-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Minha derradeira roupa

Quando eu for, se eu puder escolher, plagiando uma canção, “não quero choro”, quero velas, muitas velas. Velas coloridas de todas s formas, de todos os tamanhos, nos lugares mais inusitados. Nada convencional, nada ritualístico. Nada que seja igual às tantas reuniões mórbidas dos que partem.

Quando eu for, quero alegria de nascimento, não quero tristeza de morte. Quero um teclado em um dos cantos de onde eu estiver, um violão, alguém bom de percussão, uma voz, de homem ou de mulher, cantando sambas antigos, musicas dos anos 70, forró de Luiz. Quero sorrisos substituindo lágrimas, quero poetas e poetisas declamando meus poemas.

Quando eu for, não quero ser vestido com minha melhor roupa e nem calçar o meu melhor sapato. Basta um short curto, o mais velho e surrado que eu tiver, uma camiseta branca, furada de tanto lavar e secar em varais. Nos pés podem colocar uma sandália de borracha e se não tiver, vou descalço mesmo. Para que vestir-me do melhor se tudo apodrecerá com o meu corpo, com a madeira do caixão?

Minha melhor roupa e meu melhor sapato servirão para alegrar a vida de alguém que não tem uma boa roupa e um bom sapato. Não abro mão, contudo, de ser bem perfumado, não é superstição, quero que, ao chegarem para me dedicarem o último adeus, tenham o cheiro de mim no ambiente. Quero ser perfumado pelo melhor perfume. A roupa não é importante, estarei vestido de flores, gosto de todas e de todas as cores.

Quando eu for, estarei feliz. De tudo fiz um pouco, de bom e de ruim. Amei os melhores amores que alguém pode amar, fui possuído pelas melhores mulheres que alguém queria ser possuído. Beijei os beijos mais doces e ardentes que todas as pessoas vivem sonhando em beijar. Plantei árvores, cultivei jardins. Escrevi livros e tive filhos. Viajei por lugares que jamais imaginei viajar, conheci pessoas de mentes abertas e fechadas. Vivi tendo casas e vivi não tendo casa. Fui filho sem ter sido e não fui filho tendo sido.

Diante de tantas histórias, a última coisa que eu quero que se preocupem comigo é com a roupa que farei minha última viagem. O espírito não se veste com as roupas terrenas, sua roupagem vem do cosmo, ela é eterna e o acompanha em cada ida e em cada volta. Vestir o corpo é apenas uma vaidade inconsequente e sem necessidade. Um desperdício tendo em vista a quantidade de vivos que não possuem uma roupa como a roupa que o morto levará para nada. Assim peço, não me enterrem com a minha melhor roupa e nem me calcem o meu melhor sapato. Alguém se sentirá feliz comigo, mesmo depois de minha morte, ao receber de mim, como presente de vida, a melhor roupa que eu tiver vestido, o melhor sapato que calcei. Pode até ser, que minha melhor roupa nem tenha sido usada e nem calçado o meu melhor sapato, não sei quando eu vou, não sei se terei tempo de usar, se tive tempo de ter usado.

Importante para mim, quando eu for, não é a roupa, é a minha chegada no outro lado e lá, quando eu chegar, não serei visto por quem estiver no lado de cá. No lado de cá quero pessoas alegres comemorando o que fiz de bom, o que fiz de ruim es-pero que não se lembrem. Se eu tiver tempo de ser perdoado por todos, agradeço a Deus o perdão. Se eu tiver tempo de perdoar a todos, agradeço a Deus o perdão. Se eu não tiver tempo de ser perdoado e de perdoar, peço perdão a Deus quando chegar do outro lado e Deus como bom Pai, há de me perdoar.

Quantas coisas importantes tenho para fazer, para ultimar antes de minha partida e de minha chegada, a roupa que farei a última viagem é a derradeira coisa que ocupará meu tempo, portanto, já sabem... Não me vistam com minha melhor roupa e nem me calcem com o meu sapato quando me vestirem com o ataúde que me encerrará desta dimensão...

Ah! E para que ser de luxo, meu ataúde?






Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: A ultima pedra ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Uma das minhas namoradas ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Aposentando a aposentadoria ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Você, o amor de minha vida ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: A energia do chão ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Palco ou plateia ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: O amor é um sentimento interino ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Minha derradeira roupa ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: A morte dos Três Patetas ( Crônicas e Poesias - Manoel Tupyara )

:: O homem na praça ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Eu, você, nós ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Desabrigo ( Crônicas e Poesias - Ana Fabyely Kams )

:: Fábrica de pirulitos ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Sal ou mel ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: O viajante solitário ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Labirinto da felicidade ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Folhas sem escolhas ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: A morte do prisioneiro ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Ensurdecedor grito do silêncio... ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: A obra poética ( Crônicas e Poesias - Luisa Lessa )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo