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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

Por Se Multiplicar a Iniquidade

“E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24:12)

Um questionamento comum de quem, perplexo, não compreende as razões da violência cometida por um ser humano contra seu próximo é: “Como alguém pode fazer isso a seu semelhante?” A resposta é simples: “desassemelhando-o” primeiro.

A profecia de Jesus, acima, pode nos ajudar a compreender o fenômeno da violência crescente e de sua relação matemática com esfriamento do amor - também profetizada por Cristo.  

INIQUIDADE NÃO É MALDADE, É O OPOSTO DE EQUIDADE - Quando se fala em “iniquidade”, o primeiro sentido da palavra que nos ocorre é de “maldade”. Desta forma, a interpretação mais comum é de que esse versículo prenuncia o aumento da perseguição, o incremento e o aperfeiçoamento da maldade praticada contra os discípulos no Fim dos Tempos, mas se tal interpretação é correta, seria um ineditismo histórico. Sempre que a Igreja foi perseguida houve crescimento numérico e aperfeiçoamento da fé! Ou seja, essa seria a primeira vez que perseguição e apostasia se dariam as mãos. Entretanto outra interpretação é possível quando se entende “iniquidade” a partir de seu antônimo: equidade. Assim, “iniquidade” seria o mesmo que “falta de equidade”, ou seja, “falta de igualdade”.


“A INTERIORIZAÇÃO DA INIQUIDADE” - O termo grego traduzido como iniquidade é anomia, um substantivo derivado, composto pelo prefixo “a”, acrescido do termo nomos (lei) de modo que a + nomos é igual à “sem lei”, o que faz todo o sentido, posto que, quando não há Lei;  quando não há regra, cada um segue sua própria lei. Isso parece ser um sinal dos tempos modernos, pois é comum ouvirmos (ou dizermos): “Minhas regras”; “do meu jeito”; “minha verdade”. E, havendo uma lei para cada um, fica estabelecida a desavença e, por conseguinte, o desamor. E, sendo assim é, poderíamos fazer a seguinte leitura do versículo: “E, por se aumentar a desigualdade, o amor de muitos esfriará”

Nesse caso, a recíproca também é verdadeira. Havendo mais equidade também será mais justa a distribuição de bens e recursos, ou seja, a justiça social. E, num contexto assim, será mais fácil se amar. E o amor viceja num ambiente de igualdade tanto quanto o próprio amor promove a igualdade estabelecendo, assim, um círculo virtuoso perpétuo.  

Entretanto, se não tivermos uma sociedade justa - onde todos sejam iguais - o que acontecerá? Tenderemos a amar o igual e, portanto, quanto mais uma sociedade se torne “iníqua” (desigual), menos amaremos porque menos pessoas iguais ou parecidas conosco encontraremos para amar. A desigualdade econômica, por exemplo, me fará ver o rico como um explorador ou o pobre como uma ameaça, como um incômodo e é por se verem como desiguais que os diferentes se matam – e, até mesmo, paradoxalmente, em nome de lutas por “igualdade”.

Por outro lado, quando alguém vê o outro como um igual – seja um rico contemplando um pobre ou seja entre um homem e uma mulher ou mesmo entre um cidadão exemplar e um delinquente juvenil – imediatamente se cria uma plataforma para o amor porque aquilo que se constituía barreira e justificativa para não se amar (“Ele é diferente de mim”) é removido. Uma nova percepção se estabelece: “No fundo, somos iguais”. O amor gera o olhar igualitário e o olhar igualitário gera o amor.

A anomia coopera para a glaciação do amor, para seu esfriamento, mas a isonomia - ou seja, o tratamento igual – pacifica os revoltosos, considerando-se que – quase sempre – é a “desigualdade” que os revolta.  Isso tudo é de uma obviedade pateticamente notória! Não há dúvidas a respeito disso. Todavia há pouca compreensão do sentido do que Jesus disse, pois nossa tendência é pensar duas realidades antagônicas ocorrendo em ambientes diferentes. De um lado há o mundo onde a iniquidade se multiplica, onde o Mal grassa; o mundo do qual o cristão deve se proteger. De outro lado há o coração do fiel, onde o amor habita, cresce e floresce. E, portanto, em nome da defesa deste amor, devemos erguer barreiras de proteção, muros de contenção, barricadas contra a iniquidade do lado de fora.

Ocorre que Jesus não diz onde a iniquidade se multiplica, mas ouso apontar o exato lugar em que tal processo ocorre: no coração humano. E como provar tal geografização? É simples. Basta ver que a iniquidade sempre ocorreu ao longo da história humana. Sempre houve, sendo sua maior manifestação histórica a segregação racial. Entretanto, a iniquidade é inócua contra o amor enquanto ela permanece exteriorizada. Porque, se no mundo ao meu redor eu vejo a anomia (a iniquidade) fazendo com que os diferentes se odeiem, todavia no meu coração pode haver isonomia, pode haver uma mesma e única Lei - A Lei do Amor. É o amor – que está dentro - que faz com que eu perceba a diferença que está fora (de cor, de raça, de credo, de etnia, de gênero, de gosto, de opinião), mas não a internalize. O amor é o antídoto contra a iniquidade, mas, quando a “iniquidade se multiplica” - não no mundo, mas no coração – o “amor decresce”. Então, esse é o primeiro refrigerador, o cooler do amor: a iniquidade interiorizada.

A INIQUIDADE PRODUZ ISOLAMENTO - Aqueles que deixam a iniquidade obscurecer o amor se isolam cada vez mais, em grupos cada vez menores. E, à medida que o tempo passa – não tendo o amor que equaliza as diferenças – o sujeito des-amado começa a perceber diferenças naqueles que antes lhe pareciam tão iguais e aí, ciente das diferenças inconciliáveis, separa-se mais uma vez; afasta-se de novo; troca de amigos; casa-se de novo; cria uma nova igreja.

