-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Religião Cristã
 
Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

Se Tu És Igreja de Deus

O que pode haver de tentador num deserto? Considerando-se que Jesus foi levado ao deserto “pelo Espírito” (Mc 1:12) para ser tentado, talvez, a maior tentação fosse a de SAIR dali o quanto antes. Basicamente, a questão era: Transforme o deserto ou saia dele! Este princípio está presente nas três tentações.  Seja na primeira: transformando-o numa padaria, num oásis, num manancial de provisões ou nas demais: saindo do deserto rumo ao poder religioso (o pináculo do Templo) ou ao poder político (os reinos deste mundo). 

Todos conhecemos a narrativa da tentação de Cristo no deserto. Imaginemos o que faria a Igreja Evangélica na mesma situação. Não é necessário imaginar. A igreja está na mesma situação. E as tentações seguem sendo as mesmas. Seu cerne está na provocação quanto a identidade - “Se tu és...”. As sugestões de Satanás são, todas, delírios de poder e falsas sensações de necessidade. É como se ele dissesse: 

“Se tu és igreja de Deus, precisas disso: Precisas de pão, precisas de provisão material para a obra. Transforme! Se tu és igreja de Deus, precisas de aclamação, de reconhecimento; precisas de um salto! Salte! E Deus te amparará, Deus cumprirá as profecias a teu respeito. Se tu és Igreja de Deus, precisas de poder temporal. Se tu és Igreja de Deus, podes reinar num reino terreno no qual o Diabo não estará presente. Domines! Apenas uma pequena concessão e o Inimigo sairá de cena para sempre. Se tu és Igreja de Deus precisas reinar!”

Ao resistir à primeira tentação, com a citação das Escrituras: “Nem só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca de Deus”, Jesus não estava pregando um ascetismo radical que excluísse quaisquer necessidades materiais (como o pão, o mais básico dos alimentos), mas colocando-as sob a perspectiva correta: nem pão, nem qualquer outra coisa material é ESSENCIAL. O pão pode parecer essencial para a igreja, mas a única coisa essencial, a única coisa sem a qual a Igreja não pode subsistir é aquilo que sai da boca de Deus. Sua Palavra. Sua revelação. 

Entretanto, a artimanha maligna é tentar convencer a igreja de que ela PRECISA transformar a realidade ao seu redor num sentido estritamente material – ainda que, aparentemente, com um propósito totalmente válido. Pedras em pães? Parece justo. A igreja precisa de pães. E depois? Depois, transformem-se as pedras em recursos, em financiamento, em estruturas físicas, em templos, organizações... Afinal, pedra que vira pão, vira qualquer coisa! A escassez não é para a igreja, a aridez não é para a igreja, pedras não servem para a igreja – muito embora Jesus tenha dito que a edificaria justamente sobre... a Pedra!   

A segunda tentação é a fuga do deserto. O deserto é a reclusão, o deserto é solidão. O deserto não é para a Igreja. O pináculo do Templo é o seu lugar! O que diriam de uma igreja ousada? Imaginemos a reação das pessoas quando virem do que a igreja é capaz! 

Ao resistir a essa tentação, Jesus mostra que quaisquer demonstrações tresloucadas de fé, ainda que em nome Dele, não passam de tentação ao Pai. Como saber a diferença? A tentação a Deus sempre terá um componente exibicionista. Se a busca de notoriedade para a igreja estiver presente, será melhor abortar o plano, a campanha, o projeto ou seja lá o que for. Publicidade para as boas obras é algo que não deveria haver nem da mão direita para a mão esquerda (Mt 6:13), quanto mais da igreja para a sociedade. O Diabo está equivocado. A igreja não precisa de reconhecimento popular. Não do tipo que vem por conta de saltos de fé suicida.

Apesar das duas primeiras tentações parecerem bastante plausíveis, a última tentação soa improvável, senão impossível, visto que incluí uma negociata com o próprio Tentador, à qual a igreja jamais se submeteria.

Para entender o apelo da última tentação, é preciso compreender o que está sendo colocado na mesa pelo ofertante. O Diabo está propondo uma retirada. Ele assume-se como senhor dos reinos deste mundo e apresenta sua rendição. Ora, quantas igrejas não estão empenhadas em banir o Diabo de seus territórios, de seus bairros, de suas cidades? Quão bom não seria se houvesse uma cidade inteiramente convertida? Um país cujo Deus fosse o Senhor e o Senhor somente?

Nesta tentação, o Diabo está apresentado mais uma falsa necessidade. "Se tu és Igreja de Deus" – ele está dizendo – "precisas expulsar-me!" A história prova que o poder temporal para a igreja é a mais fatal condição que ela pode ambicionar. E, se a igreja de Deus abriga em seu íntimo essa possibilidade; se a igreja considera que os reinos deste mundo e sua glória a ela pertencem; se a igreja concebe a manifestação do Vinho Novo do Reino de Deus nos odres velhos dos reinos seculares, então desnecessário será aceitar a proposta de Satanás, pois tal igreja JÁ TERÁ SE DOBRADO a ele.

Ao vencer o Diabo no deserto, Jesus provou que seu Reino pode sobreviver  sem recursos – desde que a providência maior esteja vindo da boca de Deus. O Reino de Deus pode existir sem fazer alpinismo religioso, sem chegar ao pináculo e – muito menos – sem saltar de lá. Pode, e deve, viver sem domínio sobre os reinos deste mundo.  Um dia, ao final da provação no deserto, os anjos virão nos servir e o Diabo será expulso. Mas, até lá, será possível ser Reino de Deus. A Igreja pode existir no deserto.





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Mais ficção e menos conhecimentos bíblicos ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: Avivamento e convicçao de pecado ( Religião Cristã - Silaell Dantas )

:: Bendito seja o Deus da nossa salvaçao ( Religião Cristã - Silaell Dantas )

:: A inegociável Palavra de Deus ( Religião Cristã - Silaell Dantas )

:: Tempos difíceis profetizados por Jesus Cristo ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: Se Tu És Igreja de Deus ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Por Se Multiplicar a Iniquidade ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: O Paradoxo de Epicuro ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: A Multiplicação Dos Pães E Peixes ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Filhos orientados para a fé ( Religião Cristã - Carlo Dionei )

:: Importa antes obedecer à Deus ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Perigosas polêmicas religiosas ( Religião Cristã - Ruy Matos )

:: Lidando com reclamações ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: O missionário viável - alguém que torna a vida melhor onde quer que esteja ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: As verdades sobre a Videira ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: A Verdade Está Com Os Símplices ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: A vida que somente Ele dá ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: A Triade da Graça ( Religião Cristã - Linaldo Lima )

:: O Sucesso é... Ser Um Escolhido! ( Religião Cristã - Alessandro Mendonça )

:: Milagres ( Religião Cristã - Carlo Dionei )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo