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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

O silencio de um povo em festa

Calem-se as vozes,

não gritem gritos de alegria,

nem rufem os tambores

nas quadras do samba,

há sons de lágrimas,

por todos os lugares.


Por toda parte ecoam gritos,

vozes abafadas entre os destroços,

suspendam as comemorações,

não haverá jogo amanhã,

não haverá gritos de gol

e nem tambores rufarão

nos estádios em luto.


Calem-se as vozes e os fogos,

não estufem as bandeiras,

não trilem seus apitos, os juízes,

façam silencio para escutar

o voo de aves espantadas,

acordadas na madrugada,

sem rumo, sem direção...

Calem suas vozes, não cantem.


Escutem o farfalhar de folhas arrastadas

pela grande águia de ferro sucumbindo...

Façam silencio em homenagem aos gritos

desesperados de homens indefesos

diante da morte eminente que se aproxima,

eles gritam na escuridão iluminada

por quadrados de luzes que se apagam.


Apagaram sonhos, não haverá gritos,

o estádio não estará repleto de flâmulas,

das gargantas não sairão gritos de gol,

da arquibancada não se ouvirá trovões

coloridos de pólvoras, sendo queimada,

somente clarão de velas nas mãos

e vozes caladas em orações mudas.


Calem-se as buzinas nas avenidas,

não haverá nas avenidas gritos de alegria,

nem prantos de tristeza de quem não venceu,

há somente cortantes prantos de lá e de cá,

em cada casa enfeitada de festa, fechada,

não será aberta com a taça e a medalha

orgulhosamente estampada no peito.


Repiquem os sinos em cada Sé e templos,

não haja crenças e nem credos nesta hora,

unam-se mãos e corações no silencio

entoando os gritos de dor e agonia,

agonizam em quartos e salas, eles e elas,

são irmãos, irmanados estão rivais e aliados,

não há cores nas camisas, são pretas as tarjas

em cada braço tatuado ou liso de figuras.


Calam-se as vozes além das montanhas,

e as luzes da chegada estavam logo adiante,

não haverá mais luz, nem se ouvirão gritos,

os portões foram fechados para a alegria,

estão fechadas as portas para a explosão,

não haverá explosão de gol de lá e de cá,

os vencedores estão vencidos, choram

a ausência de vencidos, não haverá luta

e nem correrá dando volta, a taça brilhante.


Na escuridão brilha somente pontos de luz

que chegam em mãos desesperadas daqueles

que não salvarão quem não podem ser salvos,

não há silencio na escuridão fria da mata,

ouvem-se esparsos gemidos, fazem silencio...


É preciso calar as vozes para ouvir gemidos,

é preciso calar as vozes para não espantar

a vida de quem ainda vive diante da morte,

a morte faz silencio para escutar silenciosa

quem ainda vive e luta para não desistir.


Silencio nas ruas e nas cidades,

nas casa dos guerreiros que seguiam

para a arena guerrear sem armas,

lutariam sem provocar mortes,

iam para a arena como feras,

feras amansadas sem garras

e sem dentes afiados, iam lutar,

e correriam pelas arquibancadas

a cada grito de gol que ficou

estacionado no caminho da arena.


Calem suas vozes, não cantem e nem riam,

chorem pelos seus mortos, mesmo não sendo,

lembrem-se das alegrias que eles criaram,

da alegria que eles foram buscar em outro canto,

suspendam os projetos de festa para a volta,

não haverá rojões nas praças e nem trios,

não haverá beijos de orgulho sobre o escudo,

não haverá camisa na festa de chegada,

na chegada sem festa haverá caixões fechados

onde dormirão heróis de uma cidade sem festa.


Silencio! Façamos silencio em cada casa,

em cada esquina onde bares se enfeitaram

e colocaram suas televisões em telões imensos,

haveria batucada nos noventa minutos,

shorts e bermudas desfilariam de verde,

desfilarão calças e vestidos negros e cinzas,

não derramarão cerveja aos deuses, somente lágrimas,

não cantarão o hino da torcida, somente cânticos...

Não haverá gritos de euforia, somente silêncio de dor.


Silencio!


Recife, 29 novembro 2016





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