-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Educacao
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Na contramão da educação

Por comodismo e falta de pulso (assim diziam os mais velhos, quando eles eram ainda moços), pais estão delegando às escolas, e diretamente, aos professores a obrigação de educar os seus filhos. Filhos esses, saindo de casa cada ano mais cedo. Está perto o dia que, a criança sairá da maternidade para o berçário de uma escola e será contratada (como se fazia antigamente) uma ama de leite para dar de mamar aos bebês nas creches.

Pais trabalham, mães possuem vida social. O prazer da paternidade jamais sairá da mente e do psicológico do ser humano. Paternidade sim, compromisso é outra história. Já não existe mais (como diziam os mais antigos, antes de se tornarem tão antigos) aquela máxima de "quem pariu Mateus que balance". 
Agora, é diferente, “quem não pariu Mateus que o eduque”. A escola, para os pais modernos, não é lugar de somente ensinar/aprender, é lugar de criar/educar.

O dever de educar é dos pais e não da escola. Está na lei, no Código Civil, artigo 1.634, inciso I. A criança deve chegar na escola com os conceitos básicos do certo e do errado, da arte de respeitar e obedecer, das normas e regras de sociabilidade. Isso, a criança deve trazer de casa, do convívio com seus familiares, assim era no tempo em que, os idosos de hoje não eram tão idosos, e iam para a escola com a consciência de que o professor era para ser respeitado, mais do que isso, reverenciado.

Os pais exigiam que seus filhos demonstrassem a educação recebida em casa, era motivo de honra e status alguém dizer “como são educados os filhos de dona Tereza”, ou quando encontravam dona Tereza na rua lhe falar diretamente “seus filhos são uns anjos, como são educados, parabéns!”.

Hoje os pais estão muito ocupados para se transformarem em dona Tereza, e quando desocupados, perderam o pulso, os filhos cresceram mandando nos pais, respondendo e agredindo e se os pais tentam amordaça-los com uma palmada ou um beliscão, a lei vem contra os pais e lhes condenam a não terem autoridade contra os seus filhos. Resultado, a escola foi imbuída do dever de educar, quando por lei, a escola tem a incumbência de ensinar.

Se tomarmos por base a Constituição Federal, veremos em seu artigo 205 “A educação é direito de todos e dever do Estado e da família”. Quando a Constituição determina que é dever do Estado, não está explicitando que o Estado tomará o lugar dos pais, mas, oferecerá aos pais condições de alimentar com educação a personalidade dos seus filhos. Ao Estado é facultado oferecer, estudo, trabalho e assistência. À família é facultada a missão de educar.

Diante das inúmeras crises assolando as famílias e o Estado, ficou mais cômodo para muitos pais, transformarem-se em Pilatos, lavando as mãos, e transferindo às escolas a obrigação de educar os seus filhos. Sem capacidade de exercer as duas funções, a escola, principalmente as publicas, não estão conseguindo exercer nem um e nem o outro papel com qualidade. Não educa porque não sabem educar filhos alheios e não ensinam porque os filhos alheios sem educação não querem aprender. Na verdade, muitos desses filhos alheios vão para as escolas, comer.

Está havendo um câmbio perverso entre pais e filhos na atual conjuntura social moderna. Muitos, ambicionando degraus profissionais e sociais não têm tempo para os seus filhos. Saem quando eles já saíram, chegam quando eles estão dormindo ou ainda não chegaram. O amor entrelaçado pelos elos familiares não existe. Existe a materialidade do amor. A troca sistemática de carinho por bens. 
Os ensinamentos (que os mais antigos recebiam dos mais antigos, quando não eram ainda, tão antigos) não existe mais. Os conceitos de certo e errado são encontrados nas enciclopédias virtuais e os exemplos chegam de vitórias e derrotas de amigos e pais de amigos. Com isso, a sociedade está pagando um preço alto pela inversão de responsabilidades e compromissos.

A responsabilidade da escola que era de ensinar, não ensina a contento. A responsabilidade dos pais que era educar, não educa a contento e enquanto isso cresce uma geração mal criada por babás, por mães assalariadas e professores sem preparo e sem apoio da lei para realmente “educar” filhos alheios.

