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Carla Elisio

[ Carla Elisio ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Me considero com uma personalidade forte, muito determinada, adoro ser

 

A Importância do Livro O Segundo Sexo



Primeiramente, deixo claro que não pretendo me aprofundar no mérito do livro, pois a pretensão do texto não é dar spoiler, e sim expressar as minhas impressões e conclusões, sobretudo as transformações ocorridas na minha vida após a leitura da obra, como também a sua contribuição no meu desenvolvimento intelectual e na minha evolução como mulher.

O propósito é incentivar as pessoas a lerem o segundo sexo, essencialmente as mulheres, brotar dentro de cada uma qualquer sentimento que as façam desejar ler a obra, seja por curiosidade, necessidade, etc. para que possam compreender o mundo em que vivem, e, por fim, libertar-se de qualquer opressão e submissão.

Para uma mulher que sonhou a vida inteira em encontrar um “príncipe encantado”, consequentemente, constituir uma “família tradicional”, e viver eternamente um conto de fadas alicerçado no amor romântico, conhecer a Simone de Beauvoir, ler o segundo sexo e tomar consciência do contexto histórico sobre a realidade feminina, realmente não é algo fácil de convir.

Como é sabido, o “Segundo Sexo” é um livro dividido em dois volumes. Primeiramente, para iniciar e dar continuidade com o propósito de finalizar a leitura do primeiro volume, é necessário ter paciência, eu tive muita, já que, inicialmente, a autora explica a relação histórica, psicanalítica e biológica - macho e fêmea - descrevendo todo o processo evolutivo de diversas espécies animais não humanos, incluindo muitos termos científicos.

Ao iniciar a análise do primeiro volume, é fundamental que a leitora ou leitor deseje e tenha como objetivo adquirir o conhecimento proposto pela Beauvoir através da sua obra, a partir dessa consciência cognitiva, sem dúvidas a paciência fará parte da leitura até a sua finalização, sobretudo a sua compreensão.

Jamais pensei em desistir da leitura, pois estava no meu processo de intelectualização, iniciando os estudos sobre o feminismo, para isso, foi fundamental compreender o pensamento libertário e filosófico dessa mulher subversiva, que eu já admirava e admiro muito mais atualmente.

Mas confesso que diversas vezes me preocupei se não estava interpretando a linguagem da autora, ou se não conseguia assimilar o contexto histórico, havia algo que me inquietava a cada página lida.

Na verdade, descobri que não se tratava de dificuldades para assimilar ou interpretar a mensagem transmitida pela obra, o que eu sentia naquele momento fazia parte do meu progresso intelectual - cair em si, acordar para a vida, emergir na autêntica realidade - simplesmente me negava a aceitar a decepção, frustração, sensação de perda de tempo por tudo que eu acreditava, almejava e defendia nesta vida, foi difícil reconhecer que na qualidade de mulher eu sempre fui e sou “O SEGUNDO SEXO”.

Então descobri que buscava as coisas erradas, da forma errada, com as pessoas erradas, era alienada pelo senso comum de uma realidade social hipócrita. A minha personalidade como mulher foi completamente construída com base no que eu assistia e ouvia através da grande mídia, assim como não era diferente com as pessoas que eu convivia - todas sem o mínimo de conhecimento, especialmente o conhecimento cultural, imutáveis conformistas seguindo as ditas regras de uma ordem patriarcal, particularmente o alvo (objeto) principal – A MULHER.

Desde a tenra idade, sempre fui uma mulher completamente influenciada pelas personagens da televisão, novelas, filmes, minisséries, etc. essencialmente as protagonistas das histórias romantizadas, ou seja, eu só conhecia o amor na figura romantizada (amor romântico), dessa forma, seguindo um caminho, cujos danos irreparáveis, rumo a um “destino” perverso traçado para todas as mulheres que ainda não se libertaram, e a maioria nunca se libertará.

Vale ressaltar que antes de embarcar numa leitura como essa, é preciso amadurecer em alguns aspectos, já que na minha opinião a linguagem da Simone nessa obra é bem complexa. É importante a realização de uma pesquisa sobre a Autora e o seu pensamento filosófico, considerando a época em que foi escrita, para que alcance o fim ao qual se destina, obtendo-se o entendimento sobre o texto e, principalmente, a ideia propagada.

A abordagem da relação humana, essencialmente mulher e homem, só começa a partir da segunda parte do primeiro volume, dando seguimento a todos os conflitos existentes na sociedade patriarcal, portanto, como disse o escritor e bibliófilo José Mindlin “A maior qualidade de um bibliófilo é a paciência”!

A leitura do segundo sexo vem justamente para ressignificar cada conceito preexistente, desconstruindo todas as referências incutidas em nós pelo simples fato de sermos mulheres, a primeira delas é a de que “se nasce mulher”, pois conforme afirmação da autora, nascemos pessoas, seres humanos, e, seguindo uma ordem padronizada e cronológica, “tornamo-nos mulher”.

Só adquire a capacidade de compreender essa e outras afirmações quem lê o livro e toma ciência dos argumentos da Simone, por isso a urgência da leitura dessa importante obra, escrita por uma das mulheres, filósofas e intelectuais mais ativista no movimento de conscientização do papel exercido pela mulher na sociedade patriarcal.

O estudo do texto nos faz enxergar as variadas formas de amor e de amar, nos mostra o quão destrutivo pode ser o amor romântico na vida de uma mulher, assim como foi na minha, os diversos meios de opressão e submissão que são impostos à mulher de forma naturalizada por todas as pessoas do seu convívio, expondo de forma cristalina que muitas vezes o que aparenta ser uma decisão tomada pela mulher em sua própria vida, é na verdade a sua única alternativa.

Surpreendentemente, a pesquisa do livro nos expõe que todos os valores, interesses, predileções, nada faz parte da nossa essência, tudo nos foi ensinado num processo estrutural de mais um ser humano que deve seguir os padrões ditados para o sexo feminino e, consequentemente, ser encaixada como mulher num sistema uniforme que cerceia o direito da existência de uma mulher como um ser pensante.

Enfim, a leitura nos legitima a enxergar as mulheres como humanas objetificadas, criadas para seguir padrões éticos normativos em prol da subserviência e procriação.E na qualidade dessas mulheres, como seres humanos devemos continuar lutando para vivermos plenamente a nossa liberdade de escolha, utilizando cada vez mais o conhecimento como mecanismo de empoderamento feminino.

Devido ao processo de naturalização dos fatos, algumas mulheres não sabem que ainda vivem à margem da sociedade, ou não possuem os instrumentos necessários para se libertarem sobretudo aquelas que estão inseridas nos grupos minoritários, pobres, negras, prostitutas, as denominadas "mães solteiras”, LGBT, a evolução intelectual de alguém incluído nesses grupos minoritários ainda é mínima, só através do conhecimento seremos capazes de mudar essa realidade, para isso, é preciso que todas as mulheres conheçam a veracidade dos fatos que constituem as suas vidas.

Concluindo, um fato: a mente que lê "O Segundo Sexo", jamais será a mesma, é um divisor de águas na vida de uma mulher, uma revolução absoluta!! Para uma consciência inquieta é como o encaixe de um quebra cabeça do qual vínhamos tentando encaixar as peças desde o dia do nosso nascimento, quando finalizamos a leitura, encaixamos a última peça e constatamos, decerto, o que é a relação Mulher + Homem + Humanos + Sociedade + Vida + Valores. Em síntese, a leitura do Segundo Sexo é o início para se obter uma mente progressista, elidindo completamente o senso comum da vida de quem o ler.





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