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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

Constrói-se nova mentalidade nacional

Algo novo está acontecer neste país, grande bobo e irresponsável! Figuras imponentes da República, que se julgam acima da Lei, e, em razão disso caíram em suspeição, atraem o foco das investigações que se fazem em torno da corrupção a envolver a petroleira estatal e grandes empresas construtoras, suas empreiteiras. Convertidas as focalizadas em pessoas físicas, o processo investigatório atinge políticos de alto coturno e empresários do topo da pirâmide econômica, gente que se supunha inatingível pelos braços da Lei.

Desde os esboços deste país, no período colonial, desenvolveu-se a cultura de que investigação, indiciamento e prisão eram exclusivos para o tipo “zé mané”, ficando o "graudão", o ricaço e respectivas estrepolias acobertados pelo famoso jeitinho e grande pedra colocada em cima dos fatos. Mas, os tempos mudam em todo o mundo, e, chegou o momento de, no Brasil, isso acontecer também. É bem verdade que indícios de mudanças vinham ocorrendo há algum tempo. A princípio, em razão da citada mentalidade nacional, que se caracteriza por uma subserviência chegada ao ridículo diante de detentores de poder, houve descrença quanto ao prosseguimento das ações em defesa da lei e do legítimo poder do Estado. Mas, desta vez, as expectativas se revelaram falsas! Ao contrário do fogo-de-palha, que se supunha, grande braseiro era a base para a fogueira, que se avolumaria e na qual passariam a arder consciências aliadas à antiética e desonestidade, agora fustigadas pelos guardiães da Lei. Se não há bem que nunca se acabe, também não há mal que perdure para sempre! 

Assim sendo, chegou-se à sexta-feira (Black Friday in politics?), quatro de março, quando tremeram mais forte as convicções de sustentabilidade do projeto político, acalentado pelo partido, eventualmente, no poder. Tal projeto consistiria em continuísmo, alicerçado na mais escancarada política populista. Levado a depor, por coerção, no processo investigatório em andamento, o prócer maior do partido governista chamou sobre si as atenções, interna, pela novidade em figura de tal porte ser alvo de investigação, e externa, pelo novo comportamento das instituições brasileiras em relação à delinquência de colarinho branco. 

Por aqui, muita surpresa, porque não se está acostumado a ver figurões a prestar esclarecimentos sobre sua conduta diante da polícia, ao contrário de outros países, onde a lei é, de fato, igual para todos. O que lá fora é normal, aqui é exceção com cheiro de afronta ao cidadão e de “ilegalidade”. Não se fala de depoimento como réu, se culpa formada ainda não há, porém de procedimento regular e legal em busca da verdade, o que não parecem entender grupos, em fúria, tanto pró quanto contra o ex-presidente, que se “descabelou” como o supremo ofendido. Quem não deve não teme e não treme, mas este não tem sido o comportamento do ex-presidente, que já tentou obstruir o processo com recursos jurídicos, prática comum entre tupiniquins às voltas com a Justiça, sabendo-se de antemão que as leis estão cheias de brechas. Para quem não deve, o normal e mais correto é deixar que as investigações prossigam e produzam o resultado que, sendo a inocência, não desapontará o investigado.  Palavras agressivas contra autoridades policiais e o Judiciário também não constituem meio de provar inocência, valendo isso tanto para o cidadão comum quanto para ex-presidente da República. O inocente, humildemente, aquieta-se e espera a verdade vir à tona; não vocifera! Em outro aspecto, não fica bem a qualquer cidadão, notadamente se ex-presidente da República, arvorar-se dotado desta ou daquela virtude ou qualidade. O verdadeiramente honesto não se apresenta como tal, porém espera que outros, preferencialmente de fora de seus círculos íntimos, digam isso de si. Quem melhor vê nosso rosto é o que conosco se defronta!

A partir dos últimos acontecimentos, na sequência de ações iniciadas há algum tempo, percebe-se que o Brasil, depois de prolongada e indisciplinada adolescência, pode estar a entrar na idade adulta. É o primeiro sinal de que o conceito de igualdade perante a Lei passará, de fato, a ser levado em conta, nas relações do Estado com o cidadão. A observação de que os rigores da Lei estão reservados, exclusivamente, aos três pês, pode estar chegando ao fim, mas é bom manter a vigilância contra as matreirices usadas para garantir mais igualdade entre os do topo de pirâmide. 

Pouco ou nada se comentou em torno da atitude imprópria da presidente da República, em visita de solidariedade à residência do seu correligionário e guru político, após o depoimento deste. Lamentável que tal fato não tenha sido criticado na mídia, porque seu gesto foi antiético e de confronto com outro poder do Estado brasileiro. Que ela manifestasse solidariedade por telefone ou por outros meios privados, direito pessoal seu, mas nunca sob a forma presencial, aparecendo ao público como chefe de Estado e, ainda que simbolicamente, em oposição ao poder Judiciário. 

A presidente agiu como guerrilheira, que já foi, atropelando a ética e todas as normas consagradas das quais deve se cercar o verdadeiro estadista.





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