-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

As duas facas de cozinha

As duas facas de cozinha
(Jorge de Azevedo)

Uma faca, simples faca de cozinha que eu queria comprar levanta em mim essa avalanche de reflexões... A principal delas:

“O que está acontecendo de verdade com o meu país?”

Tudo começou quando tentei quebrar a casca de um coco seco com uma de minhas facas, toda em aço... Quebrou o cabo. Natural, pelo tempo de uso dela, mais que natural, não tão natural se o tempo de uso dela não ultrapassar os dois anos. Nesses dois anos, contudo, pensei, ela já se pagou, já deu conta do recado, já cortou carnes de frangos e bovinos, já cortou meu dedo mais de uma vez, já descascou laranja, manga, mamão. Já picou alho e cebola, fez picadinho de cenoura, maxixe. Cortou osso de pé de porco para minhas feijoadas. Já deu por paga minha faca, mesmo tão nova, em torno de dois anos.

Andei pelas ruas do centro de Recife, não sabia, juro que eu não sabia que existe tantas lojas vendendo facas no centro de Recife, e facas de todos os jeitos, de todos os tamanhos, para todas as finalidades. Tem facas verdes, vermelhas, azul. Tem faca de aço que enferruja, faca de aço que não enferruja. Faca com cabo de madeira, faca com cabo de plástico, com cabo de aço. Encontrei até, uma faca de cozinha, entre os apetrechos de um conjunto para churrasco com cabo de prata, com cabo de marfim, com cabo de uma coisa que eu não sabia que coisa é aquela.

O que, entretanto, deixou-me absorto foi a variedade dos preços das facas que eu encontrei. Absorto e revoltado. Em uma mesma loja, uma faca com 8” (oito polegadas), em aço, cabo de madeira, produto de uma fábrica nacional, custa R$ 52,00 (cinquenta e dois reais)... Uma faca com 8” (oito polegadas), em aço, cabo de madeira, produto de uma fábrica chinesa, custa R$ 17,00 (dezessete reais)... Antes que falem, não me falem que esse material é melhor que aquele material, pois, para mim que preciso comprar uma faca, a finalidade dela é (tan, tan, tan...), cortar. Eu quero uma faca que corte o pé de porco para minha feijoada, o peito do frango para meu almoço, o bife para meu sanduíche...

Para os tantos e tantas donas de casa que saem para comprar uma faca, interessa a logomarca no corpo dela?

Uma faca sai do outro lado do mundo, paga todos os impos-tos, salários... Todo mundo ganha dinheiro. Quem produziu o aço, quem cortou a árvore, quem montou a fábrica, contratou empregados, produziu, embalou, vendeu, exportou, que, atravessou, os representantes, o comerciantes, os governos... Em cima dos R$ 17,00 (dezessete reais) todo esse mundo ganhou dinheiro, em cima de um produto fabricado no outro lado do mundo qual a desculpa para o produto produzido logo ali custar, em nosso país o triplo do valor?

Esta avalanche de indignação aconteceu somente porque minha faca de cozinha quebrou e eu saí para comprar no centro de, uma outra faca, de cozinha.

Recife, 23 novembro 2016





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: O rótulo da garrafa de vinho ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Não me provoquem depressão ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Eu quero ser adotado, por favor, me adote... ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Eu pensando em você ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Quando a tarde parece que dorme ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Canto a um momento de melancolia ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: O nascer do amor ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Tentações ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Lágrimas e lágrimas ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Violência contra a mulher não é somente o murro que transfigura ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: O valor de um ponto ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Xis da questão ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Saudade de quem amo ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: A ultima pedra ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Já vi anjos ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Palavras de um Anjo ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Saudade dos olhares ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Uma das minhas namoradas ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Aposentando a aposentadoria ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Você, o amor de minha vida ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo