-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

O homem na praça

Estava um homem, distraído, sentado em um dos bancos da praça. Parecia distante, o olhar perdido em algum ponto não visível. Crianças brincavam, alimentavam pombos e pardais com porções de milho, pedaços de pães e biscoitos. O homem parecia ausente de tudo. Não via os idosos caminhando, nem os casais de namorados aproveitado as sombras das árvores para trocarem juras de amor. Não via as babás fardadas com roupas brancas e anarrugas rosas e azuis empurrando carrinhos com bebês. Não via a mãe adolescente com jeito ainda de estudante iniciante amamentando seu pequeno brinquedo. O homem parecia ausente dele mesmo. Tão ausente que não percebeu quando o senhor sentou-se ao seu lado.

Em silencio permaneceram. O velhinho, barba branca, bem aparada, olhos amendoados, cabeleira alva, quase rala. Na mão direita a bengala de madeira clara, envernizada e brilhante. Ele olhava para todos os lados como se tudo lhe interessasse. Sorria com os sorrisos das crianças, com a revoada dos pássaros. Sorriu devolvendo o sorriso tímido da mãe com jeito de estudante. Com balançar de cabeça cumprimentou e respondeu cumprimentos de outros idosos, passeando pela praça. Em certo momento um dos garotinhos veio em sua direção, tomou-lhe a mão direita, beijou e sorrindo disse “o senhor está com jeito que vai aprontar”. O senhor apenas sorriu vendo a criança se afastar e se juntar às outras crianças. Somente então se deu conta, o homem distraído, que não estava só. Virando o rosto, olhou para o senhor e sorriu. Tentou entabular conversa...

“Venho sempre aqui e nunca lhe vi”.

“Estou sempre aqui e lhe vejo sempre, e o senhor, tenha certeza, sempre me ver, às vezes até conversa comigo”.

O homem parou, olhou para o senhor como se estivesse fazendo uma retrospectiva de todos os dias que veio à praça, sentou-se em algum dos bancos e com jeito surpreso, parece que lhe dizia nunca ter visto e nem conversado com aquele senhor. Como se lesse os seus pensamentos o senhor disse:

“Quando reclamou do frio e do calor na praça, eu sempre quis lhe mostrar que era necessário; Quando lhe mostrei por entre as folhagens a luz do Sol e o brilho da Lua: quantas vezes lhe mostrei as estrelas e você nominou-as algumas para mim...”, aquele senhor devia estar louco, deve ter pensado o homem. E ele continuou...

“Eu sou o jardineiro que cuida de todo esse jardim, plantei cada uma dessas árvores. Eu faço cair cada uma dessas folhas, faço florescer cada uma dessas flores, faço frutificar cada um desses frutos, alimento cada um desses esquilos, faço voar cada um desses pombos e dou direção a cada um desses pardais”.

Louco, completamente louco, estava pensando o homem. Como podem deixar um velho assim andar nas ruas sozinho, sujeito à violência reinante na cidade. Não entendeu o sorriso do senhor, como se estivesse lendo os seus pensamentos. Então olhou para as árvores, algumas centenárias, sorriu para o senhor pensando “coitado, completamente louco”.

“Como o senhor plantou cada uma dessas árvores?”

“Fiz cada uma delas nascer com o amor da luz. Você é uma das árvores que plantei. Você é uma das minhas sementes... Não acredita? Cada um dos seus três filhos seguem minha palavra e divulgam o meu amor, eles são meus instrumentos?”

O homem olhou atentamente para o senhor. Verdadeiramente seus três filhos eram pastores de igrejas evangélicas e levavam a palavra para todos os cantos... Como ele sabe?

“Quando lhe curei da doença sem cura quis lhe mostrar que a Verdade existe e no seu caminho está faltando a palavra da verdade. Porque se aborrece com os seus filhos por eles não terem seguido o seu caminho e lutam para que você siga o caminho deles?”.

O louco não é louco, ele pensou. É sábio ou eu adivinho. É bruxo ou é Satanás. Como pode conhecer sua vida e a vida dos seus filhos? E porque o senhor sorri como se lesse os seus pensamentos? E estava o homem em sua luta interna quando a criança voltou, tomou a mão direita do senhor e disse...

“Deus, está na hora de irmos para outra praça levar a verdade para outro incrédulo”.

E quem passava na praça não entendia... Um homem ajoelhado, chorando, as mãos postas, olhando para o céu e agradecendo a Deus a abertura de sua visão para a Verdade.






Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: A morte dos Três Patetas ( Crônicas e Poesias - Manoel Tupyara )

:: O homem na praça ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Eu, você, nós ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Desabrigo ( Crônicas e Poesias - Ana Fabyely Kams )

:: Fábrica de pirulitos ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Sal ou mel ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: O viajante solitário ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Labirinto da felicidade ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Folhas sem escolhas ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: A morte do prisioneiro ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Ensurdecedor grito do silêncio... ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: A obra poética ( Crônicas e Poesias - Luisa Lessa )

:: Finalidade de vida ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Adeus maledeta ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Com todo o meu amor ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Borras de café ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Mãe, não me espere para jantar ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Qual o Deus que lhe acompanha? ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Meu Céu ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Morena doce ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo