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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

O estupro da feijoada

Repetindo o já dito neste espaço, os meios de comunicação constituem o forte da disseminação do conhecimento, mas há que ter cuidados ao ver, ler e ouvir, pois nem tudo é conforme se apregoa, desde a simples receita de cozinha até os fatos políticos e negócios de estado. Afora interesses confessáveis e inconfessáveis, quando o objeto da informação envolve grupos, desleixo e, paradoxalmente, desinformação fazem o restante do estrago. 

Há algum tempo, novela global do gênero cama e mesa, ao introduzir cena de cozinha, entendeu de apresentar receita de prato tipicamente ouro-pretano: bambá-de-couve. E o personagem, postado diante do fogão e rodeado de apetrechos de cozinha, anunciou que estava a preparar a dita iguaria. Mas diante dos olhos estupefatos e justificada indignação dos que conhecem o prato, panela estava a fritar míseros pedaços de uma linguicinha fajuta, à qual o cozinheiro improvisado adicionou a couve e o mingau de fubá. 

Além da linguiça (carne porco), da melhor qualidade, o prato requer costelinha, toucinho magro (defumado ou não), tudo previamente bem frito, podendo-se ou não adicionar ovo ao mingau. Linguiça de terceira deve ficar bem longe nessa hora! E... oh! santa ignorância! a couve tem de ser RASGADA. Couve picada no “bambá” é o sacrilégio dos sacrilégios! Preparado, ao contrário do mostrado na novela, e com o nome “bambá-de-couve”, o prato ouro-pretano nasceu no distrito sede-municipal. Nem nos distritos secundários ele era assim preparado e assim chamado: era apenas mingau-de-couve. 

No momento que, em todo o mundo, se mobilizam forças em defesa do patrimônio cultural imaterial, incluindo-se a culinária com todo seu significado na história dos povos, dói na alma ver, na mídia, como se deturpam os mais expressivos pratos da culinária nacional. Inescrupulosos não se vexam da apropriação camuflada, em proveito de seus negócios, ao alterar a composição e o modo de executar tais receitas. Sem lei ou qualquer controle a impedi-los, esses vândalos do patrimônio imaterial atuam como plagiadores que, na área da criação artística e cultural, são devidamente punidos por violação do direito autoral. 

Patrimônio imaterial, como itens da culinária, por exemplo, não tem autoria, às vezes, por serem processos criados e desenvolvidos, ao longo dos anos, por grupos étnicos, comunidades nacionais ou regionais. Entretanto, se não têm autoria, tais itens constituem parte da identidade do grupo ou comunidade que os mantém e cultua; pertencem à coletividade como bem cultural, razão pela qual devem ser respeitados e não alterados em proveito de interesses estranhos. 

Está em curso, em veículos diversos, uma campanha publicitária em torno de linguiça procedente de determinado frigorífico. Para promover o produto do tal frigorífico, a agência encarregada da conta valeu-se justamente da feijoada, porém da forma mais descarada, como se fosse ela propriedade de alguém (no caso, o frigorífico). A ilustração mostra, claramente, o feijão contendo apenas fatias da linguiça objeto da campanha e nenhum outro ingrediente a compor a receita da feijoada. O que a propaganda diz ser feijoada é apenas “linguiçada”, “feijão gordo” ou qualquer outro nome que lhe queiram dar. 

Assim como o bambá-de-couve, presumidamente nascido na cozinha negra (o próprio nome sugere) ouro-pretana, a feijoada teve origem nas senzalas, cujas cozinheiras souberam aproveitar o descartado pelos seus senhores. Das partes menos nobres do porco inventou-se a feijoada, o maior símbolo da culinária brasileira! E o pior é que ninguém da área cultural, como também dos defensores da cultura negra, se levanta contra o despropósito e presunção do frigorífico, que trata referido símbolo como de sua autoria ou propriedade intelectual. 

Em vista disso, o frigorífico que, por enquanto, tem o nome omitido, fica a dever uma reparação e pedido público de desculpas, antes que campanha de boicote se faça ao consumo de seus produtos. Que se use a feijoada, porém não descaracterizada; não como se o feijão fosse enriquecido com apenas a linguiça de sua produção. Desse jeito a feijoada foi “estuprada






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