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Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Até um dia, minha mãe...

Quando nascemos começamos a morrer. Quando morremos, nascemos. 

Você está nascendo em outra dimensão, reencontrando amigos, irmãos, pais, tios, sobrinhos. Você morreu nesta dimensão, onde tudo é transitório, onde tudo é passageiro. 

Viveu sua vida, nem sempre como quis viver, nem sempre como sonhou. Viveu.

Construiu felicidades e mágoas. Edificou filhos e filhos não assistiu serem edificados. 

A vida é assim, quando nascemos trazemos estigmatizados folhas escritas por letras invisíveis, podemos escrever sobre elas, outras letras, criar outras palavras, desenhar outros caminhos, determinar outras realidades. Não é fácil. Não é fácil entender porque acontecem tantas coisas distantes da nossa compreensão. 

Você viveu seu tempo e neste tempo sorriu, chorou, orgulhou-se e se arrependeu. Tudo pela vontade de Deus, o Pai boníssimo que está lhe recebendo de braços abertos, com sorrisos fartos e ouvidos generosos. Deus quer lhe escutar. Fale com Deus e certamente não se esquecerá de pedir pelos filhos que na terra ainda estão, ficaram eles com suas tristezas, umas amargas, outras saudosas. 

Tristezas ficam sempre na partida, mesmo quando compreendemos que haverá alegrias na chegada. Boa Viagem dona Lourdes. Siga com as mãos apoiadas em mãos angélicas, passeie por prados e jardins, sorria para os sorrisos que lhe ofertam.

Você não morreu, você nasceu e para nascer além do campo de flores eternas, precisamos morrer aqui onde morrem também as flores. 

Sua jornada recomeça, sua caminhada é retomada. Quando olhar para mim, não se lembre de mim pelos momentos de mágoas que cultivamos, lembre-se de mim através dos momentos de alegrias que porventura tivemos. 

Quando eu me lembrar de você não ocultarei dos meus pensamentos os momentos que juntos conseguimos rir, jamais me lembrarei de você pensando nas lágrimas que porventura fiz jorrar de minha alma e lhe culpei, como se eu não tivesse culpa por estar trilhando os caminhos trilhados. 

Siga em paz sua jornada, caminhe célere para o seu juízo com a convicção de que, se errou a intenção foi acertar e quando acertou a intenção era proteger. Não pense nas mágoas, não pense nas chagas, não pense nas angustia na hora de postar-se diante da Luz para prestar conta. Pense no perdão como dádiva. 

Siga em paz dona Lourdes, minha mãe, em sua jornada de chegada e quando puder, remeta-nos orações, daqui estamos lhe remetendo nosso carinho em forma das orações que sabemos fazer. 

Quando nascemos começamos a morrer. Quando morremos, nascemos. 





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