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Você está em Justiça & Direito
 
Yuri Nascimento Costa

[ Yuri Nascimento Costa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Advogado. Interesse em empreendedorismo, inovação, tecnologia e comunicação.

 

Conquistei minha carteira da OAB, e agora o que faço?

O título deste artigo é uma frase que provavelmente ecoa nas cabeças dos recém-inscritos na OAB, em suas respectivas seccionais.

Até conseguirmos a inscrição na Ordem, focamos exclusivamente nos estudos, esquecendo-se da preparação e atuação plena no mercado de trabalho, que, por sinal, está cada vez mais concorrido e que exige uma postura empresarial de negócios a qual não aprendemos na graduação.

Deparei-me com esse questionamento há exatos 3 anos e 8 meses. A ansiedade e ebulição de pensamentos me indagavam diariamente, exatamente 24 horas por dia: Devo montar meu escritório? Quanto é o custo? Como conquistarei clientes? Devo iniciar uma pós-graduação na área que pretendo atuar? Devo exercer a advocacia na minha área de especialidade? Devo entregar currículos para atuar em escritórios de advocacia como profissional contratado? Tantas incertezas...

Esse turbilhão de perguntas começa a inundar nossos pensamentos, o que aprofunda ainda mais nossa aflição.

De fato, não há fórmula mágica para conquistar clientes e ter sucesso na empreitada jurídica, mas pretendo transmitir através dos artigos que produzirei, algumas etapas e fases as quais vivenciei e que contribuíram para a evolução da minha carreira. Dividirei este tema em alguns artigos, com o intuito de ajudar você, advogado em início de carreira.

A presente troca de experiência segue o caminho daquele advogado que, como eu, escolheu montar seu próprio escritório.

É Importante esclarecer que antes de advogar eu atuei numa instituição financeira de renome nacional, contudo, durante a graduação não tive a oportunidade de estagiar, ou seja, iniciei a militância totalmente verde e sem experiência.

A partir de então, tomei a decisão de que iria investir no meu próprio escritório, momento que surgiu a primeira dúvida: Monto um escritório sozinho ou procuro possíveis sócios?

Os dois caminhos possuem lados positivos e negativos.

No meu caso, encontrei quatro sócios, utilizando o sistema de divisão de despesas e lucros em partes iguais. No meu caso, o principal ponto positivo se deu através da ampla rede de relacionamento que cada sócio possuía. Um deles havia sido policial, outro havia sido proprietário de uma seguradora, ou seja, cada um deles já possuía uma rede de relacionamento a qual alavancou a divulgação e captação legal de clientes.

Primeira dica, escolha sócios com características e valores que agreguem ao seu negócio, seja na parte técnica quanto na parte de gestão e conquista de clientes. Isso fez com que minhas conexões se ampliassem e conquistasse mais clientes depois do primeiro contato.

O seu caso pode ser diferente. Você pode ter uma gama de contatos e relações às quais ampliem rapidamente a carteira de clientes, mas não domina o lado técnico da atividade jurídica. A melhor opção é encontrar um sócio que agregue essa qualidade, e vice-versa.

Outro ponto relevante é a observação de atributos subjetivos dos sócios. O sócio tem que ser íntegro, determinado, transparente e honesto.

Entendo que essas quatro características sobrepõe qualquer outro atributo positivo de um potencial parceiro. Não é válido se relacionar societariamente com pessoas que não são motivadas/determinadas ou que irão mentir e posicionar o dinheiro acima dos interesses coletivos.  A escolha de sócios sem essas qualidades pode ser fatal para a sua sociedade, e uma dor de cabeça enorme á longo prazo.

Devo lhe alertar que para tudo na vida existe o ônus e o bônus. Uma sociedade com diversos sócios acaba dividindo bastante os ganhos mensais individuais. Vale explicar o motivo o qual me levou a optar por este caminho: sou o primeiro advogado da minha família, não conheço pessoas no meio jurídico e trabalhava em uma área totalmente diferente, ou seja, no meu caso era muito mais válido eu ampliar minha rede de relacionamento, o que foi possível com a sociedade naquele formato. Assim, cabe a você perceber quais são as suas principais deficiências e escolher o sócio com as devidas características complementares.