Com tantas impossibilidades das escolas, ainda se ver as escola lutando para suprir o desamor oriundo de dentro das casas. Mais, as escolas não podem fazer. Ainda mais que a escola hoje ganhou mais um atributo, alimentar seus alunos, pois, eles chegam de casa com fome de comida. Parte do tempo que diretores teriam para encontrar soluções para problemas que não deveriam ser seus, se ocupa com cardápios e licitações de carne, de arroz, de feijão e farinha. E “ai” da escola que não se preocupar com suas cozinhas e cozinheiras... Os pais protestam, e gritam que a escola está matando seus filhos de fome, seus filhos não vão para a escola porque não tem o que comer.

É a transferência de responsabilidade, a inversão de verdades, a troca de compromissos. E a máxima usada pelos mais antigos de “quem pariu Mateus, que balance”, ou seria “quem pariu filho teu, que balance?”, deixa de existir. Hoje o mais correto seria “não pariu o filho meu, mas, crie e eduque”.

Com tudo isso, preocupa-me sabiamente a posição da escola. Medidas coercitivas são necessárias. A escola precisa educar para poder ensinar, precisa ensinar para poder educar. O grande entrave encontrado no mundo educacional está nesse entroncamento de deveres/obrigações e direitos/deveres. Se a escola se omite em um ou outro dos seus deveres estimula a prática contrária. Entra na contramão dos seus deveres, independente de que atitude tomar. Educar e ensinar passa a ser obrigação de quem não tem obrigação de educar e ensinar. Os pais querem que seus filhos cheguem em casa falando baixo, sabendo pegar nos talheres, falando inglês, mesmo que não saibam falar o português.

Quando seus filhos são descaminhados dos caminhos não forjados dentro do lar, não projetados pela família, a culpa é da escola, da incompetência dos professores que não viram seus filhos se iniciando no mundo das drogas e não vigiou-os responsavelmente diante de colegas usadores de maus modos.

A droga hoje é realidade nas escolas, tanto públicas quanto privadas, sendo que nas escolas públicas há um desconforto maior devido a precariedade de recursos. O nome da escola privada precisa ser preservado para o seu sucesso, o nome da escola pública não precisa de preservação, ela atende, de qualquer jeito os carentes das comunidades carentes. A agilidade encontrada na escola privada não é a mesma encontrada na rede pública, mesmo tendo a concepção de que o nível sociocultural da rede privada é superior ao encontrado na rede publica, em tese, somente em tese, pois, há exceções nos dois estabelecimentos.

É difícil lidar com estudantes. Suas mentes estão sempre em exercícios galopantes e a fabricação de ideias é algo assustador. Seria necessária uma equipe docente mais preparada e numérica, dentro dos estabelecimentos educacionais públicos para melhor desempenhar as funções pecuniárias e as funções advindas e não adquiridas. Ensinar educando e educar ensinando.

Resumindo o meu pensamento, o estudante é um ser humano, não é uma máquina que pode ser deslocada de um lugar para outro se estiver ocupando um espaço ou incomodando quem passa. Pais, professores e legisladores não estão olhando o estudante de hoje como um ser humano. Ele está sendo deslocado para distante de quem o sente como problema. Começa pelos pais, que a cada ano, mais cedo interna os seus filhos em creches escolas, em escolas berçários. Os de maior capacidade financeira, contratam uma babá para o lugar da mãe e se filho recebe da babá a educação que ela sabe dar, muitas vezes nem recebeu, aprendeu no mundo. Os pais de menor capacidade financeira não veem a hora de por seus filhos na escola para se verem livres deles, na hora do almoço.






Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Em defesa das Fraternidades Estudantis. ( Educacao - Roberto Bastos )

:: Na contramão da educação ( Educacao - Jorge Azevedo )

:: O mundo exige melhores educadores ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Saber escrever é uma exigência do mundo atual ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Somente uma palavrinha e... ( Educacao - Jorge Azevedo )

:: Português versus Inglês ( Educacao - Luisa Lessa )

:: O portugues do Brasil: proibições e heranças ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Olhar científico e ideológico sobre o idioma português ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Crítica aos críticos da Filosofia. ( Educacao - Roberto Bastos )

:: O tempo é um mestre ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Mistérios e segredos da escrita ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Educação como arte de bem viver ( Educacao - Luisa Lessa )

:: O fracasso escolar brasileiro ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Acordo da polêmica ( Educacao - Nylton Batista )

:: O nível da educação no Brasil ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Pilares da educação cidadã ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Mudar a forma de ensinar e de aprender ( Educacao - Luisa Lessa )

:: Pós-graduações holísticas. ( Educacao - Roberto Bastos )

:: Educar sempre ( Educacao - Jorge Hessen )

:: Educação e gêneros. ( Educacao - Roberto Bastos )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo