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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

O Paradoxo de Epicuro

Há uma incoerência na fé cristã, dizem alguns filósofos humanistas e grande parte dos ateus e agnósticos: Se Deus é bom - dizem eles - como pode permitir tanta maldade no mundo? Das duas, uma: Ou ele é bom, todavia não tem poder para impedir o Mal ou tem poder para impedir o Mal, mas não o faz porque é mau. Sustentar a fé num Deus que é, ao mesmo tempo, “Bom” e “Todo-poderoso” é, para eles,  incoerente e ilógico. 

Essa é uma pergunta muito antiga que, feita de forma mais ou menos semelhante, remonta a  um dilema filosófico, cuja origem é atribuída a Epicuro, filósofo do IV século A.C, e conhecida como “O paradoxo de Epicuro”

Me pergunto como seria, na opinião dos céticos, um “Deus bom”? Seria um Deus que fizesse o bem à todos indiscriminadamente ou um que, com critérios claros, só fizesse o bem aos justos? Talvez fosse um Deus que só deixasse sofrer os maus e preservasse os inocentes de todo sofrimento. Mas... seria correto um Deus bom abençoar pessoas más? A menos que Ele tivesse o propósito de transformar o mau sujeito numa boa pessoa. Mas quem é bom ou mau? Quem é inocente? Como saber? E se os  maus se parecerem com pessoas boas e – por outro lado – algumas pessoas inocentes pareçam ser más? Como saberemos se o Deus Bom está sendo bom mesmo?

Isso está ficando muito confuso, dirá você. Eu diria que todos ficariam satisfeitos em viver num Mundo Perfeito sem nenhum sofrimento. Mas... sem sofrimento algum para ninguém? Nem para os maus? Então, reformulando: Um Mundo Perfeito seria um mundo em que não sofresse ninguém exceto os “maus”. Mas... os maus certamente seriam amados pelos “bons” e assim, um efeito colateral do sofrimento dos maus seria, também, o sofrimento dos bons. Complicado.

Mas e se disséssemos que Deus é mau? 

Ok. Então, “Deus é Mau”. Resolvida a incoerência? Experimente dizer isso ao próximo sujeito que o questionar sobre a bondade de Deus. Como pode um Deus bom permitir o Mal? Diga: “Porque Deus é Mau”.  Isso explica tudo, isso encerra a questão, isso pacifica os ateus. Deus é mau, todavia ainda é Deus. Sendo Deus, pode fazer tudo. Pode ser mau o quanto quiser, pode ser injusto, pode ser incoerente, pode ser brutal. Quem poderá questioná-lo? Quem poderá detê-lo? Quem poderá dizer-lhe: Pare com isso! Deixe essa vida divina de malignidade e seja bonzinho daqui em diante? Quem?

Há mal no mundo porque Deus é mau. Mas, então inverteríamos o paradoxo e o dilema seria ainda maior. Como um Deus Mau pode permitir tanto Bem no mundo? Por que tantas crianças nascem saudáveis? Por que nascem mais pessoas do que morrem? Por que a maior parte do tempo eu vivo saudável e não doente? Por que temos bons filhos, bons cônjuges, bons amigos? Por que temos mais amigos que inimigos? Por que a maior parte das pessoas que conhecemos vivem felizes a maior parte do tempo? E por que, mesmo na África subsaariana, em regiões paupérrimas, em países miseráveis, há pessoas que dançam, celebram, sorriem e, contrariando toda a lógica, acreditam nesse Deus Malévolo? Onde está esse Deus que deixa que a maior parte das pessoas, durante a maior parte de suas vidas experimentem mais o bem que o mal? Mas longe de mim questionar a Deus. Se Deus sendo mau, decide fazer o bem, curar, salvar e atender milhares e milhares de orações, que posso eu dizer? Oxalá, Ele se acostume com a prática e tome gosto pela coisa.

Se admitirmos que Deus é mau (segundo nosso conceito de malignidade) também deveremos admitir que esse Deus mau é capaz de gestos de bondade. Na verdade, Ele é bom a maior parte do tempo. Alguém assim mereceria nossa confiança? Alguém que, de vez em quando, nos fizesse sofrer ou que permitisse que sofrêssemos; alguém que nem sempre nos atendesse; nem sempre nos desse satisfação de suas ações e decisões. Alguém assim mereceria nosso crédito? Sou capaz de apostar que a maioria de nossos melhores amigos, nossos cônjuges e nossos pais se encaixam nessa descrição. 

Deus existe e é bom, todavia não conseguiremos explicar o mal que está no mundo. Não podermos dizer que a culpa seja só das más escolhas. As más escolhas não explicam todo o mal do mundo. Não podermos dizer que a culpa seja das calamidades da natureza, ou da doença, ou da fragilidade humana ou mesmo do Pecado ou do Diabo. Nada disso, nem a soma de tudo, isso explica o mal que há no mundo. Todavia, podemos seguir crendo neste Deus e seguir crendo que Ele é bom pois sustentar a fé num Deus Bom que permite o Mal pode gerar um dilema, uma pergunta sem resposta. Todavia, não sustentar fé alguma – além de não resolver a questão – suscita muito, muito, muito mais perguntas sem respostas como as que estão – em quantidade meramente ilustrativa – reunidas neste artigo. É preferível, assim, por uma questão aritmética lidar com apenas uma pergunta sem resposta do que com centenas delas.






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