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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

O homem, a seca e a chuva

Terra seca, morre o gado,

o homem senta onde era barreiro,

nem lama restou no buraco,

nem uma cabeça de galinha,

nem o bode tão forte resistiu.


O homem olha o casebre escuro,

nenhum dos filhos habita lá,

a caçula está na praça, noturna,

o mais velho juntou as tralhas

e saiu por esses caminhos à fora.


Maria não aguentou tanta fome,

um dia não acordou, ficou deitada,

os olhos abertos como se olhasse

pelas frestas do telhado quebrado

o Sol queimando o que restou.


O homem olha o barreiro sem lama,

vê a cruz enterrada bem no meio,

para se um dia chover, mesmo morta

Maria sentir em seus ossos a água

molhando o seu corpo seco.


Terra seca, o homem chora,

olha o céu, azul de ponta a ponta,

nem uma nuvenzinha surge passeando,

nem uma sombra para tapar o Sol,

de verde somente a algaroba e o juazeiro.


O filho do meio faz tempo, foi para o Sul,

a menina segunda emprenhou com o turco

e saiu pelo mundo vendendo bugigangas,

nunca mais soube de sua filha, do seu neto,

ficou ele só, com Maria e com a caçula.


A caçula vem de vez em quando, lhe abraça,

põe em suas mãos algumas notas trocadas,

teta esconder a cicatriz no braço, foi briga...

a sua menina de tantos sonhos

sonhados antes da seca chegar.


Terra seca, morre a vergonha do homem,

ele chora enquanto cava a cova rasa,

o chá está seco, a terra está dura,

constrói a cruz com gravetos de sabiá,

planta ao lado da cruz de Maria.


O céu está tão azul, sem uma mancha

de nuvem, ele olha e não ver de ponta a ponta,

o Sol estaciona e somente o Sol testemunha

quando ele crava o punhal no peito e dorme

sem acordar ao lado onde dorme sua Maria.


Antes da vida de sua vida partir,

seu rosto lavado por uma lágrima,

sorri e antes de mergulhar na escuridão

a Deus pergunta numa última oração...

“Será que algum dia, vai chover?”.






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