-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Crônicas e Poesias
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

E a troca se fez

Quando dona Maria chegou em casa sentiu o clima pesado, todos com fisionomias tensas, o marido sentado na varanda em um horário atípico para ele estar sentado na varanda, até o cão poodle, tão escandaloso, permaneceu deitado no cantinho da sala, como se entendesse que o melhor a fazer é permanecer deitado em seu cantinho. Joãozinho, o caçula, sempre elétrico, calmamente assiste televisão e a televisão quase muda, tão diferente de como ele gosta de assistir, em volume ensurdecedor, abalando as estruturas da casa. Teca está no quarto estudando, o celular com o fone de ouvido. Dona Maria estranha, a filha do meio nunca estudando sem a música brigando com os seus dotes auditivos, se misturando com os assuntos lidos e estudados?. O silêncio da casa chega a incomodar a quem tanto pedia por um pouco de silêncio na casa.

Ela deixa, sobre a mesa da cozinha, as sacolas com as compras. Guarda o chaveiro no gancho, da vaquinha Mococa. Abre a geladeira, pega uma cerveja e leva para o marido. É uma forma de conversarem, saber o que está acontecendo. Estranha o que está ocorrendo em sua casa, o marido que jamais recusava cerveja, principalmente servida com mordomia, em bandeja, com sua tulipa preferida, aquela de louça, comprada em Berlim, recusou.

Pergunta se ele quer conversar, responde com gestos de mãos "depois". Tudo bem, conversarão depois. Na sala pergunta ao filho se ele sabe o que está acontecendo, com balançar de ombros responde que não sabe. Da porta do quarto da filha recebe a mesma resposta através do balançar de cabeça e franzimento dos lábios, ela também não sabe.

Somente muito tempo depois, com o almoço já pronto, a mesa da sala já arrumada com pratos, copos e talheres, seu Nestor chama dona Maria para conversar. Explica a situação difícil que está passando a empresa, as dificuldades para honrar alguns compromissos, teve que enxugar a folha de pessoal. Todos precisam fazer sua parte no sacrifício para que saiam da crise. Explica porque está em casa àquela hora, hora atípica para estar em casa.

"Precisava pensar, planejar, arquitetar projetos de contenção para tirar do vermelho o caixa da empresa".

Ela ouve em silêncio. Há algum tempo vinha notando o marido andando arredio, mais preocupado, fazendo contas. Chegou a ver em sua agenda a relação de cortes nos investimentos importantes, o adiamento de obras fundamentais. Não questionou, não gostava de se envolver em seus negócios, e ele não gostava de deixá-la preocupada.

Durante o almoço, todos concordam que a saída boa para todos será o corte de despesas supérfluas, até mesmo o controle de algumas despesas essenciais.

"Não é justo apenas alguns se sacrificarem enquanto outros continuam esbanjando como se nada estivesse acontecendo", explica à esposa e aos filhos, "e eles, principalmente eles que são os baluartes da economia devem dar exemplo de austeridade".

Ficou acertado que todos darão sua parte no sacrifício para a empresa não sucumbir. Todos farão sua parcela de sacrifícios para os sacrifícios não caírem somente nas costas de alguns. Todos abrirão mão, temporariamente de algumas mordomias para as contas serem sanadas e o trem retornar aos trilhos da bonança. O almoço da família seguiu tranquilo e todos reconheceram que sem sacrifício de todos os problemas não se resolvem, apenas se adiam...

Mas, o Judiciário brasileiro não pensa assim, eles não podem se sacrificar, mesmo não sendo sacrifício abrir mão do aumento vergonhoso sobre seus astronômicos salários. Se a conta não fechar, que importa se faltar para muitos se para alguns não faltará?

Na casa de seu Nestor e dona Maria, todos concordam que não está na hora de aumentar despesas, a situação da empresa não é das melhores, a situação econômica da sociedade não é das melhores, todos concordam que o sacrifício deve ser para todos e por todos... Não somente para os funcionários menores, os que ganham salário mínimo. Deve ser encampado por todos...

Por todos, menos para o judiciário brasileiro que alavancará aumentos em cascatas também no Legislativo e no Executivo, pois, os ganhos do Judiciário servem de parâmetros para os ganhos de todos os poderes.

Na casa de dona Maria e de seu Nestor foi trocada a manteiga pela margarina, no judiciário eles trocaram o "auxílio moradia" pelos 16% de aumento, ou seja, tiraram 6 da conta e colocaram meia dúzia. Deixaram de gastar uma hora e meia e passaram a gastar noventa minutos.





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: E a troca se fez ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Bolhas de plástico ( Crônicas e Poesias - Elisabeth Camilo )

:: Reencontro com um cavalheiro muito elegante ( Crônicas e Poesias - Carla Elisio )

:: Na mesa de audiência ( Crônicas e Poesias - Carla Elisio )

:: Quê?! ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Desmoralização do Brasil ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Pena, piedade, comiseração ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Um pequeno príncipe sonhador ( Crônicas e Poesias - Fabiana Barros )

:: Tanto lá como cá ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Quero ser alguém na vida ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Tecido Social ( Crônicas e Poesias - Fabiana Barros )

:: Para onde vão as flores mortas ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Frutas podres na feira ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Decadências ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Forte, fortaleza ( Crônicas e Poesias - Jorge Azevedo )

:: Vida é algo que ainda nem sei. ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Crisálida ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Borboletas e poesia ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Bonecas de carne ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: A minha arte de lidar com o mundo ( Crônicas e Poesias - Fabiana Barros )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo