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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

A lágrima e poça dágua

Havia uma poça dágua
entre a casa e o jardim,
na varanda estava ela
como se esperasse por mim.

Eu com meu sapato novo,
a calça branca de linho,
nas mãos um poema escrito
numa folha de pergaminho.

Ela sentada na velha cadeira,
na dança de sempre embalada,
a manta de tecido estampado
com lindas flores bordadas.

O sorriso angélico e inocente
sorria para minha indecisão,
entre mim e ela havia a poça
e quase não havia pedaço de chão.

Ao sair de casa bem eu me lembro,
pra cuidar dos sapatos, o aviso,
novos eram, usaria na quermesse,
foi o que deixou-me apreensivo.

Com muito cuidado e carinho eu vi,
minha avó de sua cadeira levantar,
caminhar suavemente sobre a poça
e veio vindo para me carregar.

Seus pezinhos tão sujos ficaram
e ela sorria como uma criança,
ah, em dias assim de chuva e frio
ponho vovó viva em minha lembrança.

Agora eu sentado numa cadeira
olhando lá fora a chuva caindo,
traz-me a lembrança a poça dágua, 
uma lágrima vem para me ver sorrindo.






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