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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Eu quero ser racional como os animais irracionais

Eu não sou negro, e nem sou branco. Eu sou gente e gente não devia ter cor, nem aqui, nem além dos oceanos, nem depois das curvas dos rios. Gente devia ser somente gente, sem cor, sem rótulos, sem coeficiente, sem estatística. Gente devia ser gente e ponto final.

Não é assim que acontece. A cor da pele valoriza ou desvaloriza o ser gente. Não é assim com os animais, os ditos pelos sábios humanos, irracionais. Animais não tem cor, não tem pele, tem grupo, tem harmonia, tem espécie.

Eu sou negro, porque não sou branco, não sou branco, mesmo não sendo negro. É a selvageria dos conceitos, a barbárie das classificações. A inteligência medida pela melanina e o cérebro se transformando em detalhe. Ao homem negro a força bruta, ao homem branco a decência do terno. Onde está escrito na História Universal da Humanidade que a pele produz mais ou menos neurônios?

Eu não sou negro e nem sou branco, quero ser tratado como gente, como se tratam como iguais os animais de couro e pele, de pelos de tantas cores. Nunca vi um cachorro segregar uma cadela pela cor de sua pele, nem soube que um leopardo matou outro leopardo pela cor de sua pele. O homem mata outro pela cor da pele. O homem branco escraviza o homem negro. Hitler quis criar uma raça de homens pura e matou outros homens, julgados e conceituados por eles como raça impura. Escravizados foram os negros africanos porque eram negros e negros não podia ser gente.

Isto foi há muito tempo e até hoje nada mudou. Tudo permanece tão igual quanto o tempo bárbaro dos bárbaros, quando o mundo ainda se formava em mundo e os guerreiros conquistando cidades e povos, transformam em escravos os povos conquistados, por serem mais fracos, por serem de outras estirpes e nada mudou, ainda hoje se escraviza o homem, pelo homem, pela cor de sua pele, pela força de sua moeda, pela excelência de sua educação.

O negro saiu da senzala, mas, não saiu da escravidão, permanece subalterno, digno dos menores trabalhos e dos piores lugares. Se um negro galga postos perguntam “como chegou lá”, se o branco galga o mesmo posto, comentam “já não era sem tempo”.

E jogam sobre o negro a alcunha de perdedor, de potencial criminoso, mesmo não sendo. O negro foi abolido, não foi alforriado.  Hoje primam de elogios os labirintos que levaram o negro às universidades, como se não fosse competência. O negro na faculdade, para os brancos graduados, é presente. Para isso, ganhou o negro, cotas, como se fosse exceção. A exceção surge como uma semente semeadora do racismo, é cancro a ser debelado, é um câncer contra a cor de uma pele. Entre os animais irracionais não há cotas, eles não se dividem e nem se separam em grupos pela cor da pena, pela cor dos pelos, pela cor da pele, pela cor do couro. Os animais irracionais são racionais e ímpares, vivem em suas sociedades demarcadas por suas características, aglutinam-se sem exclusões, se incluem quando se selecionam. A imperfeição é abolida entre eles.

Eu não quero ser taxado de negro, não quero ser taxado de branco, quero ser taxado de gente, somente gente me basta e basta a tantos que são classificados por sua cor, seu poder econômico, seu tempo nos bancos escolares, os traços estéticos do rosto e do corpo. O homem criou normas excludentes, não se inspiraram nos corpos etéreos do corpo, as almas. Elas não possuem cores, nem formas, nem beleza e nem feiura, são alma, todas iguais, criadas por Deus, como deveriam ser os homens, como são os animais, esses ditos irracionais.

Pelo mundo o homem faz guerras e mata homens pelas suas diferenças. Matam pela cor, pela fé, pelas crenças, pelo dinheiro. O homem mata por terra, por ganância e escraviza sua liberdade. O animal, esse irracional, demarca sua terra e esse pedaço de terra lhe basta, não se torna fera por mais terra, forma a sua família e por ela ele luta, até mata outros de sua espécie. A fera homem mata para usurpar a terra do outro homem e fica com seus filhos, com sua mulher, e toma o seu nome, e toma a sua casa.

Eu não sou negro, eu não sou branco, eu sou gente e quero somente ser tratado como gente, tratar como gente, negros e brancos, ricos e pobres, alfabetizados e analfabetos, feios e bonitos, gordos e magros. Não quero ser racista, ter conceitos ou preconceitos, quero apenas ser gente racional como são todos os animais, irracionais.





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