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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Mudança de atitudes

"Ou mudamos de atitude ou sem atitude nos tornaremos os bobos da corte", talvez eu tenha escrito isto em algum lugar, ou em algum lugar eu tenha pensado nisto. Nós culpamos o governo que nos governa, culpamos partidos que não admiramos, culpamos políticos que nos roubam e enganam e nos absolvemos de todas as culpas e responsabilidades, quando na verdade, eles são os cristais a serem absolvidos e nós somos as fornalhas a serem condenadas.

O que queremos afinal, o que cobramos, o que reclamamos, se nem mesmo sabemos o que sonhamos para nosso amanhã? Somos acéfalos? Será que somos? Ou somos ignorantes com tarjas de sábios e cultos?

É cômodo eu taxar Lula, Aécio, Dilma, Fernando, Temer de culpados pelo caso e descaso da economia do meu país. É fácil eu escrever contra a falta de segurança e a formação de um estado paralelo dentro do Estado oficial. É fácil eu indignar-me contra a seca que assola perenemente o nordeste e cobrar sem saber de quem cobrar, curas para doenças curáveis no interior de estados pobres. Ora, por favor... Não somos assim tão inocentes e não são eles assim, tão culpados.

Se sou da direita, ou se sou da esquerda, não sou hipócrita de lavar minhas mãos. É fácil sentar-me diante do crime e condenar o criminoso porque está com as mãos sujas de sangue. É fácil eu olhar para minhas mãos e não encontrando nela sangue, absolver-me, mesmo se eu provoquei aquela mão sujar-se.

"Ou mudamos de atitude ou sem atitude nos tornaremos os bobos da corte", acho que já escrevi isto em algum dos meus poemas, ou já pensei nisto enquanto compunha algum dos meus poemas, não importa. O que importa é que eu não posso abster-me da culpa, não posso alijar-me da responsabilidade e não posso lavar minha consciência e deixá-la imune diante das barbáries que ocorrem em meu país. Não sou inocente, sou culpado. Não sou o santo que quero mostrar que sou, sou o mesmo demônio que inflijo aos que me governam. Se eles provocam estagnação na sociedade, eu tenho minha parcela de culpa; se eles provocam fome nas palafitas, eu tenho minha parcela de culpa mesmo quando eu digo "não gosto desse partido, daquele presidente, do outro deputado".

Quando vejo políticos saírem de cadeias algemados, assinarem termo de posse e voltarem algemados para as cadeias, olho meus pulsos e vejo-os algemados. Vejo-me caminhando com eles para as cadeias. Eles não podem ser condenados sozinhos, e eu não posso posar de inocente e puro diante de sua prisão. Sou tão culpado quanto eles e talvez, eu seja mais culpado do que eles, porque eu sabia quem ele era, o que ele fez e o que fará e mesmo assim, eu votei nele.

Foi o meu voto que criou os monstros que devoram meu dinheiro, foi o meu voto que alimentou de fome os fantasmas que corroem minha educação; foi o meu voto que colocou no trono os santanazes que queimam meu traseiro com seus garfos de exploração e eu, querendo ser santo condeno-os e me absolvo? Sou parte do monstro que me devora, sou parte do monstro que povoa de miseráveis os semáforos de minha cidade; sou parte do monstro que esvazia as salas de aula e conduz crianças para os lixões, para as portas de restaurantes revirando lixos para matar suas fomes. Eu sou tão monstro quantos os monstros que eu ajudei a se tornarem monstros com o meu voto.

Depois eu me sento em cadeira de espinho, faço moqueca de ossos já chupados e culpo partidos e políticos como se fosse eu a vítima do sistema, quando na verdade o sistema é vítima de mim, pois, eu coloquei no sistema quem critico, quem abomino, quem agrido. Sou então insensato ou louco. Sou então, sendo louco e insensato, o verdadeiro bobo da corte.






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