-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Política
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Se todos são inocentes, quem são os culpados?

Eu, os botões de minha camisa, a fivela do meu cinto e os cadarços do meu tênis estávamos confabulando sobre o atual momento político e jurídico que o país atravessa. Nossas opiniões são divergentes, muito divergentes. Tivemos acalorada discussão, chegando em certos momentos, quase, às vias de fato, ou seja, à troca de bofetes e bofetões, felizmente somos civilizados e conseguimos conter nossos ânimos selvagíneos. Colocamos nossos pensamentos nos devidos lugares e continuamos. Os cadarços do meu tênis levantou um tema, tão interessante que foi abraçado por todos nós.

"A nova lista do Janot".

Mais uma leva de nomes proeminentes de nossa política, envolta e envolvida nos mais escabrosos esquemas corruptivos da História Moderna e Antiga de uma pátria chamada Brasil. A lista existe, é notória, é autêntica e até onde podemos afirmar... É verdadeira? Afinal estamos entre leões, tigres e leopardos. Não há nesse meio coelhos e nem porquinhos da Índia. Há feras experientes e famintas. Até aí, onde está a verdade?

E falou com a sabedoria dos grandes pensadores gregos, os botões de minha camisa... Falou que discorda da lista de Janot somente em um ponto... A lista deveria ser divulgada sem nenhum nome e sua justificativa é perfeitamente aceitável. A justiça brasileira está sendo injusta com os empresários presos, pois, se não há crime como pode haver criminoso... Atentem para a magnitude do pensamento dos botões de minha camisa...

"Se não há crime como pode haver criminosos?"

Todos os acusados a investigados são inocentes, todos os recebimentos foram legais, foram registrados e aceitos. Tem que ser investigado porque mentem descaradamente os empresários afirmando que compraram os políticos quando na verdade eles não compraram. Deram seu rico dinheiro por que são caridosos, são benevolentes, são solidários. O Instituto Lula recebeu contribuições homéricas de empresas cujos diretores estão presos acusados por darem dinheiro a Lula. O Instituto Lula diz que é mentira. Polêmica e criadora de caso, mostrando uma personalidade mal amada, a fivela do meu cinto sai do seu silêncio e pergunta afirmando maliciosamente...

"Se eu dou eu quero receber... Porquê eu dei muito se não precisava dar nada?"

Fico deverasmente impressionado com a inspiração filosófica, sociológica e pedagógica da fivela do meu cinto.

"Por que dar se não precisava dar? Se deu é porque esperava receber muito mais".

Eu, um pobre e dedicado escritor sem conhecimento político e jurídico, calo-me. Permaneci o tempo quase todo, calado, absorto nas discussões ávidas de verdades e interpretações dos botões de minha camisa, da fivela do meu cinto e cadarços do meu tênis. Como eu me incluir em discussão de tão alto gabarito, tão vasto saber jurídico, tão abordante penetração política?

Em certo momento, abordando a quantidade de ministros que trocaram a pompa de ouvir seus filhos dizerem orgulhosamente aos amiguinhos plebeus "meu pai é Ministro", agora tentam explicar aos seus filhos quando eles chegam e dizem que os amiguinhos plebeus perguntam "seu pai vai ser preso?"

E ávida de conhecimento, justificável até, por estar quase sempre coberta e não ver diretamente o que ocorre à sua frente, minha fivela perguntou se é sustentável para um governo governar tendo a sua base de sustentação comprometida com a corrupção, com o descrédito e com a preocupação de lutar para salvar sua pele, não se importando com a pele de intrometidos que esperam deles solução. Pedi um adendo, pensando seriamente que mandariam-me calar, pasmo entretanto, permitiram que eu falasse e eu falei...

"Eu só quero entender uma coisa... Se todos são inocentes, onde estão os culpados?"

Silêncio fúnebre se formou na sala. Os cadarços olharam para os botões, os botões tocaram na ponta da fivela e a fivela apertou um pouco minha cintura e minha cintura que estava adormecida, não entendendo nada perguntou...

"Está na hora de tirar o cinto?".

E todos concordaram com a ignorância casuística de minha cintura... Está na hora de tirar o cinto.

Tirar o cinto dos pescoços da nação; tirar o cinto da tentativa de fazer um povo de besta, de bobos, de otários. Não há coelhinhos e nem porquinhos da Índia entre os listados por Janot. Entre os listados por Janot estão leões, tigres e leopardos. Feras famintas que se alimentaram da saúde, da educação, da segurança de um povo que está moribundo, virando carniça nas filas dos hospitais, nas salas de aulas que agora serve de guetos para bandidos invadirem e roubarem alunos em aula.

As feras se alimentaram de pedaços de pernas, de pratos de feijão, de corações que não puderam ser transplantados, por cancerosos que morreram diante de possibilidades de cura.

Estas feras se alimentaram de estradas que viraram lamaçal, de homens sertanejos que viraram mendigos por causa da seca, por donzelas nos cariris que trocaram seu hímen por um naco de carne com farinha.

Estas feras inocentes se alimentam da dignidade de um povo que acreditou nelas. Estas feras inocentes se locupletam para matar sem precisar acionar gatilhos de armas; defloram inocentes sem precisar abaixar as calças; prostituem cidadãos sem precisar pagar o motel. Estas feras que se dizem inocentes, se são inocentes, apontem os culpados.

E fiquei parado, e todos ficaram parados, de bocas abertas e olhos arregalados... A fivela do meu cinto, os botões de minha camisa e os cadarços do meu tênis, diante da minha tenacidade verborreica. E ficou sem resposta a pergunta...

"Se todos são inocentes, onde estão os culpados?".





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Se todos são inocentes, quem são os culpados? ( Política - Jorge Azevedo )

:: Céus da Síria ( Política - Jorge Azevedo )

:: O valor do meu voto ( Política - Jorge Azevedo )

:: O pesadelo era sonho ( Política - Jorge Azevedo )

:: O poder da vergonha II ( Política - Manoel Tupyara )

:: O Poder da Vergonha I ( Política - Manoel Tupyara )

:: A democracia não merece isto. ( Política - Manoel Tupyara )

:: O Brasil político e seus políticos ( Política - Jorge Azevedo )

:: O processo de impeachment da presidente Dilma ( Política - Jorge Azevedo )

:: Faltou cimento, a casa caiu ( Política - Jorge Azevedo )

:: Constrói-se nova mentalidade nacional ( Política - Nylton Batista )

:: Brasil - Crise de Identidade 1 ( Política - Elisabeth Camilo )

:: Acordo da polêmica II ( Política - Nylton Batista )

:: Quem não tem cão, caça com gato - ou o Brasil que não queremos ( Política - Elisabeth Camilo )

:: As Mil Palavras ou Eu preciso me comunicar ( Política - Elisabeth Camilo )

:: A sociedade que eu quero viver ( Política - Jorge Azevedo )

:: Concepção negativa de pobreza ( Política - Luisa Lessa )

:: Por que se é contra a cpmf ( Política - Nylton Batista )

:: Os males da democracia ( Política - Roberto Bastos )

:: Abrace um bandido! ( Política - Manoel Tupyara )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo