migalhas de Deus bastam.






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