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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Saudade de quem amo

Devo ser diferente de todos os bichos homens da face desta Terra que me abraça, que me recebeu quando aqui cheguei de algum lugar. Me adotou e não me fixou... Por quantos planetas eu já devo ter vivido? Por quantas constelações e galáxias eu já devo ter passado? Sob quantas luas já gerei e já devo ter sido gerado? Eu gostaria de não ter apagado de minha mente nenhuma das vidas que eu já vivi, nem dos amores que já provei, das guerras que já matei e já fui morto. Eu gostaria de manter intactas as lembranças de cada uma das minhas vidas.

Certamente não sou igual a tantos habitantes desse planeta que me recebeu de braços abertos e ofertou-me todas as possibilidades de felicidades. Não sei se o Deus que aqui tenho é o mesmo Deus que tive em outros lugares, nem sei se os anjos que aqui me acompanham são os mesmos anjos que me acompanharam por todos os lugares por onde já passei. Até acho, minha vinda para esta Terra de terra tão rica, foi um pedido meu ao dono do cosmo, ao Pai criador de todos os astros e criaturas.

Certamente não sou igual a tantos habitantes desse planeta que me recebeu, pois, eu mantive a consciência que não sou daqui, estou aqui de passagem, dentro de mim deve haver um grande amor pela minha terra, minha pátria, meu planeta, minha estrela, minha lua, meu sol, minha galáxia, por alguém que eu deixei me esperando.

Olho para o céu todas as noites e fico buscando no infinito o meu povo e diante de tantas estrelas, muitas são planetas, fico procurando meus pais, meus irmãos, o amor que eu deixei um dia sem saber se tive tempo, no dia de minha partida, de dizer que eu a amava, que voltarei, que me espere. Porquê eu escolhi esse planeta para viver uma de minhas vidas? Agoniza-me dentro de mim algum lugar em mim que eu não sei onde é. Atormenta-me a saudade de algo, de alguém que eu não do que é, de quem é.
Chego a pensar que estou enlouquecendo, tamanha é a saudade asfixiando minha vida. Por que, para que eu vim para esse lugar?

Vivo aqui, sou feliz, mas, não consigo tirar de mim esta agonia, me falta algo, eu sei que me falta algo, falta meu chão, falta minha gente, falta a mão que segura a minha mão. Sinto-me cigano na Terra que é minha terra. Sinto-me estranho entre pessoas que se parecem comigo. Quero amar, não consigo amar com a intensidade que desejo amar, pois, eu tenho certeza, deixei o meu amor em um dos planetas, em uma das estrelas, em uma das constelações, em uma das galáxias onde já vivi, onde já morri, onde já amei, onde gerei e fui gerado tantas vezes. Não sei se em cada lugar onde vivi me senti vazio assim, se já me senti outras vezes um estranho, ciente de que não pertenço a esse lugar...

Olho todas as noites para o céu e tento encontrar o meu lugar entre tantos pontos de luz. Tento encontrar em cada um dos pontos sinais de mim, do deus que sigo e segui em cada um dos lugares. Fecho os olhos e tento encontrar cores que não há aqui, cheiros que não há aqui, belezas que não há aqui. Tento ver a pessoa que amo e fico imaginando se a forma de amar lá é a mesma forma de amar aqui. Devem me achar diferente dos bichos homens que habitam os pedaços de terra da Terra. Devem me achar estranho quando me pegam olhando para o infinito com a alma em ebulição, com a mente carregada de saudade, de lembranças que eu não me lembro, de visões que eu não vejo, de sons que eu não escuto. Eu me lembro do meu amor, sei que deixei em algum desses lugares que eu já vivi, o meu amor. Não sei se em algum desses lugares há conexão com o mundo de cá. Não sei se a tecnologia lá é mais avançada que a tecnologia de cá e sendo, se meu amor me acompanha, segue meus passos, triste porque ando sozinho. Sei que meu corpo morrerá aqui e eu voltarei e somente quando eu voltar terei a oportunidade de pedir ao criador de todas as maravilhas para me fazer renascer em meu lugar, em minha estrela, em meu planeta, em minha constelação, em minha galáxia junto de quem eu abraçarei e direi pela alma e não pela boca “eu te amo”.

Certamente sou diferente de todos os habitantes desse planeta. Vim de um planeta de onde somente eu vim. Cada habitante desta Terra veio de algum lugar, tenho certeza. Aqui é um lugar de passagem, não sei se de reparação, de expiação, de melhoramento. Aqui é um lugar aonde os espíritos chegam para descansar?

Eu sinto falta de minha terra, da comida do meu lugar, sinto saudade do meu amor, eu sinto saudade de mim, do tempo que a felicidade não era esse turbilhão de procura. Eu sinto falta de olhar para o alto e encontrar minhas luas e meus sóis, minhas estrelas, dos cometas passando de um lado para outro deixando aquele maravilhoso rastro de luzes de muitas cores. Fecho os olhos e vejo e me vejo além de onde estou numa agonia que algumas vezes me faz perguntar a mim... “Estou enlouquecendo ou estou com saudade de quem eu preciso dizer... Te amo?”.

Parece às vezes, que rasgos de lembranças brotam de dentro de mim e se põem diante dos meus olhos. Será que lá, em meu mundo real eu também era poeta? E se na verdade eu sou um perdido? Se em uma das tantas viagens minha nave se perdeu e eu vivo tentando encontrar meu caminho de volta. Sinto piedade do meu amor, minha amada se enlutou pelo meu fim, será?

Apesar da amnésia, tenho rasgos de lembranças, e durantes esses espasmos de saudades, não sei de onde vim, sei somente que eu não sou daqui, estou aqui somente de passagem.

Certamente eu sou diferente de todos os bichos homens que vivem aqui, em pedaços de terra desta Terra que me adotou e não me recebeu. Eu não pertenço a aqui, eu pertenço a lá, mas, lá... Onde ficam, entre tantas estrelas, as estrelas que estão acima do meu planeta, da minha constelação, da minha galáxia? Para onde vou quando mais uma vez meu corpo morrer, para vou?





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