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Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

A loucura é morte ou a morte é um sonho

Para onde vou se a noite tão escura
fecha de mim todos os caminhos
me afastando das rotas iluminadas?

É dia, o Sol está acima de mim,
parece claro o dia, o dia é noite,
noite escura, para onde vou?

Tenho medo dos precipícios,
das crateras no meio das estradas,
há sepulturas não cobertas,
escondidas em cada esquina.

Quero acordar, penso estar dormindo,
quero sair do sonho, que é pesadelo,
temo acordar e ver que não dormia.

São mórbidas as ruelas por onde passo,
não vejo corpos vivos somente sombras,
resquícios do que já foi vida um dia.

Procuro vozes humanas em canções,
parece grunhidos de feras abissais,
colossais vampiros vindo do centro da Terra
com presas arregaladas para tragar-me.

Corro, paro, não há para onde correr,
estão fechadas as ruas, os caminhos
estão coberto por densa escuridão.

Alguém grita sua fome gigantesca e feroz,
bate o sino da Sé, toca o apito da fábrica,
os ponteiros do grande relógio se encontram.

O homem pisa em sua sombra em pleno verão,
corro, paro no meio de uma rua estatizado,
não vejo o carro que chega, estou cego,
não vejo o poste que me ampara o baque.

Está tudo tão escuro, penso que durmo,
o corpo inerte derrama algo quente,
parece que me banha, não grito, durmo.

A noite toma conta do dia, tudo escurece,
ouço burburinho, parece que acordo,
há muito silencio, não sei se durmo... Ou morro?

Se morto, como escuto as vozes distantes,
se não estou vivo como vejo escuridão?
Pode ser que ainda durma na madrugada,
pode ser sonho, não seja pesadelo... Se não for?

Minha mão se fecha em minha mão imóvel,
não sinto fechados meus olhos fechados,
sinto que grito mesmo sem ouvir-me gritar.

Pareço louco, é loucura, e se enlouqueci?
Se eu não estiver vivendo o que estou vivendo?
Se a escuridão não existir ao meio dia?

Meus olhos estão abertos, arregalados,
em pé no meio da rua estou deitado,
sem me ver eu me vejo agachado,
parece que durmo estando acordado.

O deserto das ruas se desfaz, acumula-se pessoas,
em torno de mim não me deixam chegar, corro
a ladeira que sobe desce num declive louco.

Volto, me vejo deitado envolto num lençol branco,
procuro meus travesseiros, não encontro,
não sei se durmo ou se outra pessoa dorme.

Estou sem meu pijama de dormir, uso camisa de manga,
não estou descalço sobre o lençol trocado ontem,
estou de sapato e o sapato tem lama vermelha...
Por onde devo ter andado que pisei em lama vermelha?

Procuro entender a escuridão que me envolve,
se durmo, porque não acordo e saio desse sonho?
Se é sonho porque não acordo e saio do pesadelo?

Alguém mexe em meu bolso, me vejo na fotografia,
não estou dormindo, se acordado, eu lá e eu cá,
eu não entendo, devo ter enlouquecido... Morri?

Querem me levar, não quero ir, luto, grito, vou...
A escuridão se fecha mais dentro da escuridão,
não estou com frio e agasalham-me, fecham-me,
sufoca-me a escuridão dentro do lugar escuro.

O carro parte, me leva, eu corro atrás do carro,
para onde vou, para onde me levam, está frio,
mesmo agasalhado nesse lugar tão fechado.

O frio cria manchas em meu corpo, grito,
meu grito se perde e passa alucinado por mim,
volto correndo tentando pegar meus gritos.

Quando me volto o carro sumiu além do além,
a ladeira que desce agora sobe... Estou louco!
Não entendo, dizem que louco não pensa, eu penso
então não durmo, se não estou louco... Morri?

Recife, 4 dezembro 2016





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