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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

Mudar a forma de ensinar e de aprender

Luísa Galvão Lessa Karlberg, IWA colunaletras@yahoo.com.br Tenho dedicado maior parte da vida à Educação Superior no Estado do Acre. Do magistério fiz um sacerdócio, exercitando-o com amor, dedicação, paciência, orientações firmes, ensinamento profundo, jeito amigável, sem autoritarismo, construindo uma ponte entre o ensino e a aprendizagem. E tem dado muito certo, porque se tem alcançado êxito com os estudantes e professores, incutindo-lhes o amor pela ciência da linguagem, em especial pelo idioma pátrio, que todo cidadão brasileiro deve dominar para o sucesso na profissão. E, no decorrer dos anos, com as mudanças operadas no mundo, compreendi, há bastante tempo, que a Internet modificou a forma de ensinar e de aprender, tanto nos cursos presenciais como nos de educação continuada, à distância. A presença regular do professor em sala de aula só faz sentido quando há amor, determinação, vontade de ensinar, respeito ao aluno e ao magistério. Esse encontro de professor e aluno, em sala de aula, só vale a pena quando a aprendizagem é maior estando os dois juntos. Se isso não acontecer não valerão os encontros diários. Hoje, muitas formas de ensinar não mais se justificam. O mundo mudou, a vida mudou, não se pode perder tempo com listas de presença, com desatenção de alunos, com aulas sem motivação e no ensinamento de valores que não são praticados na família, na sociedade. Entendo, ainda, que as mudanças na educação dependem muito dos alunos. Alunos curiosos, motivados, facilitam enormemente o processo, estimulam as melhores qualidades do professor, tornam-se interlocutores lúcidos e parceiros de caminhada do professor-educador. Quando se têm alunos apáticos, silenciosos, dispersivos, algo está errado. Então, ao perceber isso o professor deve buscar alternativas para o reencontro com a aprendizagem, despertar no aluno a sede do conhecimento e do saber. Tenho conversado com alunos que dizem odiar o curso superior que fazem. Na verdade esses alunos estão desmotivados, decepcionados com os professores, com o sistema universitário que pouco tem evoluído diante de tanta modernização no mundo globalizado. O estudante e o professor precisam entrar no circuito do século XXI, aproveitar as oportunidades que são maravilhosas. Deixá-las passar em branco é algo absurdo. Igualmente, repetir fórmulas de séculos anteriores conduzem os estudantes ao tédio, a odiarem os cursos. Não é culpa dos conteúdos, mas de quem os ministra de modo arcaico, sem amor, sem compromisso, sem interesse em socializar e compartilhar conhecimentos. Ninguém deseja estar num ambiente assim, o jovem tem ânsia de conhecer o novo, sentir-se personagem importante nesse mundo de tantas oportunidades e com imensas novidades no campo educacional. Alunos motivados aprendem e ensinam, avançam mais, ajudam o professor a ajudá-los melhor. Então, é hora de modificar a forma de ensinar e de aprender. Um ensinar mais compartilhado, orientado, coordenado pelo professor, mas com profunda participação dos alunos, individual e grupalmente, onde as tecnologias terão papel importante na mudança de cenários no quadro educacional do país. Entendo que o grande mote atual é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento das áreas do conhecimento, em espaços menos rígidos, menos engessados. Tem-se, hoje, informações demais e dificuldade em escolher quais são mais significativas para os alunos integrá-las dentro de suas vivências. E o papel do professor - o papel principal - é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los na vida. Então, de um professor, espera-se, em primeiro lugar, que seja competente na sua especialidade, que conheça a matéria que ministra e que esteja atualizado. Em segundo lugar, que saiba comunicar-se com os seus alunos, motivá-los, explicar o conteúdo, manter o grupo atento, entrosado, cooperativo, produtivo. Entrar e sair de sala de aula sem saber o nome dos alunos é algo inconcebível. Deixá-los desmotivados para o curso que escolheram é algo imperdoável a um educador que se respeite. O professor deve ser um facilitador, aquela pessoa que ajuda o aluno a avançar no processo de aprender. Por isso mudanças na educação dependem, em primeiro lugar, de o país ter educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar. Pessoas com as quais valha a pena entrar em contato. Pois os grandes educadores atraem não só pelas ideias que carregam consigo, mas também pelo contato pessoal. Dentro ou fora da aula chamam a atenção. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que estabelecem com os alunos. É esse conjunto que enriquece o processo educacional, tornando-o fascinante aos olhos de quem ensina e de quem aprende. Nesse contexto, deve-se educar para a autonomia, para a liberdade, usando da autonomia e da liberdade. Assim, uma das tarefas mais urgentes é educar o educador para uma nova relação no processo de ensinar e aprender, de forma mais aberta, participativa, respeitosa do ritmo da cada aluno, das habilidades específicas de cada ser que está diante dele em sala de aula. Por fim, entendo que educar é colaborar para que professores e alunos – nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar o aluno na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional. É ajudá-lo no seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação capazes de lhe permitir encontrar o espaço pessoal, social e de trabalho, para assim o aluno se tornar um cidadão realizado, produtivo e feliz.





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