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Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

Lágrimas e lágrimas

Há lágrimas, muitas lágrimas nesse exato momento na casa de Geddel, seria eu desumano se achasse que não há lágrimas na casa de Geddel, como eu sei que houve lágrimas na casa de Loures, na casa de Eduardo Cunha, na casa de Sérgio Cabral, na casa dos Odebrecht... Na casa de tantos que se viram privados dos seus bens, dos seus confortos, dos seus luxos, de suas mordomias. Se não houve tantas lágrimas de sofrimento, houve lágrimas de vergonha, ou lágrimas teatrais.

"O que direi aos vizinhos, o que estarão dizendo os vizinhos?", pensaram, pensam e pensarão a socialite política brasileira cada vez que um carro da Polícia Federal postou-se, posta-se e postar-se-á em sua porta antes do Sol raiar.

Na casa de Lula houve lágrimas, na casa de Dinda houve lágrimas. Não há como não haver. Eu queria que não houvesse, verdadeiramente eu queria que não houvesse lágrimas, todos os envolvidos no mar de prantos fossem ovacionados nas ruas quando passassem. Fossem parados nos shoppings para selfes quando circulassem orgulhosos, nas tardes de domingo, com suas famílias. Eu queria, verdadeiramente eu queria escrever maravilhas sorridentes dos nossos políticos, dos nossos governantes, eu não posso.

Infelizmente há lágrimas em tantas casas desse Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Se não são lágrimas de sofrimentos, são lágrimas de vergonhas, se não são lágrimas de vergonha, são lágrimas teatrais, se nem teatrais são, são lágrimas de susto, de raiva por não ter se produzido, vestido o melhor costume para aparecer bem na foto. Tristes lágrimas, sejam elas como forem, tristes lágrimas. Lágrimas que foram trocadas pelo inserir de nomes como vultos históricos. Preferiram as lágrimas. Lágrimas de vergonha trocadas por lágrimas de júbilo. Preferiram as lágrimas, lágrimas em vez de aplausos, em vez de biografia. Preferiram dossiê em vez de biografia.

Eu queria que fosse diferente. Queria que não houvesse malas de dinheiro, que não transformassem um apartamento comum, em um edifício comum, onde moram pessoas comuns em cofre forte, em casa de bomba. Imagino o risco que os moradores daquele edifício viverem se vaza a notícia da dinheirama... Se vaza e chega aos ouvidos das tantas quadrilhas poderosas, mais poderosas algumas que a própria polícia... Que risco correram os moradores daquele edifício se houvesse uma invasão, se ele fosse tomado em assalto? Quantas lágrimas mais poderiam agora estar sendo choradas? Quantos corpos estendidos sob o tapete de notas de R$ 100,00 e R$ 50,00...

Todos os dias há novas lágrimas em muitas casas, em muitos lugares desse Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Todos os dias enchem nossos ouvidos e nossos olhos, manchetes de corrupção, de roubos, de assaltos cometidos, não por assaltantes, mas, por honestos cidadãos acima de quaisquer suspeitas. Nomes exponenciais de nossa sociedade civil, pública, politica. Todos os dias, por causa destas manchetes, lágrimas anônimas são choradas por pais com filhos ainda não nascidos, mortos assassinados, por médicos que em desespero corre em corredores de hospitais consciente de que condenarão à morte pacientes que podiam ter sido salvos. São lágrimas de mulheres e filhos de policiais assassinados somente porque eram policiais e todas as lágrimas provocadas pelas lágrimas choradas por vergonha, por tristeza ou por teatralidade, por pais, cônjuges, filhos e amantes de presos que são presos por serem ladrões engravatados, votados e eleitos.

Lágrimas são lágrimas, dirão alguns pseudos defensores do tratamento das dores da alma dos que vertem lágrimas. Os filhos dos Geddels, Eduardos, Lulas, Sergios, Temers, Aécios, capacitam-se a serem pacientes de terapeutas para vencer os traumas das lágrimas e nós pagaremos com nossas lágrimas e nossos suores os seus tratamentos. Os filhos que vertem lágrimas na hora de enterrar pais e filhos, por balas anônimas, por médicos que não podem curar o que tem cura, pela ausência de macas e maqueiros... Esses não farão terapia, o Estado não acredita na existência desses. Basta ver que hoje, para pertencer aos quadros graduados do Estado, uma das exigências é lágrimas já vertidas ou possibilidade inexorável de lágrimas a verter. Quem tem passado limpo no Brasil de hoje não chega a Ministro de Estado nem para atender pedido de Jesus Cristo. Quem tem passado ilibado hoje, não ocupa cargo de presidente da Petrobrás, do BNDS, do Banco do Brasil, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal nem se Deus, no céu, decretar um decreto... Para ocupar cargos importantes na república desde Lula, Dilma e Temer, é imprescindível a possibilidade de lágrimas, lágrimas vertidas ou lágrimas a verter. Lágrimas de vergonha, de sofrimento, de teatralidade... Preferencialmente, lágrimas de vergonha, mesmo que sejam somente lágrimas fingidas para aparecer com lágrimas, nas fotos da mídia

Eu queria que fosse diferente, esse é o Brasil que eu tenho para viver, e pensar que tudo isso acontece porque os brasileiros votam para isso acontecer... E o que resta aos brasileiros são as lágrimas de sofrimentos, dos brasileiros.





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