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Wendson Medeiros

[ Wendson Medeiros ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Geógrafo, M.Sc., Professor Universitário e Consultor em Meio Ambiente e Turismo.

 

Seca e Oportunidades de Gestão dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte

Nos últimos anos muito se tem falado sobre uma grave seca que assola o Rio Grande do Norte, vindo a se confirmar como uma das mais severas dos últimos 50 anos. Como resultado, várias cidades entraram em colapso no que respeita ao armazenamento e distribuição de água potável. Algumas cidades já enfrentam esta situação desde janeiro de 2013, como é o caso de Carnaúba dos Dantas, na Região Seridó do estado. Contudo, não é só a qualidade da água que justifica tal situação. A quantidade de água é um dos fatores primordiais. Vários açudes e barragens do RN, como nunca antes registrado, secaram por completo ou estão na iminência de secar.

As expectativas são pessimistas. As grandes barragens que ainda retêm água não conseguiriam suportar mais dois anos de abastecimento, caso não chova o suficiente para que elas venham a recuperar o volume hídrico. Como as previsões já eram ruins, agora foram pioradas pela provável atuação de um forte El Niño em 2016, já apelidado por muitos de El Monstro. Portanto, não se pode esperar, num curto prazo, um cenário muito positivo. E estamos apenas falando da necessidade de chuvas, esquecendo as más gestões dos recursos hídricos que nos foram legadas.

Ora, como exemplo, basta citar a política de construção de barragens tomada a cabo ao longo dos anos sem levar em conta a dinâmica climato-hidrológica regional. Com isso, barragens situadas à jusante de outras em uma mesma bacia hidrográfica ficaram, praticamente, inviabilizadas do ponto de vista de armazenamento e renovação das águas. Isto ocorreu devido à construção de barramentos superdimensionados e também em função de políticas de gestão da água inadequadas ou desarticuladas no âmbito regional.

  

Foto 1: Açude Gargalheira - Acari/RN (agosto de 2011): água a perder de vista.







Esta situação somada à escassez severa de chuvas fez com que a maioria dos municípios do RN se encontre hoje em estado de calamidade decretado. A questão dos reservatórios só se reverterá com chuva, não sendo possível resolvê-la de imediato. Apesar da falta de chuvas, parte do problema do abastecimento de muitos municípios deve-se à redução capacidade de acumulação de suas barragens por consequência do assoreamento. Além da redução da capacidade de acumulação, o assoreamento também contribui para uma intensificação da poluição ambiental, outro problema que afeta a maior parte das barragens do estado. Uma das alternativas para resolver o problema do assoreamento é a dragagem dos sedimentos acumulados no fundo das barragens. Quando as barragens estavam cheias, essa operação poderia danificar a qualidade da água, pois a poluição poderia se intensificar, uma vez que os poluentes sedimentados no fundo (geralmente metais pesados) seriam solubilizados na água, podendo ser absorvidos pela biota e pelo ser humano. Agora, com um cenário desolador, onde as barragens não têm água, surge uma oportunidade para resolver esse problema. É hora de desassorear antes de as chuvas chegarem. Com essa ação, além de promover a recuperação de parte da capacidade de acumulação hídrica dos reservatórios, também diminuiria os quadros de poluição ambiental, uma vez que os poluentes sedimentados no fundo seriam removidos. É certo que o problema da poluição não se resolveria apenas com a dragagem, fazendo-se necessário um maior rigor na fiscalização para identificar e inibir ações de lançamento de esgotos em reservatórios que se destinam a fins nobres, como é o caso do abastecimento doméstico.

Foto 2: Açude Gargalheira - Acari/RN (agosto de 2015): onde havia água...












Mas, os problemas nas barragens não são só estes. Há também barragens necessitando de reparos estruturais, como a barragem do Açude Gargalheira, em Acari, também na Região Seridó. Sem água, os reparos que não podiam ser realizados antes podem ser levados a cabo agora, antes de as chuvas chegarem. E isso vale não só para o Gargalheira, mas para outras barragens que podem se encontrar na mesma situação. Seriam ações preventivas de grande valia para o futuro. Como em toda crise há oportunidades, nessa não é diferente. Há uma grande oportunidade, nesse momento, de atuar com vista à resolução desses problemas. Cabe aos órgãos públicos responsáveis pela gestão dos nossos recursos hídricos ações nesse sentido, antes de chegarem as chuvas. Pois elas virão, mais cedo ou mais tarde.





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