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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

O pesadelo era sonho

Nem tudo ruim nasceu ruim, nem tudo que está péssimo nasceu péssimo. As intenções são atropeladas no meio do caminho e sofrem transformações. Em alguns casos são aperfeiçoadas, em outros casos são denegridas, criam fantasmas e se desintegra o projeto original.

Nem tudo ruim chegou para ser ruim. Muitas vezes alguém arquitetou planos de solução, de contenção, de paralisação. Alguém pensou "não há outro jeito", alguém sugeriu "vamos agir" e a ação ao dar-se início se perde na vaidade, na ânsia do homem de poder e tornar-se poderoso, é a índole humana falando mais alto que a razão, é o gosto pelo mandar e o prazer de se ver obedecido.

E torna-se ruim o que não era para ser ruim. Torna-se péssimo o que era para ser bom. Torna-se pesadelo o que era para ser sonho e o sonho deixa de existir quando as garras do pesadelo começam a bater em cada porta, arranhando e deixando marcas em cada soleira, provocando desespero em cada portão.

Fez-se necessária a intervenção militar quando o Brasil se via abraçado pelas hastes e sugado pelas raízes do comunismo. Fez-se necessário por nas ruas armas e soldados para asfixiar o escravizamento neo político que se avizinhava de forma avassaladora, ameaçadora e castradora dos sonhos eternamente pátrio de liberdade.

Era o sonho dos militares... Chegar, dominar, dinamitar o movimento alheio à nossa cultura e Constituição e devolver o país aos democráticos senhores que voltariam a gerir a nação pelos preceitos antigos. Os maus seriam debelados, os maus seriam presos, julgados e condenados. Recolhidos aos xadrezes, manietavam-se e não seriam mais, a banda podre do poder. Era esse o sonho. Asfixiamento rápido e rápida devolução da paz àqueles que acreditavam na paz.

Nem todo bem se transforma em bem. Houve reação aos anseios daqueles que projetaram solução. Houve trocas de farpas, houve troca de forças. A ganância de um tornou-se maior que a ganância do outro e o sonho fez-se pesadelo. O pesadelo fez-se agonia e a agonia tornou-se angustia.

Nascia assim uma das páginas mais negras de nossa História. Rivalizando com as barbáries cometidas no passado contra Frei Caneca, contra Tiradentes, contra os negros africanos. O Brasil dormiu democrata e não acordou, pois, portas e portões foram derrubados na madrugada e homens e mulheres ainda em roupas de dormir eram levados para calabouços, para desterros da vida, para mausoléus tão secretos que muitos até hoje de lá não saíram. O Brasil adormeceu democrata e quando despertou já tinha se transformado em ditadura. Os bons pensamentos saíram do controle das mentes que os criaram. Os bons pensamentos deixaram de ser sonhos e passaram a ser pesadelos.

O solo da "Pátria mãe gentil", se vestiu de sangue dos seus filhos. Filhos inocentes, alguns. Filhos transformados em algozes, outros. Filhos vítimas de ensinamentos errôneos e foram esses filhos que forçaram a reação das armas e dos soldados. A guerra não se faz somente com o ecoar de canhões, a guerra também se faz pela ideologia contrária de alguns. O perigo ronda cada esquina, está em cada janela e solfeja na voz de cada vizinho. Assim um sonho se transforma em ditadura. A ditadura mortifica a alma do homem, obrigando-o a exercer o seu direito à sobrevivência. Animaliza-se o homem. A ideia de que "antes tu do que eu" avoluma-se dentro de cada um com tamanha voracidade que delatam-se filhos a pais, pais a filhos. Cada vizinho é um olho investigativo, cada investigado é um delator.

Os homens de fardas compram homens sem fardas com sacos de leite, com quilos de feijão, com paneladas de arroz, assim os tornam cúmplices, assim os tornam dependentes. A fome é uma arma em forma de moeda. A fome é a moeda que explode a dignidade. Na luta do poder não há vencedores e nem vencidos. Há opressores e oprimidos. Há os que mandam, há os que obedecem e há os que se rebelam. Os que se rebelam morrem e os que obedecem se candidatam a morrer e entre os que mandam há aqueles que são mortos em nome de uma reação patrocinada.

Houve um tempo necessário para a ação dos homens das fardas e das armas sair às ruas para livrar a nossa "Pátria mãe gentil" das garras dos comunistas escravizadores da liberdade. A necessidade era sufocar a rebelião e devolver aos brasileiros um Brasil alforriado das foices e dos martelos, mas o poder é como o ópio, vicia a quem usa, anestesia a quem exerce. O poder é como o primeiro gole de cachaça diante do alcoólatra. Age diante do homem egoísta de poder, como uma garfada de feijão com farinha diante do faminto que vive sem esperança de comer. O poder dominou a mente dos homens que tiraram da mente bons pensamentos e foram para as ruas para debelar o perigo, para asfixiar a invasão, para deteriorar as algemas que poriam o Brasil preso a ideologias jamais compatíveis com a História do Brasil.

A ditadura não nasceu para dizimar brasileiros. A ditadura nasceu para garantir a liberdade dos brasileiros. Ela não sabia que no caminho encontraria, dos dois lados, mentes aptas a transformar um bom pensamento em pensamento ruim. A ditadura jamais imaginou que nasceria para destruir, já que ela nasceu com a ideia de restaurar. Um dia um homem teve um pensamento julgado bom para salvar o Brasil e esse pensamento se transformou no maior pesadelo de um sonho. Somos responsáveis hoje em não permitir que esse pesadelo seja despertado e venha macular o sonho que estamos vivendo. Um Brasil livre de prisões, de algozes, de mártires e de heróis.

Sem guerra não há motivos para buscar a paz. Sem paz entabula-se motivos para acabar com a guerra.

Ponhamos uma tarja preta em nossas janelas, em nossas portas, em nossos portões em homenagem a todos, independente do lado que estavam, e morreram para hoje caminharmos com liberdade política e ideológica, por todos os recantos desta "Pátria mãe gentil".

Recife, 31 março 2017





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