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Elisabeth Camilo

[ Elisabeth Camilo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Tradutora, jornalista e mestra em Letras - Linguagem e Memória Cultural.

 

As Mil Palavras ou Eu preciso me comunicar

Essa chuva fria, fina e fantástica que cai lá fora há dias, sem parar....  Esse céu que perdeu o azul e essa luz que teimou em aparecer em meio à imensidade do ambiente nublado...  Tudo isso me levou a sentar-se no sofá e assistir com olhar bem crítico alguns filmes de Hollywood.  Um que muito me chamou a atenção foi “ As Mil Palavras”, dirigido por Brian Robbins e tendo no elenco ninguém mais do que Eddie Murply, Kerry Washington e Allisson Janney.   Na trama, Eddie Murphy, leitor crítico de uma editora, escolhia os livros a serem editados pela qualidade e enredo, mas era um profissional corrupto e fraudulento, que escolhia seus autores, que mentia, que não se importava com ninguém.  Um de seus piores atributos era o de ouvir apenas sua voz interior, cumprindo seus próprios desejos, sem se colocar no lugar dos outros, incluindo sua própria família...

Após comprar a casa que não era o desejo de sua esposa, vê o surgimento miraculoso de uma árvore adulta em seu jardim, com copa fechada, bonita e enigmática...  Não percebe, todavia, que, a cada vez que pronunciava uma palavra, uma folha caía daquela árvore...

Foi necessária a interferência de outro personagem, de quem ele devia ler um livro, mas procrastinava na leitura, mentindo que havido feito a leitura, para que ele percebesse o evento da queda das folhas em seu quintal...  Desesperadamente, descobre que a árvore também considerava como comunicação os gestos, as palavras e outras ações que levassem alguém a entender qualquer mensagem...

Foi preciso humildade, compreensão, volta ao passado, agradecimento e perdão aos antepassados e cuidado com a própria árvore da vida e da morte para se salvar da morte esperada, lição que ficou para o personagem, ou seja, a vida é um fluxo contínuo de comunicação de todo tipo e é preciso mediar o que se diz, o que se pensa, o que se escreve, para evitar catástrofes.

Em nenhuma hipótese o diretor quis usar a metáfora de que é melhor ficar calado do que emitir opinião; ao contrário, expressa a necessidade do cuidado em saber ouvir, escutar, falar, murmurar, criticar, compreender o outro e o próprio eu. 

Na atualidade, parece que cada um de nós tem uma árvore como aquela no nosso jardim – proibida de ser tocada, preciosa demais para ficar nua, uma ditadora cruel que nos obriga a selecionar o que pode e o que não pode ser dito.

Podemos dizer tantas coisas com palavras e ações, gestos e olhares, mais até do que se escrevêssemos um livro para alguém com quem vivemos.  Podemos expressar tantas emoções, tanto cuidado, tantos sentimentos, se prestássemos atenção à necessidade do outro.  Economizaríamos tantas folhas da árvore do destino.

Somos tantas vezes mal interpretados que perdemos a árvore inteira, tentando explicar, argumentar, expor nossas opiniões.  O outro não que nos ouvir ou compreender. Nosso silêncio é tantas vezes também mal interpretado que somos acusados de mudos, de conformados, de aceitar tudo sem questionamento.  Não vemos uma chance de manter a árvore com a copa verde, o mundo nos exige que comuniquemos por bem ou por mal.

Nesse período de crises econômica, política, social, moral, religiosa, mantemos a árvore das mil folhas intacta para evitarmos sermos criticados, mal interpretados, da esquerda, da direita, em cima do muro...  Ou morremos porque discursamos sobre o que é certo e o que é errado, falecemos sem carinho e atenção, nos perdemos em nossas opiniões.

Não adianta cortar a árvore da comunicação porque a comunicação é inerente ao ser humano.  Sufocamo-nos ao engolirmos nossas palavras e opiniões, somos mortos se as liberarmos.  O certo mesmo seria ver as folhas caírem uma após a outra, sabendo que o fim está próximo e que fizemos o que era certo...  Acho que minha árvore está quase nua, poucas folhas restam, mas não sei viver sem as palavras.  Tomara que tenham caído algumas sementes e que minha árvore floresça, de forma que possa viver mais um pouco contando as palavras...





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