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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

Mistérios e segredos da escrita

Muita gente sente curiosidade sobre a origem da escrita. Alguns acreditam que ela surgiu, na face da terra, tão logo veio o ser humano. Outros creem ser a escrita uma obra divina, um presente de Deus aos primeiros habitantes. Alguns pensam que tudo não passou de casualidade. Fez-se a terra, o homem, a escrita. Então, viajando sobre uma ou outra hipótese, qual será a verdadeira origem da escrita, esse recurso fantástico que veste de palavras os pensamentos humanos?
Também não tenho uma resposta pronta à indagação. Mas, segundo fontes fidedignas, as civilizações antigas, que desenvolveram a escrita, habitavam a Mesopotâmia (rios Tigre e Eufrates), Oriente Médio. Essa escrita existia para representar sons, depois figuras, sendo uma para cada objeto. A história da escrita anda junto com o desenvolvimento da civilização. Alguns dizem que a origem da escrita foi há 50.000 anos de nossa era (com incisões em pedra ou osso) e em 30.000 anos antes da nossa era (figuras gravadas ou pintadas). Os pictogramas constituem a primeira grande invenção do ser humano no domínio da escrita. E a vantagem dessa escrita pictográfica era servir para povos de línguas diferentes. Imaginem-se as dificuldades, à época, para representar cada coisa, por meio de desenhos? No mundo de hoje, isso seria um caos, pois muita gente não desenha nem mesmo um ovo.
Séculos mais tarde, a inteligência humana encontrou outra forma para representar sons e objetos, utilizando símbolos. O novo invento recebeu o nome de alfabeto, originado de duas primeiras letras gregas, Alfa e Beta, ou duas letras semíticas, Aleph e Beth. Muito tempo depois, em 3.000 a C., surge à escrita em tabelas de argila, um sistema complicado, composto por 600 símbolos. Os sumérios usavam placas de barro, onde cunhavam esta escrita. Muito do que sabemos hoje, sobre este período da história, devem-se aos com registros cotidianos, administrativos, econômicos e políticos da época, feitos em placas de argila.
Os egípcios antigos também desenvolveram a escrita quase na mesma época que os sumérios. Existiam duas formas de escrita no Antigo Egito: a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida dos faraós, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamada papiro, que era produzida a partir de uma planta de mesmo nome, também era utilizado para escrever. O fato é que a invenção, de origem suméria, foi mais tarde aprimorada por egípcios e babilônios.
Há um estudioso, chamado M Cohen, que distingue três etapas anteriores à escrita que conhecemos hoje. São elas: a) A dos pictogramas, arcaica e figurativa, que representa do conteúdo da língua; b) A dos ideogramas, sinais que representam de modo mais ou menos simbólico o significado das palavras; c) A dos fonogramas, sinais abstratos que representam elementos de palavras ou de sons, como nas escritas alfabéticas. A partir do século IX aparece o alfabeto grego, com 24 letras incluindo as vogais. Porém, somente na época clássica, no chamado século de Péricles, quando se estende à produção e comércio de livros, generaliza-se à leitura individual. Graças às obras filosóficas e teatrais, a leitura se expande com a notícia da existência de célebres bibliotecas públicas e privadas, na Grécia.
Em fins do século XIII, começa uma das revoluções mais transcendentes da história da escrita: a aparição do papel. Antes, o material utilizado nas encadernações eram peles de animais. Quanta matança, heim?! Teria principiado, aqui, a preservação dos animais, embora não houvesse a noção de meio-ambiente, pois essa palavra não existia. Nesta fase, com a nova invenção, a produção do papel passa a ser com trapos de linho e cânhamo. Produzem-se livros em séries! Entre o século XIII e o XV, se desenvolve, em toda a Europa, a encadernação gótica e, durante todo século XVI, os manuscritos são luxuosos, convivem com livros populares, com o objetivo de satisfazer todos os gostos e necessidades.
Com a aparição do papel, material mais barato e mais prático do que peles e pergaminho, a nova tecnologia foi batizada com o nome de "Galáxia Gutenberg". A partir de então, o texto manuscrito, para as leituras, ganha a forma de arte e produto exótico, frente à obra mecânica que o tempo se encarregou de converter como o invento de maior revolução na história da cultura humana. Hoje a escrita representa o mundo, como bem diz Clarisse Lispector: “Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal”.
A invenção da escrita provocou um salto na consciência e nas habilidades cognitivas, indo além das técnicas mnemônicas naturais do pensamento oral. A técnica da escrita permitiu a construção de raciocínios muito mais abrangentes e complexos. Inaugurou o que se denomina, hoje, pensamento analítico. Ao contrário da fala, um texto escrito pode ser visto e corrigido inúmeras vezes. O texto escrito pereniza feitos humanos. O texto escrito permite eternizar a passagem humana pela vida, em harmonia com o modo de ser, agir, pensar de cada pessoa.
Diz-se, ao final desta reflexão, que a incorporação da escrita, como forma de produção e conservação do conhecimento, trouxe uma dupla diferença aos seres humanos: foi preciso ensinar o conhecimento que se tornava cada vez mais amplo e complexo. Ainda, foi fundamental, ao aprendizado do conhecimento, o aprendizado da escrita. Esse desafio persiste há 3.000 anos e, ainda hoje, a humanidade não conseguiu vencê-lo. Há muita gente que desconhece o mundo mágico da escrita. Há tanta gente que sabe falar aquilo que deseja escrever, mas não consegue escrever o que sabe dizer. Então a escrita tem seu encanto, magia, mistério.





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