Nesse texto, Jesus estabelece uma relação - que a Matemática chama de grandezas inversamente proporcionais: Quanto mais eu vejo diferença, quanto mais eu vejo iniquidade, tanto menos eu amo e tanto mais eu me isolo. Pois a iniquidade que eu vejo no outro me justifica ante os meus próprios olhos. “Eu não o amo por isso. Tenho razões para não amar”. E, assim, quanto mais a diferença se avoluma no meu coração, menos eu  me sinto compelido a amar.

Por outro lado o amor promove a igualdade. O amor vê o sujeito e diz: “É diferente, mas é igual! ” e, ao fazer isso o amor não ignora as diferenças, ele apenas valoriza as semelhanças – que, na maioria das vezes são mais profundas,  contrariamente às diferenças – que, quase sempre, são superficiais.


A INIQUIDADE PRODUZ A EXCLUSÃO - o isolamento promovido pela iniquidade é tanto aquele no qual eu me insiro cada vez mais profundamente – ao me afastar do meu grupo de ex-semelhantes – quanto aquele que eu promovo contra o diferente ao afastá-lo do grupo a que pertenço. Vejamos um exemplo e duas perguntas a respeito: Imagine-se num jantar com um grupo de amigos em um restaurante granfino da cidade. O combinado entre vocês é pedirem juntos e dividirem a conta igualmente. Na hora de pedir, todos se contentam com pratos mais econômicos e de valores equivalentes, mas, justamente o último amigo a fazer o pedido decide bancar o esperto e pede uma lagosta três vezes mais cara que a média dos pratos dos demais. A primeira pergunta é: Por que esse comportamento incomoda? E a resposta é simples: Por causa da desigualdade que tal atitude gera. O valor do prato mais caro terá que ser cotizado entre aqueles que dele não se beneficiaram. No próximo jantar esse amigo será convidado? Talvez, sim. Mas – e aqui vai a segunda pergunta: E se o comportamento dele for recorrente? Aí se aplicará uma leve adaptação da profecia de Jesus: Multiplicando-se a falta de equidade do amigo espertalhão, o amor dos amigos certamente esfriará!


Imagine, agora, que um dos amigos goste tanto do outro – do folgado – que, em todos os jantares seguintes ele se disponha a, sozinho, cobrir a diferença de modo que os demais não sejam penalizados por um lado, nem penalizem o espertalhão excluindo-o dos próximos encontros, por outro. O que acontecerá? Aqui se dá o contrário: o amor do amigo generoso não esfriou porque ele decidiu ignorar a iniquidade e reequilibrar as relações. E o resultado disso poderá ser que, ou os demais amigos – movidos pelo exemplo – se solidarizem pagando sem mais reclamar ou o amigo folgado sinta-se constrangido e passe a se comportar como os demais. Ou seja: o amor inclui sempre e transforma quase sempre.


A INIQUIDADE PRODUZ A SENSAÇÃO DE “DESOBRIGAÇÃO DE AMAR” - À medida que a iniquidade se multiplica torna-se cada vez menos exigível o amor daquele que ama. É o mesmo princípio do autor H. G. Wells - do caolho em terra de cegos, que só é rei porque, mesmo tendo apenas um olho, tem mais que os demais que nenhum olho têm. Assim que, quanto mais o mundo se odeia, mais aquele que pouco ama se sente confortável com seu pouco amor. E ainda menos amor terá a medida que se perceba superior aos demais que muito menos amor têm.

Nossa constante exposição ao noticiário de violência crescente, reforça essa sensação de diferença e, consequentemente, o esfriamento do amor. Aquele que vejo no vídeo me serve de bode expiatório para minha “inatividade fraterna”, pois se não sou um São Francisco de Assis ou uma Madre Teresa de Calcutá, ao menos, não espanco velhinhos, não jogo crianças pela janela, não estupro bebês e não mato ninguém. Posso não ser um bom pai, uma boa esposa, um bom filho, mas não sou tão ruim assim, afinal. “Por se multiplicar (através das notícias) a percepção da iniquidade, o amor de muitos esfriará”.

QUAL A SAÍDA?

Todos amam. Ou, ao menos, todos tem potencial para amar. Mas, em geral, amamos àqueles que são iguais a nós ou que são iguais ao que nós gostaríamos de ser. Outra generalização também é possível: todos nós nos sentimos justificados em nossos ódios pois a justificativa do ódio será a diferença. Algo que o escritor Umberto Eco, captou bem em seu livro O Cemitério de Praga, no qual o personagem principal, um articulador de revoltas e levantes políticos, justifica sua conduta da seguinte forma:

“O senso de identidade [da sociedade] se baseia no ódio, no ódio por quem não é idêntico. É preciso cultivar o ódio como paixão... É sempre necessário ter alguém para odiar, para sentir-se justificado na própria miséria”

Desta forma, o alerta de Jesus sobre o “esfriamento do amor” pode servir como solução desde que visto da forma “invertida”. Uma compreensão possível seria essa: Por se diminuir a iniquidade, por se reduzirem as diferenças, por se equalizarem as divergências, o amor de muitos se intensificará.

É certo que somos seres únicos, irrepetíveis e, assim, somos distintos, diferentes. Porém, o olhar equalizador que Jesus ensina não nos cega às particularidades. As diferenças são mais sutis do que aparentam. São de tons, mais do que de cores; de formas, mais que do que de essências. E o maior e mais decisivo desafio para alcançar esse amor que não esfria é começar dizendo: “Somos iguais”





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