Não existe resposta correta para quantos sócios uma sociedade deve possuir, mas você terá que seguir a premissa da escolha pela complementação de suas qualidades e atributos obrigatórios de caráter.

Leve consigo a seguinte máxima: antes só do que mal acompanhado.

No tocante a divisão de lucros, como disse anteriormente, escolhi o modelo de divisão total de forma igualitária, tanto para despesas quanto para o lucro. Elaborarei um artigo especifico e detalhado sobre este tema pois acredito ser um ponto relevante na “vida conjugal jurídica” .

Outro ponto importante é a confiança e estabelecimento de regras. Seja bem-vindo ao mundo real, onde as pessoas são desonestas e oportunistas. O ideal para numa sociedade é criar detalhadamente e seguir as regras do contrato social. Tudo deve ser amplamente debatido, acertado e reduzido a termo antes do faturamento se iniciar, pois quando ele começar alguns problemas parasitas surgirão.

Estabeleça descritivamente as metas e funções de cada sócio, como, por exemplo, sócio A será responsável por angariar “x” clientes mensalmente e peticionar, sócio B ficará no escritório o dia todo na disponibilidade de um cliente aparecer, sócio C atuará as audiências. Defina  níveis de metas, valores de quilometragem para angariar e para traslados de audiência. Pontue as despesas fixas do escritório. Defina como será feita a divisão do lucro, mesmo com sócios que possuam funções diferentes. Aponte a necessidade de uma reserva para despesas extraordinárias as quais deverão ser extraídas de uma porcentagem do faturamento mensal. Enfim, preveja e defina uma solução para todas as questões inerentes a atividade jurídica.

Definindo tudo isso com clareza e exatidão. Crie o contrato social e o estatuto do escritório e o transforme em lei. Tente cumprir sem a inserção de exceções rotineiras, ou o estatuto não terá eficácia. Havendo um acerto no papel, não há o que se reclamar depois, muito embora saiba que os questionamentos surgirão.

Fique atento a função de cada um dentro da sociedade e nas penalidades de quem não cumprir com seu papel, sob a máxima do sócio ser excluído. Deixe isso bem claro, pois um dos problemas corriqueiros dos escritórios versa sobre a percepção de que um sócio trabalha e angaria mais causas do que os demais. Isso deve estar muito claro no momento inicial da constituição da sociedade e deve ser cumprido.

Ao produzir esse documento, tente projetar possíveis problemas em fases diferentes do escritório, como se estivesse a pleno valor com lucro líquido mensal e até com planos de expansão. É extremamente importante tentar prever problemas e definir soluções enquanto os interesses pessoais de cada sócio não sobrepõem o coletivo.

Execute reuniões mensais, semanais e até mesmo extraordinárias, com o objetivo de alinhar e esclarecer pontos obscuros e erros cometidos. A velocidade na correção dos equívocos e ajuste de pensamentos é importante para a manutenção salutar do relacionamento entre os sócios.

Depois desse esclarecimento, iniciamos a explanação sobre o local e construção do escritório. Percebi na prática que o atual momento do país dificultou os investimentos de maior porte, como, por exemplo, montar um escritório de advocacia do zero.

Eu tive a oportunidade de construir meu escritório numa sala alugada, inicialmente bem simples, mas com todos os itens que acreditava serem obrigatórios, como, sofá e TV para clientes, máquina de café e água, cadeiras, computador, mesa de atendimento, enfim, toda a estrutura inerente à atividade.

Este investimento teve o lado positivo, pois estava construindo uma  marca junto a uma estrutura física, entretanto as despesas mensais fixas se demonstravam significativas e não permitiam que eu retirasse lucro líquido nos primeiros meses. Eu apenas pagava as contas e já agradecia muito por não estar gerando dívida.

Se você já tiver uma carteira de clientes, construir um escritório pode ser benéfico devido ao desenvolvimento de sua marca, mas se você está iniciando e não tem um bom fluxo de causas mensais, te aconselho a se articular com os demais escritórios que já existem e alugar uma sala nos estabelecimentos dos colegas de profissão.

