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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

Sob o signo da barbárie

Mal se apagavam as luzes de Natal e Ano Novo, encerrando-se o ciclo convencional da paz e harmonia entre os Homens com toda sua cauda hipócrita/comercial/interesseira, para ingresso no ritmo da presumida normalidade, eis que as trevas se fazem sob o signo da morte violenta imposta pela intolerância. O mundo entra em comoção, não pela morte, inevitável como fenômeno natural e reservada a todos, sem distinção, porém pelas razões, pela forma e pelas consequências, que a violência, sobretudo planejada, sempre traz. Num mundo conturbado por tantos interesses contrariados, espera-se que, em nome do bom senso, em primeiro lugar se manifeste o verbo, a palavra, o gesto do diálogo, antes que o ódio ocupe todo o espaço reservado aos sentimentos de fraternidade que deveriam prevalecer entre os seres humanos.  Por mais grave seja a ofensa, esta nunca justifica a violência, e, a nossa vida só tem preferência sobre a do semelhante, em última instância, quando ameaçada por este, excluída a possibilidade da neutralização com a vida preservada.  Prevalece, nesse caso, o direito de defesa cuja consequência pode ser, como último recurso, a morte de outrem.

 Antecipando opinião, diante da possibilidade de o tema entrar em pauta de discussão entre os líderes mundiais, nem a pena de morte, institucionalizada por alguns estados, se justifica, em reparo ao mais hediondo dos crimes. Onde existe, a pena de morte se constitui em aberração jurídica. Explica-se a aberração pelo fato ser impossível a alguém dar aquilo que não tem. Se nenhum indivíduo tem o direito de morte sobre outrem, e, se o estado é formado por indivíduos com essa mesma qualidade, como podem os mesmos indivíduos dar ao estado o direito de matar? O absurdo, no plano individual, é aberração sob o aspecto jurídico!

Considere-se, agora, a motivação ou mola propulsora da chocante violência, que resultou na morte do grupo de profissionais da imprensa e outras pessoas, envolvidas por força das circunstâncias. Como chargistas e caricaturistas de renome, os profissionais assassinados provocavam a ira dos ultrarradicais islâmicos, grupo que não deve ser confundido com a maioria seguidora do profeta Maomé, assim como os mais fanáticos cristãos não representam a cristandade. A atitude do funcionário mulçumano da loja judaica, salvando seis judeus, durante o ataque no estabelecimento prova o contrário dos que ligam o terror ao islã. 

Como se não bastasse a produção da imagem do profeta Maomé, proibida pelos cânones do islã, o semanário Charlie Hebdo, há algum tempo, debocha da grande religião do Oriente Médio, por meio de charges. Mal acostumada ao desrespeito de tudo, presunçosa e autoritária, a civilização ocidental esquece-se de que outras civilizações, outras culturas outros valores ético-religiosos não mais estão à margem ou distantes, pois tudo e todos interagem no mundo globalizado. Liberdade de expressão é um direito, mas esse direito não pode se sobrepor a outros como o de, sem se expor ao ridículo, crer e cultuar a divindade, segundo preceitos da corrente à qual está ligado o indivíduo. E assim sendo, há que considerar e respeitar o que outros pensam, sobretudo sob o aspecto religioso. Religião é questão de foro íntimo e ninguém tem o direito de achincalhar a crença de ninguém, por mais estranha possa parecer à nossa compreensão. Ainda que alguns admitam não crer, todos nós trazemos, no íntimo do ser, um desejo de busca pela divindade, bastando observar costumes de povos primitivos, para isso comprovar. E cada povo percorre seu próprio caminho nessa busca.

Nos próprios evangelhos cristãos, há referências segundo as quais Jesus teria dito algo como “melhor atar uma pedra de moinho ao pescoço da pessoa e lançá-la ao mar, do que tê-la a escandalizar os pequeninos que creem em mim”. Como Jesus muito se valia de parábolas e metáforas, é possível que “pequeninos” não seja referência a crianças como, normalmente, se pensa, porém pessoas e grupos mais simples, sem destaque, que poderiam ser escandalizadas por outrem quanto à sua crença.

Longe de gritar “bem feito” como saudação à presumida punição aplicada, é bom lembrar que “quem procura, acha”; “quem planta, colhe” e nada fica sem resposta! Disso, devemos todos estar conscientes, por mais cruel ela possa se apresentar. É tudo uma questão de causa e efeito.

Observemos que o tigre está a dormir, em sua toca, quando se sente provocado por cutucões, aos quais reage com rosnados e uivos, advertindo que se sente incomodado. Mesmo percebendo a agitação do animal, seus provocadores continuam a atiçá-lo, até que, em dado momento, a fera sai do esconderijo e se lança contra os que a molestam. É a reação natural que, entre humanos, deveria ser diferente. 

Contra o terrorismo e todas as formas de violência é forçoso o combate, preferencialmente incruento (sem derramamento de sangue), mediante coalisão de toda a humanidade que, antes de tudo deve cuidar do respeito mútuo em relação à diversidade étnico/cultural/religiosa. O combate à violência e ao terrorismo, de outra forma, é enxugar gelo!





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