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Elisabeth Camilo

[ Elisabeth Camilo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Tradutora, jornalista e mestra em Letras - Linguagem e Memória Cultural.

 

Bolhas de plástico

Um livro de Roberto Shinyashiki mudou profundamente a minha vida.  Eu o ganhei de um grande amigo (que hoje não sei onde está) há mais de 25 anos, e se chamava “A Carícia Essencial”.  Conta a fictícia história de um reino onde todas as criancinhas ganhavam, ao nascer, uma bolha felpuda, macia, boa de se tocar e que aumentava de volume sempre que era tocada por outro alguém.  Se o contrário ocorria, a bolha murchava.  Também relata que uma bruxa má, sabendo do sucesso e bem-estar do reino, se tornou invejosa e começou a trocar as bolhas de veludo por bolhas de plástico.  Para ter melhor empreendimento, também começou a espalhar boatos de que, cada vez que se tocava nas bolhas originais, elas diminuíam porque o outro roubava um pouco da essência do indivíduo que a possuía.  Em pouco tempo, as pessoas se tornaram egoístas, pararam de se abraçar ou de se tocar, se isolaram umas das outras e isso gerou o fim do reino...

Percebi o papel da bruxa má na política eleitoral em 2018 no Brasil.  Nosso povo, bom e democrático, passou a julgar os candidatos a partir de sérios boatos e generalizações.  Da mesma forma, as pessoas se isolaram daquelas que lhes eram opostas, criticando, ofendendo, machucando, se fragmentando mais e mais o que já estava de alguma forma começando a se romper (algumas bolhas de plástico foram colocadas ao nascimento).

Esquecemos até o principal fator que permite que sejamos um povo democrático: começamos a tentar impor no outro nossos candidatos, tentando, coercitivamente, fazê-los mudar sua opção de voto.  De frases soltas e sem contexto, criamos predicativos para todos os candidatos a governadores e presidentes: racistas, homofóbicos, nazistas, ditadores, ladrões, perversos, monstros, etc.  Muita gente, mas muita mesmo, acreditou tanto nos boatos, que ficou doente e algumas pessoas chegaram a morrer ou serem mortas por causa disso.

A bruxa má investiu pesado nos medos mais íntimos das pessoas.  Inventou coisas horripilantes (e a maioria acreditou nelas), criou divisões sociais, colocou uns contra os outros...   Todavia, ela investiu ainda mais na certeza de que todos somos inseguros em alguma coisa e mexeu exatamente nessa insegurança.

A maioria dos brasileiros se esqueceu que o símbolo maior da democracia é você escolher livremente seu candidato – separou famílias, amizades, sociedades... A verdadeira ditadura mostrou a sua cara hedionda: se você não concorda comigo, já não pertence à lista das pessoas que eu admirava...

O livro não tem um epílogo tão negativo: na percepção da extinção do reino, foram distribuídos saquinhos cheios de carinhos que se multiplicariam ao contato feliz dos outros e de nós mesmos...  Alimentemos pensamentos felizes, sejamos leves, creiamos que haverá um fim de ciclo mais cedo ou mais tarde que todo recomeço pode vir a ser bom.  Afastemos a bruxa da desinformação e dos boatos negativos e aceitemos as boas mãos que oferecem as bolhas de carinho...

Não permitamos, jamais, que qualquer pessoa aja conosco e com nosso país de forma negativa: Brasil é dos brasileiros e não dos estrangeiros que deram opiniões negativas sobre nós e sobre nosso país.  É preciso união e fé para que nosso reino novamente se refaça...





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