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Osvaldo Heinze

[ Osvaldo Heinze ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
A partir de 1974 iniciei minha caminhada no campo das artes plásticas, música e literatura. Lancei meu livro em Abril de 2007.

 

Bonecas de carne

Mulheres da vida
parecem flores artificiais
vivem desabrochadas, dadas
não despetalam
nem exalam perfumes
e descolorem com o tempo.
Sequer precisam de rega
pois suas lágrimas lhes umedecem.
Usam fragrâncias falsificadas
que atraem zangões tristes;
abelhas-rainha mal amadas;
beija-flores curiosos;
borboletas perdidas;
mariposas à procura de luz.
Essas chamadas meretrizes
não têm uma vida fácil.
Sobrevivem nessa luta
e anonimamente morrem...
Durante sua lida diária
não podem fabricar néctar;
não podem dar frutos;
não podem sentir amor.
São atrizes sem foco
geralmente difamadas.
Além de não serem amadas
depois de usadas são esquecidas.
Essas flores despidas de pudor
volta e meia sofrem o horror
ao contato com certos seres
alucinados por cruéis prazeres.
Mas há jardineiros de amor
que até lhes cuidam bem
só que jamais as colherão
essas flores são de ninguém.
São mulheres de carne
osso, coração e alma.
Há as que possuem lar
família, filhos, marido.
Pagam contas, impostos.
São humanas de verdade
mas acha, a maldade
que não passam de bonecas.





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