O aluguel da sala nestes escritórios já inclui internet, estrutura física, água, energia, ou seja, todos os custos fixos, sem que você perca tempo administrando estas demandas e com um valor mais em conta. Na minha cidade, manter um escritório numa sala alugada no bairro central (local mais concentrado de escritórios), custa em média R$ 1.500,00 mensais por uma estrutura de 25 metros quadrados, enquanto que alugar uma sala num escritório já pronto custa em média R$ 1.200,00 mensais num espaço que geralmente comporta dois advogados, ou seja, R$ 600,00 por advogado, além de usualmente agregar o serviço de secretária e sala de reunião estruturada. Algumas possuem até office-boy.

Outro ponto interessante no aluguel de uma sala dentro de um escritório é a estrutura do estabelecimento. Os clientes, ao entrarem num escritório com sala de espera, secretária e com sala de reunião estruturada, acabam percebendo um posicionamento diferenciado do advogado, o que acarreta numa tendência a melhor fixação dos honorários contratuais. Por fim, outro ponto positivo é a possibilidade de networking e colaboração entre os colegas advogados que também trabalham no mesmo escritório, o que pode gerar faturamento através de execução de diligências e audiências.

Eu fui proprietário de um pequeno escritório numa galeria localizada no centro da cidade e apenas 4 clientes aleatórios entraram no meu escritório durante o lapso temporal de 2 anos. Neste momento eu alugo uma sala num estabelecimento jurídico de grande porte, e dois clientes novos entram no escritório a cada semana, em média. No meu caso, o advogado que estiver livre no horário poderá ficar com o cliente sob a liberação de uma porcentagem para o proprietário do estabelecimento.

Segunda dica é essa: analise a possibilidade de alugar uma sala dentro de um escritório com boa estrutura. Veja se na sua cidade isso é viável e observe os benefícios que estão atrelados a essa escolha. Ainda acredito que o caminho mais sólido é construir o próprio estabelecimento jurídico, mas para o advogado iniciante a solução supramencionada parece atender a melhor relação custo-benefício.

No tocante a localização do escritório, aconselho o jovem advogado a fazer um breve estudo sobre os bairros do seu município em paralelo a sua área de atuação. Geralmente na região central haverão boas oportunidades, além do fato que existe uma cultura na sociedade de que as pessoas se dirigem ao centro da cidade para resolver problemas, quitar pendências, fazer compras, ou seja, o centro é um local que os potenciais clientes não se incomodam em se deslocar, mesmo que seja distante de suas residências.

Se você pretende abrir seu negócio jurídico fora desse círculo, fique atento a localização e área que pretende exercer. Perceba que existem bairros e até cidades vizinhas que são marcadas pela presença do proletariado, o que indica uma demanda de causas trabalhistas e previdenciárias. Já se você pretende atuar na área tributária, um escritório na área periférica não será eficiente, no caso, você terá que estar mais próximo dos principais contribuintes de impostos.

Essa é a terceira dica. Estude o local que você pretende atender correlacionado a sua área de atuação.

A única prática que não concordo é da construção do escritório nas imediações de sua residência. Sei que muitos não têm estrutura financeira para investir na área jurídica, mas os malefícios trazidos por essa prática superam significativamente os pontos positivos. O único benefício que consigo perceber é a redução de custos.

Agora vamos aos malefícios. Se você atua na área criminal, esqueça! Nunca abra um escritório na sua residência ou você não terá vida. Clientes irão até a porta da sua casa no domingo, enquanto você estiver naquele churrascão e na 7ª cerveja, para cobrar uma informação ou uma atitude para soltar o cliente que se encontra preso. O direito à privacidade será totalmente perdido caso você abra o escritório neste local. 

Na minha humilde opinião, não faça isso. Só se realmente não houver outro caminho.

Já para você que pretende advogar sozinho ou deseja explorar a relação com seus clientes, leia o artigo que será publicado na próxima semana e tratará de marketing pessoal e de relacionamento no âmbito jurídico.

 





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